Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

06
Set 12

http://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/programacao/index.html 

 

TV ALMG e o programa Memória e Poder, com o arqueólogo Cástor Carpelle. A preservação e valorização da história e pré-história de Minas.

 

publicado por animalsapiens às 12:27

04
Jul 12

 Minas Gerais

 

Uma lenta descoberta:

Minas - e suas histórias – são muitas

O Homem de Lagoa Santa, estudado pelo pesquisador dinamarquês Peter W. Lund,

no século 19, só mais recentemente passou a receber a atenção que merece.

 

Por Paulo Roberto Santos*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

03/07/2012

 

 

O Homem de Lagoa Santa: exemplo de que Minas ainda está sendo descoberta.

 

Itaúna, Itaguara, Itatiaiuçu, Piracema, Itapecerica… E tantos outros nomes de origem indígena a indicar a ainda desconhecida Minas dos goitacases, como de tantos africanos para cá trazidos como parte da maior migração forçada da história humana: algo em torno de quatro milhões de africanos trazidos para o trabalho escravo. Muitos de origem árabe-islâmica e mais alfabetizados que seus senhores.

 

O quilombo do rei Ambrósio e/ou do Campo Grande, com fortes indícios de ter sido maior que o de Palmares, no nordeste brasileiro, também a aguardar estudos mais sérios e aprofundados. Ainda são muitos os vestígios e remanescentes de quilombos nas Gerais, tanto quanto de suas picadas, muros de pedras e valas, machados de pedra polida, cachimbos bem adornados, pinturas rupestres e fósseis de animais que não mais existem.

 

O Homem de Lagoa Santa, estudado pelo pesquisador dinamarquês Peter W. Lund, no século 19, só mais recentemente passou a receber a atenção que merece. E convém que não se atrasem demais as pesquisas, pois as riquezas naturais de Minas a tornam objeto da cobiça de empresários pouco preocupados com a preservação da história e dos sítios arqueológicos, como de outros tantos megarricos interessados no chamado ecoturismo, e no prestígio e dinheiro que trazem.

 

Minas são muitas, de fato, como bem a definiu o poeta Drummond. Mas os interesses mercantis e politicagens têm passado por cima de uma das regiões mais importantes do país, do ponto de vista histórico e pré-histórico. Uma história que vai sendo convenientemente esquecida, deixando seus habitantes desenraizados e sem passado, prontos a absorver hábitos e culturas estranhas à região, além de serem predatórias já que se estabelecem pelo viés de mercado.

 

O pão de queijo, o queijo artesanal (feito com leite cru), a broa de fubá, o biscoito assado ou frito, bolos, os derivados da mandioca, herança e aprendizado vindo dos indígenas somados à criatividade das cozinheiras africanas pela escassez de trigo nos séculos anteriores, hoje se tornam “produto para exportação” ou “produtos culturais”. Vão deixando de ser alimento de um povo. Alimento para o corpo e para o espírito, pelo lastro histórico que carregam em si.

 

Minas sobrevive com suas tradições e costumes talvez por esse relativo esquecimento do deus mercado, que por aqui passa de vez em quando e leva apenas imagens pelas lentes das câmeras das tevês do eixo Rio-SP, mas não nos levam e nem o que realmente somos ou fazemos, como bem descrito pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, em seu poema Ser Mineiro. Talvez por isso continuemos um tanto sertanejos como descritos pelo Guimarães Rosa no Grande Sertão: Veredas. Talvez!

 

* Paulo Roberto Santos é professor e sociólogo, seu blog é http://animalsapiens.blogs.sapo.pt/.

 

- Foto: lagoasanta.com.br.

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publicado por animalsapiens às 12:46

03
Jul 12

Ser Mineiro - Carlos Drummond de Andrade

Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos.

Um bom Mineiro não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranho,
só acredita na fumaça quando vê o fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão por dois voando.

Ser Mineiro é dizer "uai", é ser diferente,
é ter marca registrada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.

Ser Mineiro é ver o nascer do Sol
e o brilhar da Lua,
é ouvir o canto dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.

Ser Mineiro é ser religioso e conservador,
é cultivar as letras e artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política e amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter vida interior,
é ser gente.

Carlos Drummond, permita-me completar? Ser mineiro é ser montanha. Ser diamante e também saber ser carvão.
Regina Márcia

http://jeitinhomineiro.blogspot.com.br/2012/03/ser-mineiro-carlos-drummond-de-andrade.html

publicado por animalsapiens às 12:20

29
Jun 12
publicado por animalsapiens às 19:57

07
Jun 12

- Cecília Meireles, grande escritora brasileira, em Romanceiro da Inconfidência, traz uma coletânea de poemas que conta a história de Minas do início da colonização até a Inconfidência Mineira na então capitania de Minas Gerais.

Veja um trecho da obra:

   " Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
"Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio...
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
"Tenha meus dedos cortados,
antes que tal verso escrevam...
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.

Através do poema, verifica-se no trecho grifado pelo Impacto na História que o lema da Inconfidência está estampada, em latim, na bandeira de Minas Gerais.
http://impactonahistoria.blogspot.com.br/2011/04/brasil-rebelioes-separatistas-1.html
publicado por animalsapiens às 22:07

14
Abr 12

"Só sei que há mistérios demais, em torno dos livros e de quem os lê e de quem os escreve; mas convindo principalmente a uns e outros a humildade.A Fazedora de Velas, queira Deus o acabe algum dia, quando conseguir vencer um pouco mais em mim o medo miúdo da morte, etc. Às vezes, quase sempre, um livro é maior que a gente".

 

(Guimarães Rosa, in Sobre a escova e a dúvida / Tutaméia)

publicado por animalsapiens às 11:57

14
Jan 12
publicado por animalsapiens às 00:15
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