Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

27
Mar 12


 

por, Paulo R. Santos

 



“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
Martin Luther King


Nunca antes a vida teve tão pouco valor. Não me refiro apenas à vida humana, mas de todos os seres sobre a terra, plantas e animais inclusive. E nunca antes a frase do reverendo M. Luther King teve tanta atualidade, considerando que, mesmo com as exceções, como o movimento dos 'Indignados', Wikileaks/Assange, Anonymous e outros, a quantidade dos que estão quietos em sua zona de conforto é muito grande.
Em recente entrevista pela TV, o psicanalista Flávio Gikovate disse que metade da população humana está com o equipamento emocional incompleto. Falta senso moral. Pessoas que cometem todos os tipos de erros e barbaridades, do homicídio à aparentemente simples omissão, sem sentimento de culpa. Essa ausência do sentimento de culpa, de compromisso com o todo, é a questão. É o 'deixa como está para ver como é que fica', e enquanto isso coisas ruins acontecem.
Não se trata de assumir individualmente as dores do mundo e sair por aí, quixotescamente, como um salvador da pátria, mas apenas de ter consciência de que algo está muito errado com nossa sociedade e que precisamos mudar isso. Somos a causa e somos também a solução.
A verdade é que estamos nos acostumando com a tragédia do cotidiano. O filósofo Ortega y Gasset afirmou que a vida é drama. Sem dúvida ! Mas mesmo um drama pode ser vivido com dignidade. O sociólogo Max Weber atribuiu boa parte dos desarranjos e sofrimentos da sociedade à dessacralização (ele chamou de desencantamento) do mundo. Visto por esse ângulo, o mundo e tudo o que ele contém se torna “coisa” e nada mais. Karl Marx também já havia tratado do assunto décadas antes.
Apesar dos avisos e alertas dos pensadores de várias tendências e épocas, chegamos ao ponto em que nos encontramos atualmente: diante do crescimento da violência sob várias formas, da incerteza quanto ao futuro, da falta de valores que sustentem nosso dia a dia, da ausência de sentido e de propósito da existência.
A tragédia humana se amplia na forma de violência contra si, contra o 'outro' e contra a sociedade. A entrada em cena desse novo ator social chamado “multidão” gera alguma esperança, já que cada vez mais pessoas se convencem de que nem políticos, nem religiosos vão resolver problemas coletivos ou individuais. A ausência de lideranças nesses novos movimentos horizontaliza as ações e inibe a cooptação por parte de partidos e religiões.
Ainda assim, é preciso aumentar o número de ativistas, dos atuantes de alguma forma, retirando mais gente de sua zona de conforto e de falsa segurança, da covardia moral e da falta de compromisso com os interesses coletivos.
publicado por animalsapiens às 12:29

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