Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

26
Out 11

PESSOAS REALMENTE ESPECIAIS

 

                                                                                                  Paulo R. Santos

 

As celebridades, os famosos, os poderosos e ricos do momento, os frequentadores da mídia e dos holofotes não são necessariamente pessoas especiais. São conhecidas e podem até influenciar multidões. Mas isso não significa que sejam possuidoras das qualidades daquelas pessoas realmente especiais.

 

Muitas pessoas passam pelas nossas vidas, mas poucas deixam boas marcas e lembranças duradouras. A maioria das pessoas com quem nos relacionamos pertence ao mundo do trabalho (são colegas de ofício), pertence à nossa família (são vínculos consanguíneos) ou são os muitos anônimos da sociedade, além daqueles e daquelas que simplesmente cruzam nossos caminhos.

 

As pessoas realmente especiais deixam algo de bom. Deixam boas lembranças, boas conversas, ajuda e atenção nos momentos que nos foram difíceis; fizeram parte de nossa existência em momentos críticos ou não, mas não passam em branco, deixando laços de ternura e lições de afeto que perduram, vencendo o tempo e os muitos acontecimentos posteriores.

 

Já foi dito e escrito que alguém realmente está morto quando cai completamente no esquecimento. Portanto, se alguém nos vem à memória trazendo junto uma carga emocional peculiar, que nos faz reviver mentalmente momentos convividos ou a procurar revivê-los, é porque aquelas pessoas são ainda – para nós – realmente especiais.

 

Não é especial quem simplesmente dá dinheiro ou presentes, quem bajula ou faz elogios, quem seduz ou corteja com intenções de tirar proveito político, econômico, afetivo, sexual ou de qualquer outra natureza.

 

Pessoas de fato especiais são diferentes no agir e no sentir. Conduzem sem esforço. Influenciam sem forçar ninguém a nada. São, em geral, sensatas e tranquilas, o que não significa que são perfeitas … e elas sabem disso ! Possuem uma empatia natural. Compreendem as dores alheias e as respeitam.

 

Não estamos falando de estadistas ou governantes que mudam o rumo da história, de figuras políticas ou religiosas duvidosas, mas com capacidade para iludir o povo; não se trata daqueles e daquelas que pelas circunstâncias em que vivem podem ter acesso a meios de comunicação que manipulam multidões, criando essa mentalidade de rebanho que vemos por aí.

 

As pessoas realmente especiais sobre as quais tratamos aqui, estão por aí, em geral no anonimato ou são pouco conhecidas, mas sua presença é sempre marcante. São aquelas que fazem a diferença em nossas vidas, muitas vezes funcionando como referências entre o antes e o depois.

 

Pessoas realmente especiais não são esquecidas facilmente. Elas deixam marcas não apenas na memória, mas principalmente no coração e por isso são lembradas, queridas e sempre bem vindas. São elas que, sem perceber, muitas vezes mudam o rumo de nossas vidas, para melhor.

 

publicado por animalsapiens às 20:20
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LÍBIA SEM CONTEXTO

Em cena, o cadáver

Por Mauro Malin em 26/10/2011 na edição 665

O noticiário corrente sobre a Líbia ignora ou subestima uma evidência básica: os únicos integrantes do Conselho Nacional de Transição que têm alguma experiência de governo são homens que integravam – em posições de segunda linha – a máquina de governo de Kadhafi.

Eles não abandonaram o barco por convicção, que podem até reivindicar agora, mas por conveniência, para salvar a própria pele. E seus adversários dentro do CNT sabem disso muito bem.

O tipo de resistência que o novo e dividido governo vai encontrar pode ser avaliado pelo fato de que, mesmo com apoio da Otan – com milhares de ataques aéreos, mas também com treinamento de tropas locais, gerenciamento de logística, supervisão de comunicações, planejamento de combates −, a confusa e dividida oposição a Kadhafi levou sete longos meses para derrubá-lo.

Morbidez em lugar de compreensão

Enquanto a maior parte da mídia ocupa espaço com o sensacionalismo abjeto da exibição do cadáver do coronel, a complexidade da política e da sociedade líbia é negligenciada.

E também são ignoradas as ligações diretas da guerra civil na Líbia com acontecimentos e processos que ajudam a compor o momento estratégico: por exemplo, crise na Europa, retirada das tropas americanas do Iraque, virtual impossibilidade de haver intervenção armada na Síria, lenta mas constante modificação da posição pró-ocidental da Turquia, crescimento da influência iraniana em todo o arco que vai do norte da Arábia Saudita até o sul da Turquia, vitória de um partido religioso nas eleições tunisianas.

O destino de um cadáver se sobrepõe, na hierarquia do noticiário, ao destino das vidas de 6,5 milhões de líbios.  

Vitória do Comercial

Pela enésima vez, troca-se um mínimo de aprofundamento pela valorização do que é raso mas atrai a curiosidade mórbida ou epidérmica de muitos leitores.

A lição da qualidade jornalística como penhor da credibilidade e âncora de uma audiência qualificada não entra em muitas cabeças à frente das redações.

Vitória dos departamentos comerciais sobre o jornalismo. Será a turma do Comercial capaz de liderar as transformações colocadas no terreno pela emergência e expansão das mídias digitais?

 

Do Observatório da Imprensa

publicado por animalsapiens às 11:00

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