Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

09
Out 13

... transcrevo ...


'Olá 's : o tema de hoje pode ser visto de dois (ou vários) jeitos:

- uma palavra que nas redes sociais perdeu todo sentido;

- um tema até certo ponto, tabu, que lá ganha uma dimensão bizarra:


http://antijornalismo.blogspot.com.br/


Ficou curioso (a)?

Espero que sim, porque sua leitura é importante!


abraços!

Ana Claudia'
publicado por animalsapiens às 11:44

18
Mai 13
publicado por animalsapiens às 11:31

07
Nov 12

Superabundância de informações não é o mesmo que abundância de conhecimentos. Pode ser o contrário! No passado, meia dúzia de bons livros, muita observação e reflexões formavam um sábio. Hoje, com a internet e o mundo virtual - prolongamento do mundo real -, superlotado de informações, parece que o conhecimento escasseia, pois as pessoas não aprendem a interpretar acontecimentos, saber como a vida acontece ou discernir as coisas. Isso me lembra uma frase jocosa de um amigo que costuma dizer que 'um burro carregado de livros é doutor'.

 

Vivemos numa sociedade de informações em tempo real, mas enquanto as pirâmides e construções antigas estão de pé há séculos, as edificações atuais estão rachando com menos de cinco anos. As pessoas não sabem dar nomes aos próprios sentimentos e o diálogo vai desaparecendo das relações humanas. Um número imenso de jovens pode frequentar escolas, mas mal sabem escrever ou fazer cálculos simples.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 11:09

05
Nov 12

Resenha: Memorial do Desterro 

Ana Claudia Vargas
“A noção do tempo a escoar no próprio tempo, quando todos os dias começam no mesmo dia que nunca acaba” . (Lazaro Barreto)



 
Foto: Paulo Santos


Como seria contar a história de um lugar a partir das vivências das pessoas desse lugar? Como seria recriar o infindável mosaico de memórias e histórias que compõem a vida de todos nós?
Enquanto vivemos nosso dia-a-dia, não temos como pensar que estamos construindo histórias que depois poderão servir para formar o intrincado quebra cabeças de toda uma época.
Pois agora imagine um livro que conte a ‘história’ de um lugar a partir da vivência dos anônimos, daqueles que são a maioria, daqueles trabalham e constroem suas vidas anonimamente e que nunca terão seus nomes escritos nas pomposas letras dos livros que analisam o passado ‘de cima para baixo’.
Em tempos de celebridades instantâneas, do ficar famoso sem nenhum esforço ou mérito, de mediocridade ululante – parodiando o Nelson Rodrigues – encontrar um livro despretensioso (mas não superficial, muito pelo contrário) que narra a história de um lugar a partir das pessoas simples – seus afazeres, suas sabedorias, tristezas e alegrias -  é realmente um achado.
Um achado precioso: é assim esse livro “Memorial do Desterro”, do escritor mineiro Lázaro Barreto.
É dele que vou falar hoje na sessão Geraes de Minas porque a proposta aqui é também a de resenhar livros pouco conhecidos sobre a história das Minas Gerais.
O livro


O autor do prefácio Frei Bernardino Leers , de forma exata, escreve: “Muito livro de história é macro-história, virtudes e defeitos (...) de governantes, generais e nações (...). São como fotografias coloridas a distância, de panoramas grandiosos em que os detalhes desaparecem entre os bastidores gigantescos das montanhas e vales (...)”.
Pois nesse Memorial, o autor ilumina as reentrâncias dos vales e montanhas que contornam a região do Desterro – hoje o antigo arraial se chama Marilândia – e assim, revela as muitas histórias das famílias locais e de suas descendências; de lugarejos próximos que já mudaram de nome ou nem existem mais - mas  aqui, é bom lembrar, eles estão fervilhando de vida – das tantas pessoas que ‘coloriam’ esses lugarejos.
Os capítulos, que tem nomes como ‘Os Clãs e os Feudos”; “Uma Família”; “A Religiosidade Popular”; “A Geografia Humana” entre outros,  fazem com que nos sintamos íntimos das pessoas ali apresentadas. É como se entrássemos na casa de cada uma delas,  nas velhas fazendas nas quais moravam  e ouvíssemos  estórias contadas pelos tropeiros que paravam por ali de tempos em tempos, as rezas  e as serestas, e quase podemos ouvir também o rumorejo dos riachos e o barulho do vento nas árvores.
Mas o que torna este  livrinho deveras especial é o fato de o autor escrever contos carregados de poesia e lirismo para tornar o conteúdo mais leve e ainda mais interessante. 
Com nomes como “Dias, meses e anos”, “As partes verdes do sábado” ou “A natureza morta”; ele nos apresenta a história do Desterro por meio de personagens como o Zé Juca e o Tiãzinho, a Maria Euzébia e o João Gaiato; cada um deles talhado na sabedoria e na singeleza do povo do interior de Minas.
“Carradas de meses e dias, anos a perder de vista, vividos nos mínimos momentos da vigília que vai e volta à lucidez e ao sono, sempre ali, sentada no banco tosco de pedra, do lado de fora do casarão, à sombra das magnólias, a cabecear, a fitar nesgas da rua, a mascar o fumo de rolo temperado na cinza do borralho”. 
É assim que começa o conto “Dias, Meses e Anos”, numa arquitetura literária que me lembrou Autran Dourado no seu “Uma vida em segredo”.
Tem ainda a história do Zefolha, das irmãs Morais e de muitos outros personagens que o autor inventou para tornar ainda mais vívidas e quase reais, as histórias das muitas gentes que trabalharam, andaram pelos sertões, carpiram e plantaram, tiveram filhos e os batizaram, ergueram capelas e igrejas, enterraram parentes, fizeram folguedos e acreditaram em assombrações e capetas.
Assim  é este “Memorial do Desterro”, uma viagem no mínimo, diferente,  pela memória de um lugarejo que ainda existe e resiste  ali para os lados de Claudio e Divinópolis, um lugar como tantos outros dessa Minas Gerais e que, como tantos outros, tem particularidades que foram muito bem resgatadas por meio da pesquisa aprofundada e da escrita cuidadosa de Lazaro Barreto.
“No jogo histórico da evolução e do declínio do arraial do Desterro, o autor recupera o movimento humano da região pelos nomes de pessoas, famílias, localidades e fazendas, tropeiros, viajantes, (...) seresteiros, rezadeiras (...). O memorial do Desterro cria a lembrança viva de um lugar no sertão em que tanta gente nasceu, brincou, trabalhou, sofreu, casou, criou família (...)”:  pois faço minhas as palavras do autor do prefácio. 
Neste o Memorial do Desterro uma parte do sertão mineiro ainda vive e continuará a viver por muito, muito  tempo.
Livro:  Memorial do Desterro
Autor:  Lázaro Barreto
Editado pela Diocese de Divinópolis
158 páginas - 1995
O autor mantém esse blog http://lazarobarreto.blogspot.com.br/ no qual mostra outras facetas além dessa de escritor.
* Transcopiado de www.antijornalismo.blogspot.com.br
publicado por animalsapiens às 20:32

31
Out 12

O que é um intelectual? (7)

Sétimo número da série. Passo ao terceiro número do sumário proposto aqui. 1. O PhD. Esta é uma figura emblemática e sagrada na galeria das ambições e das percepções populares. O doutorado (raramente diz que o é em português, prefere um dos prestigiados títulos em inglês, do género PhD) tudo fará para criar a auréola de um ser pertencente à aristocracia do saber profundo, eclesiástico e esotérico. Pêndulo oscilando entre gabinetes, seminários e conferências internacionais, o PhD é reverenciado (ou temido) como uma espécie de deus profano, distante e apetecível.  Depois de se tornar PhD, como que parte de um sistema, o intelectual académico procura geralmente atingir posições de chefia, ser director ou presidente de algum sector, criando um mundo de comando, efeito e distância. Prossigo mais tarde.
(continua)


http://www.oficinadesociologia.blogspot.com.br

publicado por animalsapiens às 10:13

14
Out 12

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Seção “Geraes de Minas”

 

“Minas principia de dentro para fora e do céu para o chão...” (Guimarães Rosa no conto “Minha Gente’, do  livro “Sagarana”)

Foi assim: de tanto ler aqui e ali, bobagens sobre Minas Gerais, de tanto conversar com amigos sobre o que viria a ser as “Minas Gerais” – para além das chatíssimas propagandas turísticas, dos comerciais mostrando as mesmas imagens¹ (Ouro Preto, “Beagá”, montanhas, Inhotim, gente de chapéu de palha ou aquela falsa modernidade de prédios espelhados que se vê de Uberaba a Divinópolis), para muito além das mais chatíssimas ainda notas sociais que ainda existem nos jornalões mineiros² (fulano de sobrenome X que casou com sicrana de sobrenome Y; sicrana que voltou da Europa e abre um negócio no  bairro X; aquelas tentativas frustradas (felizmente) de fazer com que o jeito ‘mineiro’ se molde ao que Rio e São Paulo esperam (vocês pensam que isso é bobagem mas não é não!), para além, enfim, do que existe de Minas na  velha imprensa que pertence às famílias X e Y, aquelas que não tem nenhum interesse em mostrar as histórias e estórias de uma Minas que existe – e resiste – nas ruas empoeiradas, nos sotaques carregados, no jeito de viver, enfim, dessas pessoas que moram nos lugares mais distantes (ou não), que ainda exercem profissões que já se extinguiram; alguns, os mais velhos, aqueles que sequer leem jornais porque  na maioria das vezes, não puderam aprender a ler – quanta gente assim ainda há em Minas – e por aí afora.

E, em meio a tudo isso, outra Minas há muito já deu o ar de sua (des?)graça: é aquela pós-moderna (um termo inadequado mas necessário), aquela que vivencia os efeitos da tal globalização e é formada por milhares de jovens que são filhos e netos da ‘geração das profissões em fase de extinção’ (os marceneiros – como meu pai – os alfaiates, as costureiras e quitandeiras...); são jovens que, apesar da (alardeada?) facilidade de se continuar os estudos e melhorar de vida  ainda não tem acesso (por razões variadas e específicas) a uma vida melhor do que a que tiveram seus pais e avós.  

Muitos deles sonham em ir para os EUA ou para a Bélgica (agora parece ser o ‘país da vez’) para fazer faxina  ou o que quer que seja.³ Eu sempre me identifiquei muito com a história dos que não terão sua história contada em lugar nenhum: nunca me reconheci – nem a nenhum dos meus – quando lia (leio) o que a imprensa mineira publicava (e claro: continua publicando), mas para além das minhas muitas limitações teóricas para tratar de temas que poderiam ‘explicar’ porque as coisas em Minas são dessa forma (e agora me vem à cabeça a imagem do Aécio Neves cutucando a presidenta Dilma com aquelas bobagens que ele sabe dizer tão bem sobre ‘ser mineiro’, como se ele soubesse o que vem a ser isso...é irônico); nessa seção eu espero poder colocar textos, fotos, notícias  da ‘outra’ Minas Gerais, aquela que se parece mais com a que eu gosto e cresci admirando, aquela que é feita de uma simplicidade que não exclui a busca por outros modos de pensar (para além dos academicismos ou das visões superficiais), aquela que é feita por gente de todas as classes, gente que não faz nenhuma questão de se dizer dessa ou daquela família, desse ou daquele sobrenome e/ou partido político e por aí afora.

Para terminar: sua leitura, comentário e contribuição será muitíssimo bem vinda! Peço que perdoe a confusão do texto acima, com o tempo eu espero ir afinando as muitas ideias que gostaria de discutir aqui.

[...]


www.antijornalismo.blogspot.com.br - por Ana Cláudia Vargas

publicado por animalsapiens às 13:21

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