Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

30
Mar 12

 

por Paulo R. Santos

 

Ouvimos por toda parte que os políticos são todos iguais, em malícia, interesses pessoais, hipocrisia etc. Não é verdade, por isso é bom abrir esse pequeno comentário salvaguardando as poucas exceções – é verdade –, mas que garantem algum andamento nas questões pertinentes ao interesse público.

 

Quanto à pergunta do título, a resposta parece ser simples. Tanto do ponto de vista ético, quanto do ponto de vista intelectual, os políticos de hoje estão vários pontos abaixo, inclusive daqueles dos tempos da ditadura. Sem saudosismo, nostalgia ou coisas que o valham, a história o prova: os políticos do passado tinham suas ideologias, suas bandeiras, seus princípios, formação intelectual (não necessariamente acadêmica) e ética, concordemos ou não com eles, no todo ou em parte.

 

Mas, então, o que houve de lá pra cá? A resposta parece ser simples também para essa questão: a política (partidária) foi privatizada. Da Câmara dos Vereadores, passando pelas Assembleias estaduais ao Congresso Nacional (Câmara e Senado), a maioria dos parlamentares está a serviço de empresas, corporações, Bancos ou religiões.

 

A política em si é ruim? Claro que não ! Política é, sobretudo, a arte (arte mesmo!) da convivência, e só por extensão é o ato de gerir o bem público. Todas as nossas atitudes são ações políticas. Silenciar ou falar. Tomar partido ou (supostamente) ser imparcial, são posicionamentos políticos. Nada que deixamos de fazer, ou que fazemos, deixa de ser um ato político.

 

E a política partidária ? Esta sim, está comprometida com interesses de classe, casta, grupos, empresas etc. A política dos partidos é partidária por representar interesses de uma parcela da população e nunca de toda ela.

 

A democracia é o melhor modo de conviver ? Não necessariamente. O problema é que ainda não inventamos outra forma melhor, e não desenvolvemos senso moral suficiente para que cada um seja capaz de controlar interesses pessoais (autogestão) ou de grupos, e deixar o bem coletivo acima deles. Além disso, as outras modalidades de convivência resvalam facilmente para ditaduras, seja de 'esquerda' ou de 'direita'.

 

Que fazer com a má política em vigor e com os maus políticos no poder ? Buscar conhecimentos relacionado à civilidade e urbanidade, e respeitar as regras indispensáveis ao bom convívio social. Conhecer minimamente as regras do jogo político para votar melhor, e não se deixar enganar. Não vender ou trocar votos por favores, pois assim você não tem como cobrar nada do político, pois – afinal de contas -, você já foi pago !

 

E se eu não fizer nada e deixar como está para ver como é que fica ? Fazendo isso você renuncia ao direito de reclamar, já que não se comprometeu em nada com a vida coletiva. Se os impostos aumentarem; se novos impostos aparecerem; se empresas forem claramente beneficiadas pelo “poder público”; se seus “representantes” não o representarem, mas representarem a si mesmos; se serviços essenciais deixarem de ser oferecidos; se faltar segurança ou cuidados com a saúde e educação; se as mortes no trânsito aumentarem junto com a corrupção política; se a incompetência administrativa se tornar um câncer ainda maior na máquina pública, … continue deixando como está até ver com fica !

 

 

publicado por animalsapiens às 13:20

07
Mar 12

O ministro Mercadante (MEC) disse, em entrevista há poucos dias, que mais de 30 mil escolas rurais foram fechadas nos últimos  7 anos. Por que? Porque é mais barato para as prefeituras mandarem transporte do que pagar docentes e servidores. No entanto, com os alunos vindo estudar nas cidades, fora de seu ambiente cultural, com o tempo não retornarão às origens, esvaziando a zona rural e abrindo espaços para o rolo compressor do agronegócio.

publicado por animalsapiens às 11:39

24
Jan 12

Em algumas cidades (como Divinópolis e Belo Horizonte, segundo noticiário), os aumentos salariais autoconcedios pelos vereadores estão sendo inibidos pela mobilização popular. Ser impopular em ano eleitoral é má estratégia política, e como a história o demonstra, nada detém uma multidão em fúria. Por enquanto a indignação se alastra.

publicado por animalsapiens às 17:28

02
Jan 12

Kim Jong-il, multidões, desespero e problemas de análise (3)

Terceiro número desta série, dedicada ao estudo das reacções populares à morte do presidente norte-coreano.
Fonte do extracto acima aqui (se quiser ampliar o contexto, confira também aqui). Deixemos de lado por agora o que o jornal chama "demonização da Coreia do Norte".
Disse um dia Epitecto que "o que perturba e alarma o homem não são as coisas, mas as suas opiniões e fantasias sobre as coisas". Aproveitando essa posição, Ernest Cassirer escreveu num dos seus livros que em vez de definir o homem como animal racional, devemos defini-lo como animal simbólico, como iminente produtor de símbolos para lidar com a realidade física e humana que o circunda.
Excluindo pôr em causa palavra tão substantiva e absorvente quanto o homem (como se o homem fosse uma substância em sim, independente de grupos, classes, culturas, nações e processos históricos), vou avançar com a hipótese de que somos todos produtores de três coisas: desconfiança, territorialidade e classificação.
Nota: confira o seguinte título disseminado por muitos portais:Cenas de desespero no funeral de Kim Jong-il. Imagem reproduzida daqui.
(continua)


 http://www.oficinadesociologia.blogspot.com/

publicado por animalsapiens às 10:09

05
Dez 11

Janelas fechadas na Rua do Carmo

Os personagens da ocupação e da desocupação de prédios abandonados no Centro de São Paulo contam da vida em cortiços e da luta por moradia

Por Suzanna Ferreira

“Quando não tem esperança, tem luta”. É o que me diz Melissa Santana, auxiliar de limpeza, enquanto dobra uma blusa, observa um bebê que dorme e se prepara para sair do casarão do Carmo, região central de São Paulo, desocupado há uma semana por uma ordem judicial.

Cansada de repetir o seu nome mais uma vez, após uma assistente social anotar seus dados para cadastro na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Melissa conta que o procedimento é comum, mas não tem nenhuma garantia de retorno. “Sempre quando ocorre a desocupação de um prédio, eles fazem cadastro para a Prefeitura providenciar moradia. Eu morava aqui quando tinha 17 anos, agora tenho 34, e ainda não tenho onde morar”, conta.

O cortiço localizado na Rua do Carmo foi desapropriado em 1991, justamente para construção de unidades habitacionais, projeto aprovado pelos Conselhos de Defesa do Patrimônio. A obra teve início em 2004, mas não foi concluída—a construtora que conduzia os trabalhos foi à falência. Para completar, o processo do juiz Antônio Carlos de Figueiredo Negreiros, que assinou a desocupação, diz: “É lastimável que uma cidade com tamanho déficit habitacional, notadamente para a população carente, tenha que conviver com um programa social, que, após vinte anos do decreto de expropriação do imóvel, ainda não saiu do papel”.

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publicado por animalsapiens às 19:46

22
Nov 11

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O homem de Lula em MG

Walfrido dos Mares Guia parece quieto após seu envolvimento no mensalão tucano mineiro. Ledo engano.
O ex-ministro das Relações Institucionais (e atual presidente do PSB mineiro) movimenta-se com segurança na montagem dos diretórios municipais do seu partido, além da montagem das alianças articuladas com Lula. Manda e desmanda e fala em nome de Lula nestas paragens protegidas pelas montanhas.
Digamos que é um dos três maiores interlocutores de Lula em MG.

publicado por animalsapiens às 10:14

15
Nov 11

Rocinha: bandeira é hasteada
quando a Globo quer

Publicado em 14/11/2011

 

Globo : a gente não se vê por aqui



Saiu na Carta Capital:


 

A gente se vê por aqui

Jornalistas que esperavam para registrar o hasteamento das bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro na favela da Rocinha notaram: os policiais enrolaram (literalmente) até o fim da transmissão da Fórmula 1 pela Rede Globo. Ficaram mais de um hora em uma espécie de operação tartaruga. Só quando a corrida terminou, as bandeiras foram hasteadas e, coincidência, as cenas puderam ser exibidas ao vivo pela Vênus Platinada. No Brasil, a Globo determina até a hora do combate ao crime.

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publicado por animalsapiens às 10:14

25
Set 11

Sai a Comissão da verdade, mutilada, para preservar a impunidade.

publicado por animalsapiens às 11:20

05
Set 11

A mídia conservadora leva o caso da Líbia à exaustão, concentrando as notícias sobre o líder e sem tratar com a devida seriedade do país. Fica parecendo que a Líbia se resume a Kadhafi, desprezando seus pouco mais de 6 mihões de habitantes, agora num país destruído. Agora que a Líbia foi vencida pelas potências imperialistas ocidentais, será fatiada e usufruída pelos falsos vencedores. Interesses político-econômicos determinaram todas as ações, e as 'razões humanitárias' se resumem a mais uma grande mentira; uma mentira global.

publicado por animalsapiens às 11:53

10
Jul 11

O tempo passa, mas pouca coisa muda ...

 

http://www.youtube.com/watch?v=Bzr48P0X8S8

 

> Será que a política tem jeito ?

 

publicado por animalsapiens às 21:24

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