Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

21
Dez 12

Dizem os observadores e estudiosos que o milenarismo - a crença no fim do mundo -, acaba por ajudar a valorizar a vida. É como um rito coletivo, no qual se esconjura o que se teme: a morte, dando mais valor à vida, mesmo que sem uma compreensão muito clara disso. Que seja !

 

Aliás, se fosse acontecer, de fato, o fim do mundo como dizem os milenaristas, não adianta armazenar alimento, água, criar abrigos, fugir para locais supostamente mais seguros, já que trata-se do fim do mundo, de tudo e de todos, ... ou de boa parte!

 

- por Paulo Santos

 

 

publicado por animalsapiens às 09:22

17
Dez 12

Fim de ano, fim do mundo segundo alguns, mas o mais provável é que vamos ter que encarar um novo ano. Planos, sonhos, projetos, promessas, mudanças ... Cada um a seu modo aproveita o momento psicológico que alia consumismo com desejos de mudanças, e faz seu novo ano, ... pelo menos na mente. Se as coisas vão acontecer como desejado ou esperado, isso é outra coisa. Mas, a mística da mudança no calendário está aí !

 

O ano que se aproxima não promente grandes momentos positivos para a humanidade, sofrida com seus próprios erros e escolhas. Mas algumas descobertas desde os Fóruns sociais e a 'Primavera árabe' são marcantes e definitivas. A sociedade civil está em rota de colisão com a sociedade política. Praticamente já não existe quem acredite nos políticos ou na política partidária, dissociadas da sociedade e parasitando-a.

 

Por outro lado, vale o mesmo raciocínio para as religiões. Não serão os religiosos ou os políticos que vão conduzir as comunidades para uma qualidade de vida melhor. Há outras vias em construção, baseadas no cooperativismo, na solidariedade, no compartilhamento, na noção cada vez mais clara que somos mais interdependentes do que pensamos. Mas o pensamento conservador, ligado a privilégios de classe e casta, ainda está muito presente e forte, o que sinaliza que as mudanças - pois essas virão - não devem ocorrer sem resistências e lutas. É aguardar pra ver...

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 09:29

07
Nov 12

Superabundância de informações não é o mesmo que abundância de conhecimentos. Pode ser o contrário! No passado, meia dúzia de bons livros, muita observação e reflexões formavam um sábio. Hoje, com a internet e o mundo virtual - prolongamento do mundo real -, superlotado de informações, parece que o conhecimento escasseia, pois as pessoas não aprendem a interpretar acontecimentos, saber como a vida acontece ou discernir as coisas. Isso me lembra uma frase jocosa de um amigo que costuma dizer que 'um burro carregado de livros é doutor'.

 

Vivemos numa sociedade de informações em tempo real, mas enquanto as pirâmides e construções antigas estão de pé há séculos, as edificações atuais estão rachando com menos de cinco anos. As pessoas não sabem dar nomes aos próprios sentimentos e o diálogo vai desaparecendo das relações humanas. Um número imenso de jovens pode frequentar escolas, mas mal sabem escrever ou fazer cálculos simples.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 11:09

02
Nov 12

Não é pequeno o contingente dos que acreditam no fim do mundo, Juízo Final, fim dos tempos e outras expressões que se equivalem e valem por toda a extinção da vida na Terra. Mas não faltam aqueles que ainda insistem num mínimo de bom senso, e procuram restabelecer um entendimento mais racional das coisas, lembrando que a vida nesse planeta tem seus ritmos e ciclos, mais ou menos longos, que muitos povos do passado - os maias entre eles - desenvolveram calendários bastante precisos, indicando fatos astronômicos por acontecer, que coincidem com as cíclicas tempestades solares, por exemplo, e que afetam nosso planeta de algum modo.

 

Há quem acredite que no próximo 21 de dezembro o fim do mundo finalmente acontecerá. O que parece mais evidente nisso tudo é o fato de que o processo de barbárie, de descivilização, chegou a tal ponto que já existe, sim, uma verdadeira torcida para que tudo isso acabe, e logo! As formas de se expressarem são varidas e vão das profecias maias, de Nostradamus, à crise climática, terceira guerra mundial, a passagem de um imenso planeta pelo nosso sistema, o Apocalipse de João, a segunda vinda de Jesus para resgatar os 'puros', a vinda de naves extraterrestres para salvarem outro tipo de 'escolhidos' da morte certa, diante da destruição global.

 

Que uma catástrofe nuclear ou climática podem comprometer seriamente a vida na Terra, não há dúvida! Que há 'guerras e rumores de guerras' (como aparece no capítulo 24 do Evangelho de Mateus), idem. Que a humanidade desenvolveu uma imensa capacidade de autodestruição e uma certa tendência ao autoextermínio, também é fato. Mas existem outros que apostam num tipo de sociedade mais viável, numa vida humana mais solidária e cooperativa, mas que devem ser construídas. As minorias sempre fizeram a diferença ao longo da história. Vejamos o que vem por aí!

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 09:09

29
Out 12

 

Imagem: desfato.blogspot.com

 

Só para relembrar, mandalas são aqueles bonitos arranjos e desenhos feitos com areia colorida pelos orientais, principalmente pelos povos do Himalaia, em particular pelos tibetanos. A mandala, depois de pronta (e demanda dias, até semanas, para ficar pronta) é intencionalmente desfeita com gestos rituais rápidos, para indicar as inevitáveis e inesperadas mudanças, ou dentro da crença budista, o 'princípio da impermanência'. Nada é para sempre !

 

O mundo é assim, tanto quanto a vida de um povo ou de uma pessoa. Mudanças acontecem, queiramos ou não, demorem ou não. Num olhar pelo retrovisor da história, pessoal ou global, e vemos inúmeros momentos de mudanças, em geral inesperadas. A mudança, nesse sentido, está na natureza das coisas; faz parte das circunstâncias, entropia na linguagem da Física.

 

Se assim é, lutar contra elas - as mudanças - é esforço inútil. Deveriam ser aproveitadas para redirecionar a vida de povos e pessoas, embora os aproveitadores e espertalhões estejam sempre a postos para tirar proveito pessoal desses momentos de instabilidade coletiva, tal como o que atualmente vivemos. Se adaptar-se a mudanças bruscas e nem sempre positivas é fácil, temos que aprender a surfar sobre elas de algum modo, direcionando a prancha para os propósitos, sonhos e desejos que todos temos. Por isso, a vitória dos conservadores e reacionários é sempre temporária.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 10:58

20
Out 12

Talvez não exatamente por essas causas e motivações, exclusivamente, mas sem dúvida a explosão artística e filosófica pós-segunda guerra (1939-45) tem a ver com a própria guerra. Um mundo destroçado em todos os sentidos, com um número incalculável de mortos e desaparecidos, atrocidades nunca imaginadas e todo o lado sombrio do ser humano à mostra.

 

Uma juventude sobrevivente e, muitas vezes, órfã da guerra, tenta um recomeço com novos ritmos e cores, atitudes e interpretações do mundo e da vida. Vários movimentos inspirados em crenças orientais ou tribais, mostrava uma busca de sentido novo para a vida, para o conviver e o viver. Aquela geração acreditou mesmo na Era de Aquarius! Os anos 1960, 70 e 80 mostram toda a capacidade criativa no campo da música e das ideias. A filosofia retomou seu fôlego e a esperança parece ter tomado conta das pessoas.

 

É nos anos 80 que vamos ver produções cinematográficas mostrando que o mundo - ao contrário do que se esperava e desejava -, não ia em boa direção. O admirável mundo novo, de Huxley, se misturava com o 1984, de Orwell, sinalizando queda livre no processo de descivilização. A revolução cultural iniciada no pós-guerra, a partir de 1960, encontrou forças reacionárias poderosas no começo dos anos 1990.

 

Uma profusão de filmes melancólicos e apocalípticos, como Blade Runner, mostra a perda da esperança e a descrença na viabilidade da Era de Aquarius, nas instituições e na própria humanidade. Aqueles trinta anos de otimismo, de boa música, bons livros, boa filosofia e o prazer pelo conhecimento apenas antecipam a ruína da Modernidade, seguida dessa estranhíssima e discutível pós-modernidade que não sabemos exatamente aonde irá nos levar. Só se sabe que nenhuma das promessas de liberdade, igualdade e fraternidade foi cumprida!

publicado por animalsapiens às 11:19

16
Out 12

Pelo andar da carroça há muita gente torcendo para que o mundo acabe, de preferência em 21 de dezembro próximo. Que o mundo está feio e a sociedade doente, não há dúvida. Mas de onde sai essa torcida mórbida pelo fim do mundo? Não seria melhor ver o que e onde se pode melhorar? mudar? renovar? O milenarismo caminha ao lado do sebastianismo, isto é, o fim do mundo e um salvador para o mundo.

 

A ditas profecias maias não vão além de cálculos astronômicos muito bem feitos, e Nostradamus fez interpretações do Apocalipse; se as coisas acontecem ou não conforme as previsões, depende de como anda nosso entendimento e aceitação da nova física quântica, com suas variáveis e probabilidades. Afinal, como escreveu certo poeta: não se pode tocar uma flor sem incomodar uma estrela. Se tudo está ligado a tudo, uma pequena mudança algures pode mudar o rumo da história ! Será ?

publicado por animalsapiens às 12:25

11
Out 12

Houve época em que se levava as coisas a sério. Saudosismo? Nostalgia? Nada disso! Uma constação de que nesse mundo que se liquefaz dia após dia, há cada vez menos espaço para o humano. A ditadura das marcas, da moda, do espetáculo, do consumo ... O que vai restar de nossa civilização tão técnica e tão pobre? Vivemos num mundo onde máquinas e informática tornam as coisas mais rápidas, mas não melhores. Os relacionamentos se enfraquecem, o diálogo desaparece ... No futuro seremos conhecidos como os seres da Idade do Plástico.

 

Seres carregados e dependentes de quinquilharias eletrônicas, e ocos, vazios, cadáveres que respiram; seres sem metas, propósitos, ... a certeza de nossa finitude já nos fez usar melhor nosso tempo e recursos. Hoje as pessoas fogem da consciência dessa finitude, preenchendo seu lugar com coisas e comportamentos bizarros. Uma boa parte perdeu-se de si mesma e não parece interessada em se reencontrar.

 

Tudo indica que uma nova civilização vem por aí, passando por cima dessa modernosa vida vazia que nos é imposta por um modelo econômico diabólico, que fez da sociedade um subprodudo da economia.

publicado por animalsapiens às 12:50

05
Out 12

SARAMAGO: ESTE MUNDO DA INJUSTIÇA GLOBALIZADA


“Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência

José Saramago

publicado por animalsapiens às 17:23

28
Set 12

Esta semana, peguei por acaso uma entrevista com um professor de uma Universidade, creio que paulista, que levantava uma questão que tem preocupado muitos pensantes. O fim do diálogo. Dentre os sinais dessa mudança generalizada de comportamento, ele citou uma frase que vem se tornando muito comum: vamos direto ao assunto, que é justamente impedir o diálogo. Ir direto ao assunto é traçar uma linha entre um ponto A e um ponto B, sem as curvas e meandros que promovem a interação humana.

 

Isso está colado a um outro problema: a 'síndrome do não tenho tempo'. A pergunta que se apresenta é se a pessoa realmente não tem tempo (deveria rever sua rotina antes que infarte), ou se não está sabendo administrar o tempo de forma a ver resultados positivos, inclusive na vida de relação. Um bom tema para se refletir.

publicado por animalsapiens às 14:29

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