Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

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Jul 11

A sociologia, ciência híbrida e polissêmica, foi produto de uma sociedade em rápida transformação. O mundo agrário dos séculos XVIII e XIX era rapidamente substituído pela vida em comunidades maiores, e esse rápido processo de urbanização precisava de explicações diante das novas regras e interações sociais, nem sempre pacíficas.

 

Porém, a sociedade é dinâmica, conflitante. Isso gera crescente demanda pelo entendimento de seus mecanismos de funcionamento e de novos métodos de pesquisa e análise, para torná-la relativamente previsível, além de compreensível. Previsível pode soar arrogante se considerarmos que acontecimentos absolutamente inesperados podem interferir nas melhores projeções acerca de determinada sociedade. O atentado às torres de Nova York, em setembro de 2001 ilustram bem a afirmação.

 

Nesse mundo de papéis e funções sociais, o sociólogo assemelha-se a um “aprendiz de feiticeiro”. Lida com a impermanência servindo-se dos conhecimentos científicos já acumulados que, afinal, não são garantia de certeza, porém atendem aos nossos desejos de compreender, dominar, controlar as relações humanas, prevê-las de algum modo e até dirigi-las para rumos definidos, de acordo com o que se considera melhor e mais adequado num dado momento histórico.

 

Apesar de ter limites como qualquer outra ciência, a sociologia tem possibilitado um relativo entendimento da vida social. Tem permitido compreender as motivações, possibilidades e tendências dos agrupamentos humanos, partindo de suas concepções de vida, de sua visão de mundo, de como lidam com a morte, com os deuses, com o passado, com a memória e suas tradições. Permite razoáveis projeções sem cair no simples exercício de futurologia.

 

É um esforço para entender o todo e compreender as partes, e a relação de um todo social com outros todos, através de comparações e de outros recursos possíveis, graças aos mais de cem anos de vida da sociologia como ciência. A ela se deve um certo número de perseguições já que os sociólogos - entre o gabinete e a praça pública - muitas vezes abordam o que está nas entrelinhas, o que existe por trás dos bastidores, os mecanismos de controle social criados pelos pequenos e grandes tiranos de ontem e de hoje, mesmo que travestidos de democratas. Contudo, não se trata de uma atividade quixotesca.

 

Nos tempos de exceção, quando a liberdade de pensamento também foi banida, a sociologia chegou a ser vista como ameaça ao Estado e ao sistema vigente. Chegou-se a achar, equivocadamente, que sociologia era socialismo científico. Essa fase, porém, já foi superada apesar do fato da sociologia ainda não ter o status que poderia numa sociedade marcada pela violência e pela criminalidade, carente de massa crítica e de novas perspectivas.

 

 

publicado por animalsapiens às 12:52

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