Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

01
Set 11

VIVIANE MOSÉ

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/viviane_mose.html

 

É capixaba e vive no Rio desde 1992. É psicóloga e psicanalista, especialista em “Elaboração e implementação de políticas públicas” pela Universidade Federal do Espírito Santo. Mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autora do livro Stela do Patrocínio -Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, publicado pela Azougue Editorial e indicado ao prêmio Jabuti de 2002, na categoria psicologia e educação. Organizou, junto com Chaim Katz e Daniel Kupermam o livro Beleza, feiúra e psicanálise (Contracapa, 2004). Participou da coletânea de artigos filosóficos, Assim Falou Nietzsche (Sette Letras, UFOP, 1999). Publicou em 2005, sua tese de doutorado, Nietzsche e a grande política da linguagem, pela editora Civilização Brasileira. Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro Ser ou não ser, no Fantástico, onde trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana.

 

Como poeta, publicou seu primeiro livro individual em Vitória, ES, Escritos, (Ímã e UFES, 1990). Publicou, no Rio, Toda Palavra, (1997), e Pensamento Chão ( 2001), ambos reeditados pela Record em 2006 e 2007. E Desato (Record, 2006). Participou em 1999 do livro Imagem Escrita (Graal, 1999), coletânea de artistas plásticos e poetas, em parceria com o artista plástico Daniel Senise. É autora dos textos poéticos da personagem Camila no filme Nome Próprio de Murilo Salles, (2008). Tem alguns de seus poemas musicados, é parceira da cantora Mart’nália em duas músicas, “Contradição” e “Você não me balança mais”, que foram gravadas por ela e por Emílio Santiago, em seu último disco. 

 

Viviane escreve com o quê? Com o pé, marcando o compasso que vem de uma antiga melodia, geratriz da poesia. Com o ouvido, tirando de cada palavra, todos os tons. Com a boca, soprando sobre a palavra, um sentido único. Com o ventre, gestando o verbo no profundo, antes de dá-lo à luz. Com a mão, moldando maneira, sua forma última no papel. Com o sexo, regando as frases com o melhor de seu mel. / Pouco importa. Viviane escreve como os raros. Sua prosa passa por Rosa. Seu verso é feito do mesmo barro de Manoel. Viviane vibra cada sílaba. Seu ritmo é fêmeo, sem ser afeminado. É doce, sem ser melado. É duro, sem ser porrada. Viviane se recusa ao óbvio, ao fácil, à rima besta de um acalanto. Sua melodia plena, vem mais da imbatível respiração daqueles que cantam como falam, que dizem como olham, simples e mágicos como seus personagens plantados no chão. Viviane tem um caso com as palavras. na medida do impossível, um caso muito bem resolvido.”   CHACAL

 

“A escritora utiliza o método filosófico de descascar as camadas da linguagem, como a esfoliar um leque ou folhear a nudez. "Eu tenho muitas coisas, quero dizer, tenho muitas camadas./ Uma camada de livros, outra de sapatos./ Tem a camada de plantas. E toalhas de rosto./ Tenho camadas de nomes e coisas que vejo." A racionalidade, quando exacerbada, aguda-se em penetração investigativa e poética, fotografando a esmo tudo o que a cerca, valorizando detalhes até então despercebidos. O acúmulo não permite enxergar o conjunto, assim o refazendo. Tão claro, que resulta distorcido. O que importa é a falta de foco. Ao relacionar gratuidades, produz maravilhamentos como "minha pessoa é muito mais fraca do que meus pés". “Viviane Mosé é uma grande poeta. Não precisa mais explicar sua poesia.

FABRICIO CARPINEJAR

 

Vida/tempo

 

Quem tem olhos pra ver o tempo?

Soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele

Soprando sulcos?

 

O tempo andou riscando meu rosto

Com uma navalha fina.

Sem raiva nem rancor

                            O tempo riscou meu rosto com calma.

 

Eu parei de lutar contra o tempo. Ando exercendo instante.

Acho que ganhei presença.

 

Acho que a vida anda passando a mão em mim. Acho que a vida anda passando.

Acho que a vida anda. Em mim a vida anda. Acho que há vida em mim. A vida em mim anda passando. Acho que a vida anda passando a mão em mim

 

                            Por falar em sexo quem anda me comendo

É o tempo.  Na verdade faz tempo, mas eu escondia

 

Porque ele me pegava à força, e por trás. 

Um dia resolvi encará-lo de frente e disse:  Tempo, se você tem que me comer  Que seja com o meu consentimento.  E me olhando nos olhos.  Acho que ganhei o tempo.  De lá pra cá ele tem sido bom comigo. Dizem que ando até remoçando


publicado por animalsapiens às 11:23
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