Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

03
Dez 12
Se o time de futebol preferido vence (ou perde), se alguém morre, se alguém nasce, se uma bala perdida atinge alguém, se há aprovação no concurso, se alguém quebra uma perna, perde dinheiro ou ganha na loteria etc. etc. ... tudo é vontade de Deus? Parece que se banalizou a ação humana, a vontade humana e o bom ou mau uso da livre escolha, com todas as suas consequências possíveis e prováveis ... Ninguém é responsável por nada.

Atribuir tudo à vontade de um Deus (ou de um deus) caprichoso ou voluntarioso, bondoso ou vingativo, é uma demonstração de infantilização e desconhecimento dos resultados das ações e das omissões humanas.

Se houver uma guerra ou um colapso ambiental, ou qualquer coisa parecida, certamente o bicho homem tem lá sua parcela de responsabiliddade nisso. E não importa se foi um amigo ou um parente que partiu para o 'andar de cima', isso acontece, sempre, desde sempre. A morte também é parte da vida, e não 'vontade de Deus'.

- por Paulo Santos
publicado por animalsapiens às 09:39

01
Dez 12
Existem pessoas com a sensibilidade à flor da pele ...

Recebi o texto abaixo (http://doidademarluquices.blogspot.com.br/2012/11/um-punhado-de-reflexoes.html) e republico aqui para apreciação.
.............................

UM PUNHADO DE REFLEXÕES

Só deseja um amor saudável, quem já viveu uma paixão dilacerante. Porque a paixão corroía tudo por dentro até tirar o fôlego, mas até a dor parecia bonita: aquele único instante de felicidade com o Outro compensava o
s trezentos outros de infelicidade. Só deseja ter um dia tranquilo, sossegado, quem tem a intensidade à flor da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos. Só deseja constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estas, o silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. Só consegue vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo.
A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência. Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez, quem não é vulgar. Quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico. Só consegue ser irônico, quem é inteligente. Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade.
Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.

Marla de Queiroz


publicado por animalsapiens às 10:08

30
Nov 12

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderiamos ganhar, por simples medo de arriscar". (Autor desconhecido)

publicado por animalsapiens às 09:45

03
Set 12

Sem catastrofismo, mas convenhamos que o que vemos aí pelo mundo é o colapso de uma civilização. Descivilização; estamos saindo de cena, como antes já saíram persas, assírios, caldeus, egípcios, gregos, etruscos, romanos, medievais, e agora é a vez dos 'modernos' e pós-modernos abrirem caminho para seja lá o que vier depois. Se as civilizações passadas deixaram coisas que perduram até hoje, o que nossa civilização tecnicista deixará para os pósteros além de celulares e muitas guerras ?

 

Será que seremos conhecidos como os humanos da Idade do Plástico? Pode ser, já que existem os paleolíticos e os neolíticos, a idade do bronze e do ferro. Mas, em termos de herança espiritual, filosófica e de conhecimentos relevantes ... o que ficará? Ou será que a nossa sociedade é apenas um enclave civilizatório, sem muita consistência ou durabilidade. Se os egípcios tiveram milhares de anos de existência, como os chineses e hindus, a nossa civilização dita moderna, não passará de escassos quatro séculos.

publicado por animalsapiens às 12:04

01
Set 12

Qual é a função dos intelectuais?

A análise da função dos intelectuais deve primeiro definir qual o enfoque dado: se parte-se da situação dada, isto é, da atividade real desenvolvida pelos intelectuais na sociedade concreta ou se a análise tem como fundamento a prescrição, ou seja, como imaginamos, ou queremos, que os intelectuais atuem. Neste sentido, Norberto Bobbio critica intelectuais como Sartre e sua definição de falsos e verdadeiros intelectuais:

“Falsos são os que desempenham uma função que para Sartre é negativa, e é negativa unicamente porque não desempenham a função que segundo ele deveriam desempenhar. Assim, será o verdadeiro intelectual o revolucionário; falso o reacionário; verdadeiro será aquele que se engaja, falso, aquele que não se engaja e permanece fechado em sua torre de marfim.” (BOBBIO, 1997, p. 14)

Engajar-se ou não engajar-se? Quando se engaja, o intelectual não trai o que deveria ser seu papel principal: defensor de princípios como a justiça e a verdade? Mas isto não seria mero universalismo próprio do humanismo burguês (Sartre), a ser ultrapassado por uma postura engajada, já que a época da revolução burguesa passou e a tarefa do intelectual seria justamente construir um humanismo?

Trata-se, em suma, de como a atividade intelectual se relaciona – ou não – com a atividade política. Bobbio defende a posição de que a política e a cultura constituem esferas diferentes da atividade humana, portanto, com autonomia relativa. Há a política ordinária, própria dos políticos e da ação imediatista; e, a política cultural, respeitante à reflexão, aos princípios. As esferas não são necessariamente excludentes, mas são diferentes. Trata-se de definir qual a tarefa que cabe aos intelectuais. Sobre isto, temos diversos posicionamentos, assim resumidos:

“1. o intelectual não tem uma tarefa política, mas uma tarefa eminentemente espiritual (Benda);

2) a tarefa do intelectual é teórica, mas também imediatamente política, pois a ele compete elaborar a síntese das várias ideologias que dão passagem a novas orientações políticas (Mannheim);

3) a tarefa do intelectual é teórica mas também imediatamente política, pois apenas a ele compete a função de educar as massas (Ortega);

4) a tarefa do intelectual também é política, mas a sua política não é a ordinária dos governantes, mas a da cultura, e é uma política extraordinária, adaptada aos tempos de crise (Croce)” (Id., p. 34)

Cada uma destas funções traz em si riscos de degeneração. No primeiro caso, o intelectual é visto como um clérigo e, enquanto tal, tende a afastar-se do mundo, a estranhá-lo. O clérigo tende a desenvolver uma concepção hedonista da cultura e uma visão agnóstica da vida política.

No segundo caso, que vê os intelectuais como indivíduos “acima do combate”, tende-se a desenvolver um certo neutralismo e eticismo abstrato, geradores de ceticismos em relação à política, como se os intelectuais estivessem acima dos pobres mortais, observando “com aristocrático desdém os cães que se pegam a dentadas”. (p. 35)

No terceiro caso, o intelectual é visto como elite dirigente – observe-se que isto ocorre à direita e à esquerda. O elitismo levado às ultimas conseqüências implica um afastamento da política, vista como uma atividade inferior – neste caso, o elitismo de esquerda tem a função contrária: supervalorizar a política. A resultante é um idealismo ingênuo, a crença de que o mundo pode ser transformado pelas idéias. A frustração leva naturalmente ao isolamento, ao recolhimento interior, como uma forma de não sujar as mãos. É um procedimento tipicamente aristocrático.

No último caso, o risco de degeneração é a concentração dos intelectuais em organizações e partidos próprios, isolados dos demais setores da sociedade.

Em todas estas posições observa-se a tendência a elevar os intelectuais acima dos demais grupos sociais, implicando a idéia de uma superioridade intrínseca à sua profissão. Destas posturas, temos dois casos limites:

1º o isolamento do intelectual em seu próprio mundo, em sua torre de marfim;

2º o engajamento (engagement) profundo do intelectual na política.

Ambos os procedimentos tem os seus riscos. Não há respostas simples, nem fáceis.

 

Referência

BOBBIO, Norberto. Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo, Editora UNESP, 1997.

Links conexos

Quem são os intelectuais?

Sobre os intelectuais

Sobre a militância do intelectual

publicado por animalsapiens às 12:28

28
Ago 12

1 - Não se iluda com a aparência ou performance do candidato. Política não é espetáculo !

2 - Seu voto pode criar as possibilidades para um oportunista ou corrupto assumir o poder em seu nome; não venda seu voto e não se venda !

3 - Desconfie de candidatos que prometem coisas sem dizer de onde, como e quando os recursos virão. Dinheiro não aparece do nada !

4 - Lembre-se que a Política faz parte da vida humana e omitir-se é um ato politico !

5 - A política partidária é uma forma de escolher pessoas que podem - ou não ! - representá-lo na hora das decisões sobre para onde vai o dinheiro dos impostos.

6 - Cuidado com os oportunistas e espertalhões. Nunca estão lá por competência ou mérito !

7 - Não se iluda ! Política de bastidores (acordos, conchavos, maracutaias, tretas, manipulações) existe sim !

8 - Não decida emocionalmente. Pense bem em quem vai depositar confiança por quatro anos ! Será que o candidato é bom só por ser parente ou amigo?

9 - Não pense que dizer: Detesto política ! vai mudar alguma coisa para melhor. Lembre-se que você também pode precisar dos serviços de saúde ou de uma vaga em escola pública para seu filho !

10 - Se você não quiser participar das decisões políticas - a começar pelo voto consciente -, saiba que outros o farão, e que o poder de decidir pode cair nas mãos dos piores. Então, não reclame depois dizendo que 'político é tudo igual'; não são !

 

- por Paulo S.

publicado por animalsapiens às 20:16

26
Ago 12

Novo post em blog do ozaí

Palavras para pensar!

by Antonio Ozaí da Silva

Estive a rever as minhas anotações de leituras e decidi selecionar algumas palavras que, a meu ver, permanecem atuais e talvez instiguem a reflexão:

“... o longo hábito de não pensar que uma coisa seja errada lhe dá o aspecto superficial de ser certa, e ergue de início um temível brado em defesa do costume. Mas o tumulto não tarda em arrefecer. O tempo cria mais convertidos do que a razão” (Thomas Paine). [1]

“A persuasão e a violência podem destruir a verdade, não substituí-la” (Hannah Arendt) [2]

“O culto da juventude é pueril: os adultos que o praticam não estão ajudando os jovens a amadurecer e contribuem para que mergulhem na sua infelicidade. “Qui n’a pás l’ esprit de son âge, de son âge a tout le malheur”. “Quem não possui o espírito da sua idade, tem dela toda a desdita” (Raymond Aron). [3]

“O patriotismo é, na vida política, o que a fé é na religião; está para os sentimentos domésticos e a saudade da pátria como a fé para o fanatismo e a superstição” (Lord Acton). [4]

“O prazer do texto não tem preferência por ideologia” (Roland Barthes). [5]

“Como, porém, aprender a discutir e a debater numa escola que não nos habitua a discutir, porque impõe? Ditamos idéias. Não trocamos idéias. Discursamos aulas. Não debatemos ou discutimos temas. Trabalhamos sobre o educando. Não trabalhamos com ele. Impomos-lhe uma ordem a que ele não se ajusta concordante ou discordante, mas se acomoda. Não lhe ensinamos a pensar, porque recebendo as fórmulas que lhe damos, simplesmente as guarda. Não as incorpora, porque a incorporação é o resultado da busca de algo, que exige, de quem o tenta, esforço de realização e procura, exige reinvenção” (Paulo Freire). [6]

“Essa ilusão de verdade, que se chama impressão de realidade, foi provavelmente a base do grande sucesso do cinema. O cinema dá a impressão de que é a própria vida que vemos na tela...” (Jean-Claude Bernadet) [7]

“A primeira tarefa dos intelectuais deveria ser a de impedir que o monopólio da força torne-se também o monopólio da verdade” (Norberto Bobbio). [8]

“Seria preciso, acreditam certos críticos, uma forma impassível, fria e impessoal; para tais gentes, todo o argumento perde o caráter científico sem esse verniz de impassibilidade; em compensação, bastaria afetar imparcialidade, para ter direito a ser proclamado – rigorosamente científico. Pobres almas!... Como seria fácil impingir teorias e conclusões sociológicas, destemperando a linguagem e moldando a forma à hipócrita imparcialidade, exigida pelos críticos de curta vista!... Não; prefiro dizer o que penso, com a paixão que o assunto me inspira; paixão nem sempre é cegueira, nem impede o rigor da lógica” (Manoel Bonfim). [9]

“É preciso reconhecer que muitas de nossas lembranças, ou de nossas idéias, não são originais: foram inspiradas nas conversas com os outros. Com o correr do tempo, elas passam a ter uma história dentro da gente, acompanham a nossa vida e são enriquecidas por experiências e embates” (Ecléa Bosi). [10]

“Olhar tem a vantagem de ser móvel, o que não é o caso, por exemplo, de ponto de vista. O olhar é ora abrangente, ora incisivo. O olhar é ora cognitivo e, no limite, definidor, ora é emotivo ou passional. O olho que perscruta e quer saber objetivamente das coisas pode ser também o olho que ri ou chora, ama ou detesta, admira ou despreza. Quem diz olhar diz, implicitamente, tanto inteligência quanto sentimento” (Alfredo Bosi) [11]

“...em sociedades como a nossa, a universidade prepara quadros de “funcionários da ideologia” dispostos a produzir os discursos condizentes com os interesses dos grupos detentores de poder” (Sergio Miceli) [12]

“Os jornalistas observam freqüentemente com muita satisfação que os universitários precipitam-se para a mídia, solicitando uma análise crítica, mendigando um convite, protestando contra o esquecimento a que são relegados e, ao ouvir seus testemunhos bastante terrificantes, somos levados a duvidar de fato da autonomia subjetiva dos escritores, artistas e dos cientistas” (Pierre Bourdieu) [13]

“A linguagem de autoridade governa sob a condição de contar com a colaboração daqueles a quem governa, ou seja, graças à assistência dos mecanismos sociais capazes de produzir tal cumplicidade, fundada por sua vez no desconhecimento, que constitui o princípio de toda e qualquer autoridade” (Pierre Bourdieu) [14]

“O sacerdócio teórico vive do erro teórico, que lhe cabe identificar, denunciar, exorcizar: a “tentação”, o “desvio” ou a “recaída” estão em todo lugar e até mesmo em seu próprio discurso...” (Pierre Bourdieu) [15]

“O emprego seguro que os professores fazem do idioma universitário não é mais casual que a tolerância dos alunos à obscuridade semântica. As condições que tornam o mal-entendido lingüístico possível e tolerável estão inscritas na própria instituição: não só as palavras mal conhecidas ou desconhecidas aparecem sempre em configurações estereotipadas capazes de alcançar o sentimento do já entendido, como a linguagem do magistério possui a consciência completa da situação onde se realiza a relação de comunicação pedagógica, com seu espaço social, seu ritual, seus ritmos temporais, em suma todo o sistema de coerções visíveis ou invisíveis que constituem a ação pedagógica como ação de imposição ou de inculcação de uma cultura legítima” (Pierre Bourdieu & Jean Claude Passeron) [16]

Por ora, paremos por aqui! E você, caro(a) leitor(a), quais palavras acrescenta a estas reflexões?! Qual é a sua reflexão sobre as citações aqui selecionadas?


[1] PAINE, Thomas. Senso Comum e outros escritos políticos. São Paulo: IBRASA, 1964, p. 4. (Clássicos da Democracia)

[2] ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo, Editora Perspectiva, 2001, p. 320.

[3] ARON, Raymond. Estudos Políticos. Brasília: UnB, 1985, p. 295-296.

[4] ACTON, Lord. Nacionalidade. In: BALAKRISHNAN, Gopal. (Org.) Um mapa da questão nacional. Rio de Janeiro: Contraponto, 2000, p. 38.

[5] BARTHES, Roland. O prazer do texto. São Paulo: Editora Perspectiva, 2004, p. 40.

[6] Citado in BEISIEGEL, Celso de Rui. Política e educação popular: a teoria e a prática de Paulo Freire no Brasil. São Paulo, Ática, 1982, p. 100.

[7] BERNADET, Jean-Claude. O que é Cinema. São Paulo: Brasiliense, 2006, p. 12.

[8] BOBBIO, Norberto. Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo, Editora UNESP, 1997, p. 81.

[9] BONFIM, Manuel. A América Latina. In: SANTIAGO, Silviano. (Org. ) Intérpretes do Brasil. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2000, p. 631.

[10] BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, p. 407.

[11] BOSI, Alfredo. Machado de Assis. O enigma do olhar. São Paulo: Ática, 2000, p.10.

[12] In BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo, Editora Perspectiva, 1974, p. LV.

[13] BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1997, p. 87.

[14] BOURDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Lingüísticas: O que falar quer dizer. São Paulo, Edusp, 1998, p. 91.

[15] Idem, p. 164.

[16] BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean Claude. A Reprodução – Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982, p. 121.

 

Comentário    Ver todos os comentários
publicado por animalsapiens às 12:42

24
Ago 12

E como ensina a sabedoria popular: "A vida perdoa os simples, mas não os ingênuos."

publicado por animalsapiens às 12:26

17
Ago 12

17 Agosto 2012

A pobreza mora na cabeça? (11)

Décimo primeiro número da série. Perguntei-vos no número anterior se existiam relações sociais em si, relações entre pessoas em si, relações entre seres humanos em si. A resposta óbvia, instintiva, pessoal, é sim, existem. É a pessoa A que contacta a pessoa B e não a pessoa C. Cada pessoa cada mundo, cada coisa cada situação, tudo é suposto ser único e impermeável. Observemos, por exemplo, uma rua da cidade de Maputo. O que vemos? Permitam-me prosseguir mais tarde (imagem reproduzida daqui).
(continua)
Sugestão: recorde a minha série em sete números intitulada Onde moram os pobres?, aqui.


Read more: http://www.oficinadesociologia.blogspot.com.br/

publicado por animalsapiens às 12:36

12
Ago 12

Vivemos tempos estranhos. Ouvir alguém dizer que não tem tempo nem para as coisas essenciais da vida torna-se cada vez mais rotineiro. Tanto faz se é mera desculpa para não assumir compromissos, não se envolver com preocupações ou problemas alheios, ou se realmente a administração do tempo se tornou um problema tão generalizado que não há mais espaço para coisas importantes para o equilíbrio emocional e espiritual do bicho homem. Diálogo, convivência, troca de ideias e opiniões, troca de impressões sobre a vida e o mundo, o estar perto, estar junto, falando ou simplesmente ouvindo. Essa maneira de levar a vida, pelo isolamento, é parte das causas do adoecimento coletivo que observamos na atualidade.

 

A piada do menino que pergunta à mãe se veio ao mundo através de um 'download' é emblemática ! Não estamos somente perdendo a capacidade de administrar o tempo, como também de selecionar prioridades e relevâncias, num mundo que nos envolve com engenhocas atraentes e nem sempre tão úteis ou importantes quanto dizem. É fato que a internet ajuda - e muito ! -, nesses tempos de distâncias e correrias por uma razão ou por outra. Contudo, é preciso ter em mente que a tecnologia ajuda a sermos mais eficientes, ... mas não melhores !

 

Tenho para mim que dois fatores pesam nesse comportamento que se alastra cada vez mais: o medo e sua parceira, a desconfiança. Esse casal transita de braços dados por todo o planeta, entrando e saindo livremente onde quiser. Domina e predomina em quase todos os relacionamentos de um modo ou de outro. Temos medo do outro pelo simples fato de ser o 'outro', o não-eu, o diferente de mim. Assim, a sensação de violência, a xenofobia, os preconceitos e o isolamento aumentam, e a paranoia também; as distâncias idem. A sociedade se dissolve e a convivência se evapora. Jovens se reúnem em volta da mesa de um barzinho e cada um fala com alguém pelo celular, mas não com quem está ao seu lado ou diante de si.

 

Valorizar o mundo dos afetos e recuperar o espaço da convivência não é tarefa fácil por vários motivos, mas a esperança e o esforço nesse sentido se impõem, pois o preço da solidão pode ser alto demais. Estar sozinho de vez em quando, em silêncio, ouvindo os próprios pensamentos e sentimentos não é somente importante, como é também necessário. Esse contato consigo mesmo é o que permite nos situamos melhor na vida e no mundo. A alienação ou a ignorância voluntárias não nos resguardam dos perigos da vida; pelo contrário ! É no convívio e no diálogo que encontramos reconforto e segurança.

 

 

 

publicado por animalsapiens às 12:36

Janeiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO