Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

23
Out 11

Cecília MeirelesBrasil

1901 // 1964
Poeta/Escritora

A Velhice Pede Desculpas

Tão velho estou como árvore no inverno,
vulcão sufocado, pássaro sonolento.
Tão velho estou, de pálpebras baixas,
acostumado apenas ao som das músicas,
à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético
dos provisórios dias do mundo:
Mas há um sol eterno, eterno e brando
e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada:
já não é a minha, mas a do tempo,
com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu:
mas um fantasma de tudo.
Recebereis em mim muitos mil anos, é certo,
com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda:
que os destroços, mesmo os da maior glória,
são na verdade só destroços, destroços.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1958)'
Tema(s): Velhice  Ler outros poemas de Cecília Meireles 

publicado por animalsapiens às 12:03

22
Out 11

22 Outubro 2011

Ocupar Melbourne

O bater de asas do Occupy Wall Street em Nova York repercute em Melbourne, Austrália, onde a polícia deteve vários manifestantes. Aqui e aqui. Para traduzir, aqui. Foto reproduzida daqui. Galeria de fotos aqui. Recorde neste diários várias postagens alusivas a Ocupar Wall Street e Unidos por uma mudança global, aqui, aqui e aqui.

 

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publicado por animalsapiens às 12:11

21
Out 11

Convém lembrar que aqueles países que agora comemoram a execução de Kadafi, são os mesmos colonizadores da África, América Latina e Ásia, onde implantaram e mantiveram ditaduras enquanto lhes foi conveniente. Assim que alguma autonomia se manifestou nesses países, os antigos 'parceiros' tornaram-se inimigos e a máquina da mídia foi posta a moer mentes invigilantes, a criar o demônio nessas regiões e, assim, justificar as 'intervenções humanitárias', com tanques e bombardeios, em nome de uma duvidosa democracia ocidental, baseada na exclusão e no controle do comportamento, no consumismo e na alienação.

 

publicado por animalsapiens às 12:19

Outras faces do festival kadafifóbico

Jornais digitais, blogues do copia/cola e cronistas eufóricos espalham festivamente pelo mundo, desde ontem, a partir de fontes do Conselho Nacional de Transição, o cadáver ensanguentado de Kadafi e a mensagem de que com a morte do ditador a democracia tem finalmente as portas abertas na Líbia do petróleo, essa Líbia que, hoje destruída e pejada de armas, possuiu o mais elevado índice de desenvolvimento humano de África. Perante tão grande festival sanguíneo e tão densa kadafifobia, talvez não seja má ideia conferir quatro trabalhos que mostram outras faces da situação política na Líbia, em português aqui, aqui e aqui e em espanhol aqui (para traduzir, aqui). Recorde neste diário aqui.


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publicado por animalsapiens às 11:44

EFEMÉRIDE ESQUECIDA

A punição do teólogo brasileiro

Por Deonísio da Silva em 18/10/2011 na edição 664

A Inquisição mudou de nome e preferiu chamar-se Santo Ofício, que inclusive dá nome ao palácio, em Roma, onde está instalada.

Museus e iconografias ainda registram o uso de ferros e correntes para extrair declarações e confissões. E depois, a execução no garrote vil ou na fogueira, ou nos dois, pois eram opções queimar a vítima viva, queimá-la depois de recém-executada ou queimar-lhe os ossos, desenterrados para serem levados ao fogo. E, quando não eram encontrados, queimava-se uma tábua na qual era desenhada a figura do condenado quando vivo.

Mas o significado inicial da palavra inquisição era o de perguntar, interrogar, investigar. Depois que passou a designar o tribunal eclesiástico instituído para investigar e punir crimes contra a fé católica, a palavra cobriu-se de trevas apavorantes.

No Brasil do século 18, a Inquisição condenou 1.074 pessoas e executou o dramaturgo brasileiro Antônio José da Silva, garroteado e queimado em Lisboa, a poucas quadras de onde era representada uma peça de sua autoria, como comprovam Alberto Dines em sua obra referencial sobre o tema, Os vínculos do fogo, e as pesquisas da professora da USP Anita Novinsky, transformadas em livros e ensaios de indispensável consulta quando o assunto é a Inquisição no Brasil nos tempos coloniais.

“A Inquisição não perdoa”

Antônio José foi interrogado em Lisboa no século 18. Outros dois casos emblemáticos o precederam: Giordano Bruno, condenado à morte na fogueira, entre o fim do século 16 e o alvorecer do século 17, e o de Galileu Galilei, punido com prisão domiciliar na primeira metade do século 17.

Há um outro caso ainda, do qual pouco se fala. E a vítima está viva porque contra ela foram aplicadas outras punições. É o do frade e teólogo catarinense Leonardo Boff, castigado com o “silêncio obsequioso” em 1985. Inconformado, ele deixou a ordem em 1992. Porque a alternativa que lhe foi dada era mudar-se para as Filipinas ou para a Coreia do Sul.

Leonardo Boff sentou-se e foi interrogado no mesmo banquinho do Palácio do Santo Ofício onde se sentaram e foram igualmente interrogados os outros dois. Os três fizeram declarações que se tornaram célebres. Galilei disse, em italiano: Eppur si muove (ela ainda se move), reiterando que é a Terra que gira ao redor do Sol. Bruno disse, em latim: “Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam” (“Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la”). Boff disse, em português: “A Inquisição não esquece nada, não perdoa nada, cobra tudo.”

A mídia deixou passar essa importante efeméride. No ano passado, em 01/05/2010, se completaram 25 anos da condenação de Leonardo Boff. Em 2012 completam-se 20 anos de outra efeméride: em 1992, sendo vãos os imensos apoios que recebeu, inclusive de cardeais como Dom Paulo Evaristo Arns, ele deixou a ordem, único modo de livrar-se das garras de um inquisidor que puniu, não apenas a ele, mas outros 140 teólogos. O inquisidor, o cardeal Joseph Ratzinger, tornou-se papa com o nome de Bento 16.

***

[Deonísio da Silva é escritor, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, professor e um dos vice-reitores da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro; autor de A Placenta e o Caixão, Avante, Soldados: Para Trás e Contos Reunidos (Editora LeYa)]

 

Do Observatório da Imprensa

publicado por animalsapiens às 11:40

19
Out 11

* Acompanhando as postagem do sociólogo moçambicano Carlos Serra; reproduzo aqui. Endereço abaixo.

..................................................[...]

Ocupar Wall Street: segundo mês

Apesar das críticas políticas e das prisões em curso, Ocupar Wall Street está no segundo mês e não mostra sinais de perda de vapor. Aqui e aqui. Para traduzir, aqui. Recorde que este movimento social é um tema permanente neste diário, aqui e aqui.
Adenda: no Chile, há cinco meses que os estudantes protestam, exigindo uma reforma do sistema educacional. Aqui.


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publicado por animalsapiens às 11:25

18
Out 11

15-O primeiro protesto global (transcopiado do blog indicado abaixo)

A revolta transnacional já está aqui: assim começa um trabalho em espanhol de Roberto Montoya a propósito das manifestações de 15 de Outubro. Aqui. Para traduzir, aqui. Foto reproduzida daqui. Referências regulares neste diário ao movimento dos indignados, aqui, aqui e aqui.
Adenda:"O tempo das grandes mobilizações está de volta. As multidões acodem às ruas para dizer que políticas convencionais não respondem mais às angústias e demandas dos dias que correm. Em apenas cinco meses, a indignação saltou da praça do Sol para 92 países, dia 15. A rapidez e abrangência autorizam a dar a isso o seu nome: crise histórica. A ordem neoliberal tornou-se uma usina de desordem global." Aqui.

posted by Carlos Serra at 10/18/2011 12:45:00 AM 1 comments links to this post


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publicado por animalsapiens às 13:06

17
Out 11

"Unidos por uma mudança global": a exigência de Vandana Shiva

No contexto das manifestações de anteontem sob o lema "Unidos por uma mudança global", a activista indiana Vandana Shiva foi citada dizendo que "exigimos a substituição do G8 pela humanidade completa, pelo G7.000.000.000". Em espanhol aqui, para traduzir aqui.
Adenda: a propósito dos Estados Unidos, confira aqui e, a propósito da manchete logo abaixo, aqui:
Adenda 2 às 6:42: Occupy Wall Street em Nova York, aqui.


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publicado por animalsapiens às 11:59
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16
Out 11

Cresce a insatisfação com o atual modelo de sociedade (e com o modelo político-econômico). A população começa a mobilizar-se em escala global, com resultados variados, mas expressivos. Como o autor (Carlos Serra/Moçambique) desse post que transcopio e repasso, já disse antes: é o fim dos silêncios, das mentiras e dos segredos.


Paulo S.
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"Unidos por uma mudança global": confrontos e destruições em Roma

Confrontos com a polícia, dezenas de feridos, destruições e uso de cocktails molotov marcaram as manifestações ontem em Roma, no quadro dos protestos mundiais contra as desigualdades sociais e financeiras sob o lema "Unidos por uma mudança global". A polícia italiana atribuiu os distúrbios não aos manifestantes em si, mas a centenas de "anarquistas". Em português aqui e aqui, em inglês aqui (para traduzir, aqui), foto reproduzida daqui. Sobre as manifestações em Madrid, um texto em espanhol aqui; em Lisboa, em português aqui. Recorde neste diário aqui.
Adenda às 8:18: sugiro recorde uma série minha em seis números intitulada Violentos e calmos, cujo número 4 está aqui.
Adenda 2 às 9:07: três trabalhos, um de Álvaro Gullo sobre violência urbana, aqui; o segundo, de Michel Wieviorka, sobre o novo paradigma da violência, aqui; o terceiro, de José da Silva, sobre o método em Marx e a violência estrutural, aqui.
Adenda 3 às 9:45: recebi via email o seguinte comentário de um leitor: "1. a polícia italiana foi apanhada impreparada. Na minha modesta opinião o ministro do interior deveria demitir-se. 2. A polícia italiana, conforme nota no seu diário, atribui a responsabilidade da violência a "centenas de anarquistas". Em Itália não há centenas de anarquistas. Acho ridícula essa acusação da polícia. 3. No actual contexto político italiano, não seria surpresa para mim se os violentos fossem gente paga pelo Berlusconi, para fazer sarilho (ça lui arrange). Em todo o mundo as manifestações de ontem decorreram pacificamente; violência, só em Roma."
Adenda 4 às 9:52: ponto de situação em Nova York feito pela CNN, manifestantes deslojados do New York Park, mais detenções, confira aqui.
Adenda 5 às 11:07: Carta Maior aqui.
Adenda 6 às 11:16: Rádio França Internacional aqui.

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publicado por animalsapiens às 12:44

15
Out 11

http://www.youtube.com/watch?v=5BIIC9rcsdY&feature=feedu  (Youtube)

 

Sonegação fiscal como forma de protesto funciona ?

publicado por animalsapiens às 12:28

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