Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

01
Mar 12

Oriente Médio e as Revoluções por Minuto

 

por Paulo R. Santos

 

“Nos chegam gritos da Ilha do Norte
Ensaios pra Dança da Morte
Tem disco pirata,
Tem vídeo cassete até
Agora a China bebe Coca-Cola
Aqui na esquina cheiram cola
Biodegradante
Aromatizante tem”.

 

A música da banda RPM mantém seu sabor atual, apesar de já não usarmos videocassete. Do lançamento da música Revoluções por minuto (1985) até hoje muita coisa mudou e continua mudando, em ritmo cada vez mais acelerado. As microrrevoluções e os grandes movimentos sociais no Ocidente ou no Oriente encontram ainda maior resistência por parte dos que estão no poder.

 

A globalização trouxe em si desejos novos e conhecimentos diferentes dos que sustentaram o mundo até a queda do império soviético. Um novo ator entrou em cena para desgosto dos mandantes: as multidões. A violência cresceu, a repressão aumentou, a criminalização dos movimentos sociais se espalha pelo mundo, mas tudo indica que é o fim das mentiras, dos segredos e dos silêncios.

 

Dois eventos marcaram o ano de 2011: a chamada Revolução do Jasmim, na Tunísia, em 14 de janeiro, e a consequente Primavera Árabe. O mundo árabe-islâmico despertou da letargia imposta por ditadores mantidos pelo Ocidente após quase setenta anos, e de lá para cá as mobilizações sociais nas praças, ruas, infovias e em toda parte aumentaram em volume e intensidade, sinalizando profundas mudanças no comportamento social que já não crê que o mundo vai melhorar nas mãos de políticos ou de religiosos. A multidão quer mudanças e não reformas !

 

Julian Assange e o Wikileaks levou Governos e corporações a persegui-lo, impor sanções, censura e controle na internet. De um momento para o outro todo mundo sabia de tudo. Das maquinações e interesses entre governantes, banqueiros, empresários, militares … Por outro lado, a autoimolação do vendedor ambulante tunisiano de 26 anos, Mohamed Bouazizi, em 17 de dezembro de 2010, funcionou como um pavio que queimou rapidamente, levando as multidões, até então ignoradas, a se perguntar porque tanto desemprego, dificuldades, fome, opressão ...

 

A mídia ligada a interesses escusos divulgou tudo como quis no início, mas as informações reais chegaram ao Ocidente pelos vídeos, mensagens eletrônicas, imagens. A internet derrubou rapidamente as tentativas de minimizar os levantes no Oriente Médio e promoveu a adesão e difusão dos mesmos elementos por países diversos.

 

A Revolução do Jasmim espalhou-se pelo mundo árabe-islâmico, saltou o Mar Mediterrâneo, depois o Oceano Atlântico e chegou até a América do Sul. Hoje, o desejo de renovação é igualmente globalizado. Em 2012 o mundo já não é o mesmo e o processo de renovação social, política, econômica, estética etc., prossegue sem sinais de parar, apesar das oposições. A repressão aos movimentos sociais aumentaram proporcionalmente. Os donos do poder não estão dispostos sequer a ceder os anéis para manterem os dedos, por isso mortes e violências.

 

Importante ressaltar que a visão que nós ocidentais temos sobre o Oriente, e principalmente sobre o mundo árabe-islâmico, é uma visão criada por nós mesmos, e certamente não corresponde à realidade. Vemos o mundo pelas lentes da cultura que nos foi dada, imposta ou construída pelos meios de comunicação de massa. Mas convém questionar, duvidar, procurar informações em fontes mais confiáveis. A chamada “grande mídia” é a primeira a ser posta sob suspeição pelos interesses envolvidos e pela parcialidade na cobertura dos eventos que envolvem esse novo ator coletivo chamado 'multidão'.

 

O Oriente Médio está mudando, mas não só o Oriente Médio. Todo o planeta está em processo de mudanças sociais, políticas, culturais, estéticas, artísticas, científicas, tecnológicas, religiosas, … Esse novo ímpeto revolucionário vindo espontaneamente do povo, sem lideranças, com intensa participação de jovens, de mulheres, de povo enfim, talvez nos leve a um novo Renascimento. Em todo esse processo a internet tem sido ferramenta muito útil, por isso o interesse de Governos e corporações em colocá-la sob seu controle. Será possível ?

 

Para o leitor ou leitora mais curioso, fica a sugestão do site www.outraspalavras.net e o filme “O leão do deserto” (Líbia/EUA, New-Line, 1981, 152min, dirigido por Moustapha Akkad).

 

publicado por animalsapiens às 20:20

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