Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

24
Dez 12

Os milenaristas devem estar muito frustrados pelo fato do mundo - mais uma vez -, não ter acabado. Mas, é assim mesmo. O medo do fim valoriza o presente. O medo da morte valoriza a vida. Abre comportas de esperança e motivação para mudanças. No final das contas é positivo, mesmo que entre eles, os milenaristas, existam certamente aqueles que morbidamente torcem para o fim do mundo, por uma razão ou outra, embora a principal delas seja a de que o mundo está mesmo ruim e feio, a sociedade doente e sem perspectiva.

 

O fim do ano, para muitos, é período de renovação de projetos, planos e promessas que não foram cumpridas. Novas metas e propósitos ... isso é bom. Algum avanço sempre há. E um mundo novo vai acabar surgindo do caos presente em nossos dias. Ainda haverá lugar para os de boa vontade, para os altruístas e generosos, os repletos de compaixão. Enquanto isso, de um jeito ou de outro, os egoístas e gananciosos, os adoradores dos deus mercado e das coisas vão acabando, vão morrendo, desaparecendo, saindo do caminho... há lugar para alguma esperança. Afinal, o mundo não precisa continuar assim só porque está assim! A ressacralização do mundo está acontecendo por vias tortas ...

 

Mas isso de fim do mundo é coisa tipicamente ocidental. Duvido que budistas e islãmicos, por exemplo, entrem nessa onda de história linear, com começo, meio e fim. Da criação do mundo ao suposto 'juízo final'. Mas, há quem acredite em tudo em qualquer lugar do mundo. E nesse nosso mundo há espaço também para insanos de terno e gravata que decidem sobre a vida e a morte de milhares de pessoas enquanto tomam um champanhe!

 

Os mais pobres, os empobrecidos por esse modelo político-econômico predador, continuam sobrevivendo e vão acabar superando de algum modo, mais uma descivilização, mais uma que se vai para abrir espaço para uma outra, ... melhor, esperemos. Precisamos de um novo Renascimento !

 

- por Paulo R. Santos

publicado por animalsapiens às 09:14

21
Dez 12

Dizem os observadores e estudiosos que o milenarismo - a crença no fim do mundo -, acaba por ajudar a valorizar a vida. É como um rito coletivo, no qual se esconjura o que se teme: a morte, dando mais valor à vida, mesmo que sem uma compreensão muito clara disso. Que seja !

 

Aliás, se fosse acontecer, de fato, o fim do mundo como dizem os milenaristas, não adianta armazenar alimento, água, criar abrigos, fugir para locais supostamente mais seguros, já que trata-se do fim do mundo, de tudo e de todos, ... ou de boa parte!

 

- por Paulo Santos

 

 

publicado por animalsapiens às 09:22

17
Dez 12

Fim de ano, fim do mundo segundo alguns, mas o mais provável é que vamos ter que encarar um novo ano. Planos, sonhos, projetos, promessas, mudanças ... Cada um a seu modo aproveita o momento psicológico que alia consumismo com desejos de mudanças, e faz seu novo ano, ... pelo menos na mente. Se as coisas vão acontecer como desejado ou esperado, isso é outra coisa. Mas, a mística da mudança no calendário está aí !

 

O ano que se aproxima não promente grandes momentos positivos para a humanidade, sofrida com seus próprios erros e escolhas. Mas algumas descobertas desde os Fóruns sociais e a 'Primavera árabe' são marcantes e definitivas. A sociedade civil está em rota de colisão com a sociedade política. Praticamente já não existe quem acredite nos políticos ou na política partidária, dissociadas da sociedade e parasitando-a.

 

Por outro lado, vale o mesmo raciocínio para as religiões. Não serão os religiosos ou os políticos que vão conduzir as comunidades para uma qualidade de vida melhor. Há outras vias em construção, baseadas no cooperativismo, na solidariedade, no compartilhamento, na noção cada vez mais clara que somos mais interdependentes do que pensamos. Mas o pensamento conservador, ligado a privilégios de classe e casta, ainda está muito presente e forte, o que sinaliza que as mudanças - pois essas virão - não devem ocorrer sem resistências e lutas. É aguardar pra ver...

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 09:29

27
Nov 12

O medo é útil, muito útil! Rende discursos políticos, promessas e votos. Pelo medo se controla muita gente. Existe até a 'pedagogia do medo': se você não fizer isso eu te bato! As religiões exploram o medo,... da morte, de Deus e dos deuses, do pecado, do céu, do inferno etc. A elite explora o medo e a ignorância de umas tantas coisas para manipular comportamentos. E tem gente que acha que o 'problema' do medo será resolvido no divã do psicanalista ou com carradas de medicamentos.

 

O medo é constitutivo do ser humano e dos outros seres também. Nos alerta e nos protege dos perigos, mas torna-se patológico quando foge ao razoável e passa a fazer parte do nosso cotidiano, na presença virtual da morte ou do acidente, da arbitrariedade e do abuso. Querem encher as cidades de câmeras de segurança e despejar mais policiais nas ruas para garantir(?) a segurança pública. E tome repressão. Será que isso funciona?

 

Desarmar pessoas, perseguir e prender pessoas, matar pessoas ... nada disso resolve de fato, já que as mentes estão permanentemente armadas, nessa sociedade revirada e sem rumo. Uma nova sociedade, reinventar a convivência, mudar nosso olhar sobre o mundo, ver-me no 'outro', sentir que sou parte da natureza ... Há muito por fazer, sem câmeras ou mais policiais, para termos realmente paz!

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 10:12

23
Nov 12

O conceito de civilização apareceu junto com a criação das primeiras cidades. Estas seriam espaços de convivência, segurança, trocas, reciprocidade e tudo o mais que o bicho homem - animal gregário por natureza -, precisa para viver e sobreviver. Hoje as cidades se converteram, por muitas e várias razões, em espaços de disputas e rivalidades, de individualismo e egoísmo extremos.

 

A falta de espírito solidário, de segurança pública, o fracasso do Estado liberal-burguês, com suas promessass jamais cumpridas, a especulação imobiliária, a política de exclusão e de expulsão (quando não de eliminação física) dos mais pobres, as distâncias, os medos, as incertezas ... tudo isso torna o ambiente urbano numa 'não cidade'. As políticas desenvolvimentistas esquecem o humano por trás de tudo e vão amontoando gente, e gente pobre ou em vias de empobrecimento.

 

Fala-se em reinventar a democracia, os modelos políticos, econômicos e de convivência, de modo mais solidário e generoso, mas é preciso também rever e reconceituar o humano, que se perdeu no 'ter' e no 'parecer'. Os comportamentos aberrantes e a agressividade primitiva que explodiram, só podem ser contidos pela revisão dos conteúdos de formação do ser, de um estado de saúde física e emocional dígnas e de um presente que contenha elementos de esperança no futuro.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 09:48

14
Nov 12

Não foi a quebra de Bancos nos Estados Unidos que iniciou a atual crise financeira. Nem foi a suposta produção de armas de extermínio em massa que levou os EUA a atacarem o Iraque; nem o terrorismo da Al Qeda, ter como consequência a destruição do Afeganistão. Não foi a ausência de democracia ocidental na Líbia de Gaddafi que gerou a destruição do país com maior IDH da África, como não será o suposto enriquecimento de urânio por parte do Irã que ocasionará, eventualmente, um ataque dos EUA/Israel.

 

Sob as colinas de Golã, na Síria, existe muita água potável escoando por baixo de Israel e chegando a outras regiões, como à faixa de Gaza. Essas guerras e agressões têm outras motivações e interesses além da geopolítica e do petróleo. Água, combustível, cereais, controle de terras agricultáveis por parte dos países que estão em franco processo de esgotamento natural, como os europeus e anglo-americanos. E que ninguém se iluda, pois a América Latina é vista como reserva futura. A mentalidade colonizadora e imperialista ainda existe.

 

Enfim, o que está por trás de tudo isso é a ganância e o egoísmo humanos. A mesquinhez, o orgulho de raça, de crença ou de casta. A economia não é uma ciência oculta, mas a manipulação de interesses e um mecanismo de modulação do comportamento coletivo. Diante do risco de graves problemas ambientais, o bicho homem continua o predador de sempre. Os princípios elementares da solidariedade e do altruísmo virão, certamente, por força das circunstâncias, talvez quando já for tarde demais. As crises sociais são resultado da crise de humanidade.

 

- por Paulo Santos

 

publicado por animalsapiens às 10:02

02
Nov 12

Não é pequeno o contingente dos que acreditam no fim do mundo, Juízo Final, fim dos tempos e outras expressões que se equivalem e valem por toda a extinção da vida na Terra. Mas não faltam aqueles que ainda insistem num mínimo de bom senso, e procuram restabelecer um entendimento mais racional das coisas, lembrando que a vida nesse planeta tem seus ritmos e ciclos, mais ou menos longos, que muitos povos do passado - os maias entre eles - desenvolveram calendários bastante precisos, indicando fatos astronômicos por acontecer, que coincidem com as cíclicas tempestades solares, por exemplo, e que afetam nosso planeta de algum modo.

 

Há quem acredite que no próximo 21 de dezembro o fim do mundo finalmente acontecerá. O que parece mais evidente nisso tudo é o fato de que o processo de barbárie, de descivilização, chegou a tal ponto que já existe, sim, uma verdadeira torcida para que tudo isso acabe, e logo! As formas de se expressarem são varidas e vão das profecias maias, de Nostradamus, à crise climática, terceira guerra mundial, a passagem de um imenso planeta pelo nosso sistema, o Apocalipse de João, a segunda vinda de Jesus para resgatar os 'puros', a vinda de naves extraterrestres para salvarem outro tipo de 'escolhidos' da morte certa, diante da destruição global.

 

Que uma catástrofe nuclear ou climática podem comprometer seriamente a vida na Terra, não há dúvida! Que há 'guerras e rumores de guerras' (como aparece no capítulo 24 do Evangelho de Mateus), idem. Que a humanidade desenvolveu uma imensa capacidade de autodestruição e uma certa tendência ao autoextermínio, também é fato. Mas existem outros que apostam num tipo de sociedade mais viável, numa vida humana mais solidária e cooperativa, mas que devem ser construídas. As minorias sempre fizeram a diferença ao longo da história. Vejamos o que vem por aí!

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 09:09

22
Out 12

É o que dizem: a natureza não se defende, mas como se vinga! Mesmo considerando os ciclos e ritmos da natureza como permanentemente dinâmicos, funcionando não como um relógio, mas com oscilações mais ou menos conhecidas, fazendo o planeta modificar-se a intervalos, não podemos desconsiderar a mão humana complicando as coisas em seu desfavor. Nâo parece ser possível prever o clima com os atuais modelos matemáticos usados pelos meteorologistas. São muitas as variáveis... basta o vento mudar de velocidade e tudo muda. Fica mais fácil olhar pela janela ao amanhecer e ver o que a natureza nos diz sobre como será o dia!

 

Os extremos de calor e frio; muitas chuvas de uma vez e estiagens prolongadas afetam os mares, as plantações e a vida dos seres de um modo geral. Migrações humanas e das outras espécies tornam-se cada vez mais constantes, e já existem os refugiados do clima. Apesar de sabermos que a natureza já não funciona com a regularidade conhecida de nossos pais e avós, os humanos de hoje ajem despreocupadamente, como se o que acontece não lhes dissesse respeito. Um dia, no passado remoto, a natureza escolheu os dinossauros para serem extintos; o que a impede de escolher a espécie humana para o mesmo fim?

publicado por animalsapiens às 10:58

16
Out 12

Pelo andar da carroça há muita gente torcendo para que o mundo acabe, de preferência em 21 de dezembro próximo. Que o mundo está feio e a sociedade doente, não há dúvida. Mas de onde sai essa torcida mórbida pelo fim do mundo? Não seria melhor ver o que e onde se pode melhorar? mudar? renovar? O milenarismo caminha ao lado do sebastianismo, isto é, o fim do mundo e um salvador para o mundo.

 

A ditas profecias maias não vão além de cálculos astronômicos muito bem feitos, e Nostradamus fez interpretações do Apocalipse; se as coisas acontecem ou não conforme as previsões, depende de como anda nosso entendimento e aceitação da nova física quântica, com suas variáveis e probabilidades. Afinal, como escreveu certo poeta: não se pode tocar uma flor sem incomodar uma estrela. Se tudo está ligado a tudo, uma pequena mudança algures pode mudar o rumo da história ! Será ?

publicado por animalsapiens às 12:25

09
Out 12

'Só sei que há mistérios demais, em torno dos livros e de quem os lê e de quem os escreve; mas convindo principalmente a uns e outros a humildade. A fazedora de velas, queira Deus o acabe algum dia, quando conseguir vencer um pouco mais em mim o medo miúdo da morte, etc. Às vezes, quase sempre, um livro é maior que a gente.'

 

Guimarães Rosa, Tutaméia. Sobre a escova e a dúvida.

publicado por animalsapiens às 12:44

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