Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

10
Abr 12

Fonte: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/mediunidade-e-dist-rbios-mentais-na-vis-o-de-um-m-dico-esp-rita

MEDIUNIDADE E DISTÚRBIOS MENTAIS NA VISÃO DE UM MÉDICO ESPÍRITA

MEDIUNIDADE E DISTÚRBIOS MENTAIS NA VISÃO DE UM MÉDICO ESPÍRITA

 

INTRODUÇÃO

            Ronald Laing, psiquiatra inglês, afirma que “os místicos e os esquizofrênicos encontram-se no mesmo oceano; enquanto os místicos nadam, os esquizofrênicos se afogam”.

            A relação entre mediunidade e doença mental vem de muito tempo. Veremos adiante sua relação com o demonismo da era medieval. Allan Kardec dedica o capítulo XVII de O Livro dos Médiuns para tratar dos “Inconvenientes e Perigos da Mediunidade” e questiona se a mediunidade poderia desenvolver a loucura. Os Espíritos respondem que não, desde que não haja predisposição para isso. A resposta ensejará pequena consideração quando tratarmos da visão da loucura, à época de Kardec.

 

CONCEITO HISTÓRICO DA LOUCURA

            Reconheço que cabe ao Prof. Isaías Pessoti todo o material que serve de base a essa parte, graças ao seu “ A Loucura e as Épocas”.

            Esquematicamente, veremos  o conceito de loucura conforme as épocas mais importantes da humanidade ocidental, nos fixando nos períodos que definiram novos conceitos.

 

CONCEITO DE LOUCURA NA ANTIGUIDADE

            A Antiguidade grega tem em Homero, autor de as Ilíadas, a primeira conceituação de loucura. A época de Homero e de Hesíodo tem a loucura como consequente à ação dos deuses, que a usavam como recurso para que os seus desejos não fossem contrastados pelos desejos dos homens.

            O homem não é soberano sobre si mesmo, têm os deuses poderes  para interferirem como queiram na vida dos mortais. A loucura é de origem externa ao homem, é o roubo da razão pelos deuses, que determinam a vida do homem.

            Eurípedes aponta a origem da loucura como decorrente de conflitos internos, o homem não seria conduzido fatalmente à loucura, senão por uma parcela de responsabilidade. Porém, cabe aos deuses roubar a razão.

            Hipócrates vê o homem como um ser em equilíbrio orgânico. Qualquer desarranjo nesse desequilíbrio, provoca a doença e a loucura. A causa da loucura é a ruptura do equilíbrio orgânico, uma visão  aparentemente organicista, não fosse a anátomo-fisiologia de Hipócrates calcada em bases metafísicas.

            Quem profundamente marcou o conceito médico de loucura foi Galeno. Ele restaurou a vida psíquica do homem, trazendo o conceito de pneuma  psychicon, a sede da vida mental.

            A Antiguidade Clássica apresentou, enfim, três perspectivas de loucura. Numa ela aparece como obra da intervenção dos deuses, noutra afigura-se como um produto dos conflitos passionais do homem, mesmo que permitidos ou impostos pelos deuses; numa terceira, a loucura afigura-se como efeito de disfunções somáticas, causadas eventualmente, e sempre de forma mediata, por eventos afetivos.

A DOUTRINA DEMONISTA

            A ideia medieval da intervenção diabólica como causa da loucura, e de outros distúrbios do homem, não deve ser entendida como algo que surgiu naquele momento, de modo circunstancial.

            Toda a fundamentação teórica do que chamaremos de período escuro do saber humano, onde a imposição teológica serviu como instrumento coercitivo de poder, vem dos primórdios do cristianismo e surgiu como consequência da doutrina desenvolvida a partir dos Padres Apostólicos até Agostinho de Hipona.

            A doutrina que se caracterizou como sendo a doutrina de Cristo, tem em sua concepção teológica, a figura do satanás, no sentido nítido de opositor, como sendo a figura do outro. Os pagãos e tudo que a eles se relaciona passam a ser demônios.

Agostinho afirma que o mal não existência própria; Deus permite a existência do demônio para tornar possível o aperfeiçoamento do homem pela busca de Deus.

            Tomás de Aquino faz da Escolástica referência da doutrina demonista, que vê o demônio como conhecedor das coisas e dos homens, habita o éter e age com a permissão de Deus.

            O mundo se povoou de demônios e, talvez, possamos resumir o que representou essa época de obscurantismo para a psicopatologia compreendendo que, para a doutrina demonista, não se afirma “ possesso, portanto louco; mas, louco, portanto possesso.”

            Como alguns sinais que evidenciam possessão diabólica, cita Chondrochi:

 “… falar línguas desconhecidas ou entendê-las quando faladas por outros; descobrir e revelar fatos ocultos, esquecidos, futuros, secretos, pecados e pensamentos dos presentes; discutir assuntos elevados e sublimes quando se é ignorante; falar com elegância e doutamente quando se é ignorante; sentir-se impulsionado por uma persuasão interior a lançar-se num precipício ou ao suicídio; tornar-se inesperadamente tolo, cego, coxo, surdo, mudo, lunático, paralítico.”

 

ENFOQUE MÉDICO DA LOUCURA

            No século XVII a psicopatologia tem forte inspiração da doutrina platônica e do galenismo. Mesmo assim, o conceito de possessão ainda é admitido como causa da loucura. Mas a loucura passa a ser encarada como fenômeno natural e da alçada médica.

            No século seguinte, Cullen afasta-se do galenismo e classifica a loucura como desarranjo das faculdades intelectuais. Não afasta a possibilidade, ainda que remota, da intervenção demoníaca. Arnold reforça que o substrato da loucura é alteração das faculdades mentais, não necessariamente das funções cerebrais.

 

A LOUCURA SEGUNDO A PSIQUIATRIA DO SÉCULO XIX

            O início do século passado foi a era de Pinel. Esse alienista que, quando indicado para o Hospital de La Bicêtre, liberta os loucos das amarras por entender que a loucura é fruto da imoralidade, entendida como os excessos e paixões de toda a ordem...

            Pinel admite a loucura como lesão das faculdades mentais, de ordem orgânica ou moral. Por isso, propõe um tratamento moral da loucura, indicando a função de um diretor espiritual e ação notadamente repressora sobre os pacientes, que chamaria de reeducação moral.

            Esquirol, discípulo de Pinel, esforça-se em buscar uma correlação orgânica com as diferentes formas da loucura, mas admite que existe loucura sem que se detecte qualquer lesão cerebral. Mas toda causa moral tem sua ação obrigatoriamente sobre o encéfalo.

            Perchappe, que teve o mérito de um estudo epidemiológico da loucura, afasta do estudo da loucura qualquer especulação filosófica.

            Cotard antecipa o enfoque  psicodinâmico, mas trata de afastar a metafísica, principalmente a especulação sobre os corpos do homem. Desenvolve uma teoria psicopatológica de repressão do desejo, agindo sobre a mente, mas recusando-se a estudar a alma e o espírito.

 

CONCEITO ESPÍRITA DA LOUCURA

            Podemos passar ao estudo do conceito espírita da loucura, que teremos em Bezerra de Menezes, “A Loucura Sob Um Novo Prisma” e Manoel Philomeno, desenvolvendo as ideias de Bezerra, em “ Loucura e Obsessão”.

            À época da Codificação, o conceito de loucura elaborada por Esquirol encontrava   enorme repercussão. A busca de um substrato cerebral como causa da loucura, em uma época marcada pelas mesas girantes, faz justificar a mediunidade como fruto da alucinação.

            A negação do princípio espiritual, ou a afirmação de uma alma apenas metafísica, faz ver como produto de uma mente excitada os fenômenos visuais da mediunidade. A teoria alucinatória tenta enquadrar a mediunidade na psicopatologia, nos quadros de exaltação delirante.

            Mas o que é a alucinação? Um erro da percepção, dirão os alienistas. Mas por que ocorre esse erro ? Se for um erro, por que o caráter inteligente da alucinação, que se comunica com o que alucina de forma coerente e racional, dando sobejas provas da existência de um ser comunicante? Qual a fisiopatologia da alucinação?

            Allan Kardec responde essas questões em O Livro dos Médiuns, propondo uma teoria da alucinação, que ocorre como decorrência da leitura das impressões cerebrais pela alma emancipada. Onde estariam essas impressões? Na verdade, não no cérebro físico, mas registradas nas camadas mais grosseiras  (ou mais densas) do perispírito _ especulo ousadamente. O que se ressalta da fisiopatologia da alucinação proposta por Kardec é a inclusão da alma, ou do Espírito reencarnado, atuante, não abstrato.

            Desnecessário nos é falar sobre as provas da realidade espiritual. Reforçamos apenas que, o desenvolver de uma teoria espírita da loucura, tem por base o homem/Espírito, tão bem apresentado por Kardec e pelos sábios Instrutores espirituais.

            A decorrência natural de assumir-se a primazia do Espírito sobre o corpo é discutir-se o papel do cérebro nas manifestações da alma.

            Como pudemos observar na evolução do conceito de loucura, partiu-se de causas exteriores à vontade do homem até a visão hipocrática de alteração dos humores orgânicos. O cérebro se constituiu como órgão do pensamento, até que a doutrina demonista trouxe o terror representado por intervenções além do cérebro, provocando a loucura. Criou-se, depois o termo faculdades mentais como consequência de ter-se loucura mesmo com o cérebro íntegro. No final do século passado a visão de que alteração da fisiologia cerebral traz doença mental, reinforçou a centralização da mente sobre as funções cerebrais.

            Hoje, a ciência vê o cérebro como complexa glândula endócrina, indo mais além, possuidor de bilhões de circuitos por onde transitam os pensamentos e as ideias. Onde está a consciência, onde está a mente? Nenhum gênio das ciências da mente saberá responder. Um tema palpitante de especulação científica é o da interação mente-corpo, que é de orientação notadamente organicista, por isso, muito mais próxima do materialismo vigente.

            Como consequência dessa visão, que não admite qualquer especulação filosófica nos moldes clássicos, decorrente da postura cientificista de Perchappe, justifica-se, por exemplo, a esquizofrenia como alteração da neurotransmissão cerebral, afetando sistemas neurotransmissores da dopamina, serotonina e noradrenalina, de áreas específicas do cérebro. A mesma série de neurotransmissores, em locais diferentes do cérebro, é evocada para justificar a depressão, a dependência química, entre tantas doenças de manifestação, evolução e tratamento diferentes.

            A teoria psicodinâmica, que envolve os fundamentos da psicologia médica, entre elas a psicanálise, a vertente cognitiva-comportamental, entre outras, estabeleceu-se como ramo não especulativo, modernamente, acomodando-se como subsídio terapêutico e afastando de si as vertentes que não se adequam à submissão ao organicismo.

            O livro “ A Loucura Sob Novo Prisma”, de Bezerra de Menezes, após apresentar a cosmogonia espírita, começa por definir o papel do cérebro nas manifestações da mente. Seria o órgão do pensamento, gerador dos sentimentos, dos afetos, dos ideais, do amor? A capacidade de amor ou ódio se mede por disposições cerebrais diferentes? Tal especulação repugna à ideia. Reduz o papel dos avatares da humanidade ao de simples produtos de um cérebro anormal (anormal enquanto fora dos padrões usuais). Por outro lado, faz do depravado, do homicida cruel, do serial killer, uma vítima de seu órgão diferenciado, porque pouco desviado do normal. Uma visão como essa justifica uma sociedade que produziu ideias de seleção de raças, a eugenia.

            Mas há fragilidade em considerar-se o cérebro a sede da mente, ou consciência. Em 1966, uma notícia teve repercussão em todos os Estados Unidos. Ernest Coe tivera todo o seu hemisfério cerebral esquerdo destruído por um tumor, que foi extirpado cirurgicamente. Para surpresa da equipe médica, o paciente permaneceu vivo por mais de seis meses, mantendo todas as suas funções normais. Destaco que o hemisfério esquerdo é o dito dominante. Mais ainda, se o cérebro é a sede da consciência, como justificar tal fato? Por reação vicariante, ou seja, a hipertrofia de funções pelo lado remanescente?

            Mais ainda, em se considerando o cérebro como sede da mente, produtor dos pensamentos, ideias, emoções, sentimentos. Mesmo entre gêmeos univitelinos, existe discordância de 50-40% na incidência de esquizofrenia quando um dos pares é afetado. Fosse o cérebro a sede da mente, por serem os gêmeos univitelinos donos de aparelhos idênticos, por que a discordância e não o fatalismo?

Estejamos prontos para a visão espírita do cérebro como instrumento da mente. Emmanuel define a mente como “ o espelho da alma”, em seu livro “Pensamento e Vida”. Na verdade, a mente não é a alma, mas é fruto dela. Não está no cérebro, mas no perispírito, que reflete as disposições do Espírito eterno.

            O corpo intermediário entre o Espírito e o corpo imprime na matéria densa as disposições colhidas nas experiências passadas e atuais, atuando como vigoroso modelador biológico. Assim, cada célula, em sua ligação molecular com o perispírito, recebe as impressões de variada ordem, reflexo da jornada individual. Ao ser encaminhado à reencarnação, o Espírito expressa seu propósito de renovação, confrontando com o arrastamento das tendências. Essa psicologia profunda se irradia por todo o perispírito que a transpõe ao corpo físico, gerando as disposições orgânicas às doenças, que no fundo são sempre de gênese espiritual.

            O Espírito se exprime, o que o perispírito manifesta como pensamento. Quando encarnado, encontra no cérebro físico apenas um instrumento. Se esse instrumento encontra-se lesado, não exprimirá o pensamento vindo do perispírito. Mas se o cérebro encontra-se alterado apenas funcionalmente, sem lesão alguma, é porque o gerador do pensamento o faz de modo defeituoso. Qual a causa da alteração do pensamento, em nível anterior ao cérebro, ou seja, no campo do corpo espiritual?

            O próprio corpo espiritual pode achar-se alterado transitoriamente, devido a    sentimentos diversos, cuja gênese está no remorso,  gerado por sentimento de culpa. Pode, também, estar sob a influência nociva de outra mente espiritual, interferindo diretamente sobre suas funções, no caso, obsessão espiritual.

            Nos casos onde há o que chamei de alteração transitória do perispírito, transitória no sentido de que não é eterno, ocorre o que conhecemos por processos auto-obsessivos. Nesses fenômenos, não há a interferência direta de entidades estranhas na gêneses da psicopatologia de nível espiritual.

            O livro “Os Mensageiros”, de André Luiz, traz o caso de Paulo, internado em Posto de Assistência, ligada a Nosso Lar. Esse Espírito, recolhido em estado de profunda alienação, apresentava psicosfera repleta das imagens por ele geradas, quando foi acometido pelo remorso por suas ações nefandas. André Luiz ausculta todos os conflitos que o paciente vivencia, as imagens das pessoas por ele lesadas, as consequências de seus atos. Paulo, esse o nome do Espírito adoentado, experimentava fenômeno auto-obsessivo, já no plano espiritual.

            Em “Loucura e Obsessão”, Manoel Philomeno traz-nos o caso de Ânderson, que estava sendo tratado no terreiro de Umbanda, dirigido espiritualmente por Emerenciana. Ânderson se enquadrava no diagnóstico médico de autismo, tal seu estado de introspecção e fuga da realidade. Dr. Bezerra diagnostica processo auto-obsessivo, cuja gênese está em carpir intensa atividade mental em faixas do crime e da viciação, cometendo delitos que podem ser ocultados de todos, exceto da consciência que os registra e exige reparação. Transmite ao cérebro essa realidade, gerando circuitos cerebrais que aniquilam a polivalência das ideias. Tais são os processos depressivos graves, sem resposta terapêutica, por que o cérebro apenas transmite os fenômenos do Espírito adoentado.

            No caso em questão, Ânderson buscava sofregamente o refúgio de seu castelo celular para não enfrentar a própria consciência que  acusava, agravado pela presença de cobradores espirituais.

            Quando o processo se dá pela interferência obsessiva, geralmente o Espírito interferente logra atingir seus resultados pela sintonia que faz com sua vítima.

            Numa rememoração rápida, Allan Kardec classificou a obsessão, conforme sua intensidade, em simples, fascinação e subjugação. André Luiz afirma que os processo de fascinação e subjugação podem ser agravados por fenômeno de vampirização.

            O mecanismo que leva à fascinação e à subjugação é apresentado pelo Dr. Bezerra de Menezes, que o subdivide em duas fases distintas, desfalecimento e arrastamento.

            Na fase de desfalecimento, o que ocorre é reação advinda da concessão a um mal que subjugava intimamente. Nesse caso, um homem bom, tinha nos seios da alma uma paixão que subjugava e, um dia, por circunstância imprevista, foi por ela arrebatado. Despertado após o mal já cometido, tenta encobrir a falta ao invés de vomitar o veneno, instalando em si o gérmen do desequilíbrio.

            Com o abrir as portas da invigilância os maus Espíritos, é incitado a saciar a sede da paixão represada, porém não o obtém senão às custas de um mergulho profundo. Se começa tremendo, vai envolvendo-se mais e mais, até o total rompimento com os valores que cultivava. Isso é o arrastamento.

            Na fase de arrastamento, está de todo vulnerável, as defesas acaso erguidas baixam-se e pode, finalmente, ser atingido por inimigos de outrora, que se tornam empedernidos cobradores, buscando tirar muito mais do que deram, em vingança cruel. Outras vezes, se torna joguete de Espíritos cruéis, que o  utiliza como um mero servo de seus desejos, escravizando-o em vampirizações cruéis.

            Quem não se lembra do jovem candidato à mediunidade, apresentado por André Luiz em “Os Missionários da Luz”, que traz em seu centro de força genésico duas entidades vampirizadoras, acopladas parasiticamente pela sintonia dos lupanares?

            Certa ocasião, foi encaminhado ao nosso Grupo de Desobsessão, jovem, masculino, alcóolico, que apresentava distúrbios da conduta sexual, manifestada por travestismo e prostituição. Buscando auxiliá-lo, em técnica de desdobramento, o médium Z detectou entidade espiritual de aspecto degenerado, de formas esquálidas, como se fosse um corpo mumificado, segurando em sua mão algo semelhante a uma garrafa, fixado ao paciente através do centro genésico. Após intervenção dos dirigentes espirituais na remoção do ser oportunista, houve acentuada melhora do paciente, que até hoje não cumpriu a promessa de retornar ao grupo.

            Devemos, também, abordar os casos de loucura decorrentes de alterações funcionais do cérebro que se dão em função de processos expiatórios, decorrentes das faltas cometidas pelo que hoje padece.Nesses casos, como o Espírito culpado gera vítimas, pode-se associar quadros obsessivos que atuam como complicadores da doença.

            Quando o Dr. Bezerra de Menezes foi solicitado a acompanhar o caso de Carlos, conforme está no livro “ Loucura e Obsessão”, o paciente, de vinte anos, há oito padecia de esquizofrenia do tipo catatônica. O bondoso médico deu o diagnóstico como correto, mas questionou o prognóstico. Além da realidade cerebral, a realidade espiritual de Carlos mostrava agravante quadro obsessivo, complicador de seu resgate expiatório.

            O paciente sofria todos os processos orgânicos da doença grave, mas a influência obsessiva perturbava-lhe as funções do sangue, gerando anemia e carências várias.

            Tanto nos casos de obsessão de longo curso, como de loucura agravada por subjugação, o cérebro pode sofrer consequências danosas, o que torna a cura complexa e de difícil curso.

            O sofrimento imposto pela doença, gerada pelo Espírito, que imprime em seu perispírito os transtornos consequentes às faltas perpetradas, refletidas nas alterações sobre os centros de força nos casos expiatórios, ou em transtornos auto-obsessivos, bem como nos processo de subjugação pelo arrastamento, pode levar o cérebro a processo demências.

            Isso porque, nos casos  expiatórios, os centros de força estão desorganizados, reflexo das faltas passadas e da culpa assumida pelo Espírito. Nos casos de subjugação, a emanação fluídica do Espírito obsessor atua diretamente sobre o perispírito da vítima, também fazendo com que o fluxo energético entre os centros de força não se dê de modo adequado. Nos processos auto-obsessivos, há excessiva contração dos chakras afetados.

 

TRATAMENTO ESPÍRITA DA LOUCURA

            Uma vez que tentei tratar de tema tão complexo, vasto, difícil, que é a visão espírita das causas da loucura, o que poderíamos esperar de um tratamento genuinamente espírita?

            Nos casos onde há a intervenção médica, as substâncias recomendadas devem ser   ministradas. No caso de Carlos, Dr. Bezerra não desaconselha o tratamento médico. Isso porque  os antipsicóticos trazem alívio ao cérebro excitado, diminuem os ricos decorrentes das atitudes bizarras e condutas inapropriadas. Depois, aprimoram, no que é possível, o instrumento já avariado em seus circuitos, ainda que não conseguindo atingir o agente causando distúrbio, que é o Espírito.

            Ao tratar da terapia espírita da loucura, o sábio Bezerra de Menezes propõe:

- fluidoterapia intensiva: Carlos era submetido, pelos Espíritos, a fluidoterapia quatro vezes ao dia;

- terapia ocupacional, voltada para o próximo, em atividades de benemerência, que visam despertar o ser eterno e fazê-lo granjear méritos que aliviarão suas dívidas a serem resgatadas;

- desobsessão, que visa moralizar o Espírito obsessor, não pela repressão, mas pelo convite ao perdão como instrumento da própria liberação;

- moralização do paciente, que tem por objetivo despertá-lo para os erros cometidos e para a necessidade de renovar-se pela prática do bem.

            Nesse ponto, poderíamos questionar como moralizar um louco? É o que questiona o próprio Bezerra de Menezes, para depois responder que o faz através da evocação do Espírito encarnado, fato esse que não se faz sem risco de mistificação, exigindo a mais alta seriedade de propósitos e profundo senso crítico e conhecimento profundo dos mecanismos da obsessão.

            A proposta terapêutica espírita é absolutamente uma terapia moral. Desconsideremos aqui o conceito de moral como costumes aceitos, mas ressaltemos moral como conduta de elevação espiritual. Por isso, diferentemente de Pinel, a terapia a ser empregada não é repressora, pelo contrário, visa libertar o doente das amarras através do esclarecimento, do convite à prática de atividades de benemerência, do envolvimento daqueles que, antes de serem tratados por Espíritos obsessores, são seres como nós, que merecem nossa atenção e nosso carinho.

            Certa ocasião, em desdobramento fisiológico, fui conduzido ao Sanatório Espírita de Anápolis, para uma praça que não tem equivalência física. Encontrei Justino, um paciente psicótico crônico, cuja família não o suporta, mas que sempre mantive animado relacionamento. Ele estava sério, não tinha a fácies de alienação, mas seu olhar era de uma lucidez que jamais vi em Justino. Se aproximou mais e mostrou-me uma cena em que ele protagonizava um desequilibrado, como o era na realidade cotidiana dessa existência. Disse-me que era louco por imposição da corrigenda, que sofria muito, como Espírito, vivenciar tudo aquilo, as experiências como um celerado.

            Desde aquele dia, percebi que Justino não era doente, era um ser como qualquer um de nós, ele tinha alma. Suas dificuldades, oriundas de pesada expiação, por certo não encontrariam alívio imediato nessa existência, e lembrei-me do amigo Bezerra de Menezes, que dava apenas o que tinha de si, o amor.

            Quando diante de irmãos em expiações pelos corredores da alienação, lembremos da Dra. Kübler-Ross que, nomeada psiquiatra numa instituição que abrigava psicóticos crônicos, ofereceu a eles amor, e, aos poucos, eles foram recobrando a lucidez que lhes era ainda possível, mas o suficiente para retornarem aos seus lares.

 

 

POR:  JORGE CECÍLIO DAHER JÚNIOR (GO)  -  HTTP://WWW.IPEPE.COM.BR/MENTAIS.HTML

publicado por animalsapiens às 12:35

06
Abr 12

São muitas as obras de qualidade que vão perdendo leitores e leitoras por força dos apelos midiáticos ao que fácil, superficial e que não exige esforço de reflexão. Não apenas livros, mas também filmes caem na vala comum do que é considerado 'velho', no sentido de superado, inútil, quando na verdade são apenas 'antigos' quanto ao calendário (sem efeitos especiais ou sonoros) mas permanentemente atuais nos temas.

 

Lamentável que bons filmes e bons livros, com seus respectivos autores ou diretores, vão para o 'arquivo morto' do esquecimento, diante da avalanche midiática de superficialidades e apelos ao consumo, diante dessa inflação de imagens e sons que torna tudo opaco, quase invisível, imperceptível.

 

Por isso, garimpar algo antigo e belo, e trazê-lo do passado para o presente, pode ser mais que uma tarefa de recuperação histórica, mas também um prazer !

publicado por animalsapiens às 14:29

27
Mar 12


 

por, Paulo R. Santos

 



“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
Martin Luther King


Nunca antes a vida teve tão pouco valor. Não me refiro apenas à vida humana, mas de todos os seres sobre a terra, plantas e animais inclusive. E nunca antes a frase do reverendo M. Luther King teve tanta atualidade, considerando que, mesmo com as exceções, como o movimento dos 'Indignados', Wikileaks/Assange, Anonymous e outros, a quantidade dos que estão quietos em sua zona de conforto é muito grande.
Em recente entrevista pela TV, o psicanalista Flávio Gikovate disse que metade da população humana está com o equipamento emocional incompleto. Falta senso moral. Pessoas que cometem todos os tipos de erros e barbaridades, do homicídio à aparentemente simples omissão, sem sentimento de culpa. Essa ausência do sentimento de culpa, de compromisso com o todo, é a questão. É o 'deixa como está para ver como é que fica', e enquanto isso coisas ruins acontecem.
Não se trata de assumir individualmente as dores do mundo e sair por aí, quixotescamente, como um salvador da pátria, mas apenas de ter consciência de que algo está muito errado com nossa sociedade e que precisamos mudar isso. Somos a causa e somos também a solução.
A verdade é que estamos nos acostumando com a tragédia do cotidiano. O filósofo Ortega y Gasset afirmou que a vida é drama. Sem dúvida ! Mas mesmo um drama pode ser vivido com dignidade. O sociólogo Max Weber atribuiu boa parte dos desarranjos e sofrimentos da sociedade à dessacralização (ele chamou de desencantamento) do mundo. Visto por esse ângulo, o mundo e tudo o que ele contém se torna “coisa” e nada mais. Karl Marx também já havia tratado do assunto décadas antes.
Apesar dos avisos e alertas dos pensadores de várias tendências e épocas, chegamos ao ponto em que nos encontramos atualmente: diante do crescimento da violência sob várias formas, da incerteza quanto ao futuro, da falta de valores que sustentem nosso dia a dia, da ausência de sentido e de propósito da existência.
A tragédia humana se amplia na forma de violência contra si, contra o 'outro' e contra a sociedade. A entrada em cena desse novo ator social chamado “multidão” gera alguma esperança, já que cada vez mais pessoas se convencem de que nem políticos, nem religiosos vão resolver problemas coletivos ou individuais. A ausência de lideranças nesses novos movimentos horizontaliza as ações e inibe a cooptação por parte de partidos e religiões.
Ainda assim, é preciso aumentar o número de ativistas, dos atuantes de alguma forma, retirando mais gente de sua zona de conforto e de falsa segurança, da covardia moral e da falta de compromisso com os interesses coletivos.
publicado por animalsapiens às 12:29

24
Mar 12

"Há muita coisa que me completa: plantas, animais, nuvens, o dia e a noite, e o eterno no homem. Quanto mais incerto me sinto sobre mim mesmo, mais cresce em mim um sentimento de parentesco com todas as coisas. Carl Gustav Jung" (citado em Memorial do Desterro, Lázaro Barreto-1995)

publicado por animalsapiens às 10:50

17
Mar 12

Há muitas maneiras de se fazer controle social, além do uso de leis e de órgãos de repressão, como a Polícia e as Forças Armadas; isso em qualquer país. Em geral, esses são modos dispendiosos e ostensivos demais em tempos de crescimento da crítica social, do letramento, da resistência de grupos melhor organizados, e mesmo de resistências difusas, difíceis de localizar e de combater ou controlar.

 

Diante disso, a mídia é usada para veicular mentiras, promovendo a 'ação dispersiva' que, na prática, significa confundir as pessoas com informações intencionalmente incompletas ou distorcidas. O narcotráfico e as indústrias farmacêutica e de bebidas alcoólicas agem de forma complementar, mantendo as pessoas um tanto fora de si, em maior ou menor grau. A Bíblia, livro sagrado para vários povos, chega para completar o controle com anacronismos ou mudança de foco dos reais problemas a serem enfrentados, além de ser boa fonte de renda para determinados segmentos religiosos.

publicado por animalsapiens às 10:39

01
Mar 12

Oriente Médio e as Revoluções por Minuto

 

por Paulo R. Santos

 

“Nos chegam gritos da Ilha do Norte
Ensaios pra Dança da Morte
Tem disco pirata,
Tem vídeo cassete até
Agora a China bebe Coca-Cola
Aqui na esquina cheiram cola
Biodegradante
Aromatizante tem”.

 

A música da banda RPM mantém seu sabor atual, apesar de já não usarmos videocassete. Do lançamento da música Revoluções por minuto (1985) até hoje muita coisa mudou e continua mudando, em ritmo cada vez mais acelerado. As microrrevoluções e os grandes movimentos sociais no Ocidente ou no Oriente encontram ainda maior resistência por parte dos que estão no poder.

 

A globalização trouxe em si desejos novos e conhecimentos diferentes dos que sustentaram o mundo até a queda do império soviético. Um novo ator entrou em cena para desgosto dos mandantes: as multidões. A violência cresceu, a repressão aumentou, a criminalização dos movimentos sociais se espalha pelo mundo, mas tudo indica que é o fim das mentiras, dos segredos e dos silêncios.

 

Dois eventos marcaram o ano de 2011: a chamada Revolução do Jasmim, na Tunísia, em 14 de janeiro, e a consequente Primavera Árabe. O mundo árabe-islâmico despertou da letargia imposta por ditadores mantidos pelo Ocidente após quase setenta anos, e de lá para cá as mobilizações sociais nas praças, ruas, infovias e em toda parte aumentaram em volume e intensidade, sinalizando profundas mudanças no comportamento social que já não crê que o mundo vai melhorar nas mãos de políticos ou de religiosos. A multidão quer mudanças e não reformas !

 

Julian Assange e o Wikileaks levou Governos e corporações a persegui-lo, impor sanções, censura e controle na internet. De um momento para o outro todo mundo sabia de tudo. Das maquinações e interesses entre governantes, banqueiros, empresários, militares … Por outro lado, a autoimolação do vendedor ambulante tunisiano de 26 anos, Mohamed Bouazizi, em 17 de dezembro de 2010, funcionou como um pavio que queimou rapidamente, levando as multidões, até então ignoradas, a se perguntar porque tanto desemprego, dificuldades, fome, opressão ...

 

A mídia ligada a interesses escusos divulgou tudo como quis no início, mas as informações reais chegaram ao Ocidente pelos vídeos, mensagens eletrônicas, imagens. A internet derrubou rapidamente as tentativas de minimizar os levantes no Oriente Médio e promoveu a adesão e difusão dos mesmos elementos por países diversos.

 

A Revolução do Jasmim espalhou-se pelo mundo árabe-islâmico, saltou o Mar Mediterrâneo, depois o Oceano Atlântico e chegou até a América do Sul. Hoje, o desejo de renovação é igualmente globalizado. Em 2012 o mundo já não é o mesmo e o processo de renovação social, política, econômica, estética etc., prossegue sem sinais de parar, apesar das oposições. A repressão aos movimentos sociais aumentaram proporcionalmente. Os donos do poder não estão dispostos sequer a ceder os anéis para manterem os dedos, por isso mortes e violências.

 

Importante ressaltar que a visão que nós ocidentais temos sobre o Oriente, e principalmente sobre o mundo árabe-islâmico, é uma visão criada por nós mesmos, e certamente não corresponde à realidade. Vemos o mundo pelas lentes da cultura que nos foi dada, imposta ou construída pelos meios de comunicação de massa. Mas convém questionar, duvidar, procurar informações em fontes mais confiáveis. A chamada “grande mídia” é a primeira a ser posta sob suspeição pelos interesses envolvidos e pela parcialidade na cobertura dos eventos que envolvem esse novo ator coletivo chamado 'multidão'.

 

O Oriente Médio está mudando, mas não só o Oriente Médio. Todo o planeta está em processo de mudanças sociais, políticas, culturais, estéticas, artísticas, científicas, tecnológicas, religiosas, … Esse novo ímpeto revolucionário vindo espontaneamente do povo, sem lideranças, com intensa participação de jovens, de mulheres, de povo enfim, talvez nos leve a um novo Renascimento. Em todo esse processo a internet tem sido ferramenta muito útil, por isso o interesse de Governos e corporações em colocá-la sob seu controle. Será possível ?

 

Para o leitor ou leitora mais curioso, fica a sugestão do site www.outraspalavras.net e o filme “O leão do deserto” (Líbia/EUA, New-Line, 1981, 152min, dirigido por Moustapha Akkad).

 

publicado por animalsapiens às 20:20

10
Fev 12

As greves são justas quando reinvidicam melhorias para a categoria em questão, principalmente quando se encontra realmente contra a parede. Os órgãos de segurança no Brasil estão gradualmente entrando nesse processo de reinvidicações. Sem entrar no mérito, já que a mídia convencional não divulga exatamente o que diz o 'outro lado', fica difícil emitir opiniões seguras, menos ainda fazer algum juízo de valor.

 

Porém, greves dos órgãos de segurança num país como o Brasil, com seus altíssimos níveis de violência, dá o que pensar, principalmente nesse período que antecede a festa geradora de mais violências: o Carnaval, ... quando as máscaras são tiradas. Mais que pensar, dá o que perguntar. A quem interessa ver o Exército nas ruas ocupando as funções da PM e Bombeiros ? As Forças Armadas têm função específica, conforme define a Constituição, e policiar ruas não está em suas atribuições, até porque esses militares são treinados para matar e não para 'cuidar' do cidadão e do patrimônio. Há perigo.

 

As Forças Armadas entram em ação quando o Estado falha, já que as FA são o braço armado de quem está no poder e constituem seu prolongamento quando se defrontam com impasses. Negociar sempre foi, sim, mais difícil que matar. Mas, parece que no Brasil ainda não aprendemos a lição.

publicado por animalsapiens às 09:36

08
Jan 12

POR QUE TEMEMOS A REALIDADE E A VERDADE ?

 

por Paulo R. Santos

 

Porque a realidade é sempre maior do que nossa capacidade de aceitá-la e entendê-la; essa me parece ser uma resposta. A realidade - assim como a verdade -, incomoda. Mexe e remexe com o que está posto e estabelecido, principalmente com os dogmas. Os sempre confortáveis dogmas sobre os quais muitos se sentam e por ali ficam, a acreditar que nada mudará por que eles assim decidiram.

 

A prudência recomenda que olhemos para trás e vejamos o que nos ensina a história, já que – como dito e sabido -, quem não aprende com a história repete a lição. Crenças pessoais, religiões e dogmas, leis, padrões de beleza, costumes ou de consumo, visões de vida ou visões de mundo são, acima de qualquer outra coisa, criações humanas, dentro de um certo contexto cultural e num determinado momento histórico, quase sempre discutíveis.

 

A realidade assusta por que é maior que nós. A realidade por vezes nos afasta da análise e da reflexão por passar por cima de nossos interesses pessoais, de nossas pequenas e grandes vaidades, de nossos medos e temores sobre o futuro. Por isso é cada vez mais comum se evitar os pequenos e grandes problemas. Tendemos a renegar um dos maiores avanços da evolução humana: a linguagem articulada, a escrita e, portanto, o diálogo !!

 

A verdade nos assusta porque nem sempre está de acordo com o que gostamos e queremos que seja. A verdade é; ponto !! Nem o processo judicial mais bem ou mal conduzido poderá mudá-la ! Nem o melhor ator ou mentiroso contumaz poderá mudar-lhe sequer uma vírgula, quanto mais um ponto ! Nem o melhor sacerdote ou pastor, por mais verborrágico e convincente que seja, poderá alterá-la para sempre. Nem o melhor demagogo ou orador, político ou acadêmico, poderá fazer da verdade a sua verdade.

 

Quando verdade ou realidade incomodam, fugimos para as drogas, para as bebedeiras, para o barulho, para os locais ruidosos, para o não-pensar-sentir, para o mundo do faz-de-conta, para um mundo interior, ou para muitas outras possibilidades e rotas de fuga.

 

O medo de ter nosso mundo interior ou exterior devastado nos faz evitar, de um modo ou de outro, tanto a realidade que nos cerca, quanto a verdade que conhecemos ou intuímos. Talvez por isso 2012 seja um ano que atemorize tanta gente. Talvez não sejamos tão fortes quanto gostaríamos de ser para enfrentar e mudar certas coisas, ou pelo menos para reconhecer a existência desses fantasmas que nos atormentam. Talvez fingir que isso não está acontecendo … Talvez fazer de conta que tudo vai passar sem nos atingir … Talvez a ignorância voluntária … Talvez o silêncio, talvez …

publicado por animalsapiens às 12:52

07
Jan 12

Este ano que começa chuvoso por aqui, com as consequências conhecidas, promete ! Problemas ambientais e climáticos, a Europa que conhecíamos até quatro anos atrás se desmoronando, o império anglo-saxão perdendo os dentes, apesar de continuar a rosnar para o mundo; França e Alemanha de queixo orgulhosamente erguidos, apesar das profundas crises que ennfrentam. Banqueiros e corporações privatizaram o Estado e deu nisso.

 

Agora que o delírio neoliberal está passando, resta saber o que fica do rescaldo do incêndio. Pelo aspecto positivo, despertou a população mundial e isso é altamente relevante, pois o mundo não permanecerá o mesmo com uma população a cobrar mudanças produndas. Nada segura uma população em fúria !

publicado por animalsapiens às 10:36
tags:

03
Jan 12

La FMC y su imposibilidad de reformarse

mujer_muro_maleconLlegaste a los seis años y ya estaba esperándote la pañoleta, la consigna de “Pioneros por el comunismo, seremos como el Che”. Después, fue tu entrada al preuniversitario y en automático, sin que nadie te preguntara, formabas parte de la Federación de Estudiantes de la Enseñanza Media (FEEM). Seguías creciendo, la saya te apretaba y bajo la blusa del uniforme un par de brotes comenzaban a notársete. Cuando  arribaste a la pubertad, formabas parte ya de los Comités de Defensa de la Revolución y también fuiste a parar de cabeza a la Federación de Mujeres Cubanas (FMC). Tediosas reuniones, señoras que vigilaban si llegabas tarde a casa, lenguas listas para delatar cualquier frase irreverente que se te escapara.

Te impartieron una docena de cursos sobre el papel de la féminas en la Revolución, pero nadie vino a detener la mano del marido que te golpeaba en casa. Eras sólo un número en las listas de federadas y –más de una vez- desviaste dinero de la recaudación de la FMC para poder llegar a fin de mes. No te fue difícil aprender a separar el lenguaje de los comunicados que leías con voz arrobada, de aquellas frases domésticas en las que sí mostrabas tu disgusto. Desarrollaste varias técnicas para controlar los bostezos en esas asambleas donde te exigían “más sacrificio, mayor entrega”. Y en un momento, todo aquello comenzó a parecerte tan inútil, tan despegado de la realidad, tan distante de la pensión ridícula que te entregaba el padre de tus hijos y del jefe que te exigía “favores” para mantener tu empleo. Te percataste que el verdadero discurso de tus días era el que salía de aquella olla semivacía -como una boca abierta- en mitad de tu cocina.

Desde hace cinco años ya no eres federada. ¿Para qué sirve una organización así? dices ahora, después de comprender que exigir los derechos de las mujeres no se puede lograr a través de un oficialismo tan masculino. Anoche oíste en la TV que la FMC quiere “darle un giro” a su papel en la sociedad y después de eso te palpaste el vientre, te tocaste los brazos, miraste las paredes de tu casa despintada y de tu vida en moneda nacional. Y a pesar de la diferencia entre tu cara reseca y el perfecto maquillaje de las entrevistadas en el noticiero estelar, te sentiste más libre. Porque aquel reportaje tenía un tufo a naftalina y tú no, tú estás viva y por primera vez en tus cuarenta años no “perteneces” a nada.

www.desdecuba.com/generaciony

publicado por animalsapiens às 10:47

Janeiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO