Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

12
Ago 11
É tão perturbador ler sobre as consequências das manifestações nas cidades inglesas, neste diário referidas (recorde aqui e aqui), quanto saber da surpresa do governo inglês. Membros deste governo, incluindo oficiais da polícia, têm repetidamente afirmado que não havia e não há razões para as manifestações, que tudo de resumiu e se resume à animalidade, à criminalidade pura como que inscrustada nos jovens das ruas por geração espontânea. A nível do foro psiquiátrico, certamente haverá quem resuma tudo à psicopatia ou à mimese pura e simples. Na conclusão, a direita dirá que tudo se resumiu e se resume a um exercício de autopoiese criminal. Enfim, uma neo-Laranja Mecânica.
O pensamento conservador mantém-se inalterável na história, para ele os operários, os jovens, o povo, só têm a seu cargo a gestão dos instintos, o impulso criminal. Por isso precisam ser policiados e reprimidos. A este propósito, Simone de Beauvoir diria que os conservadores se recusam a ver no povo a "significação moral", o "impulso da transcendência humana". Opositores são sempre ressentidos - dirá, convicta, a direita -, invariavelmente movidos pelo ressentimento, pela inveja, pela neurose, pela incompetência, pela criminalidade, em última análise pela enfermidade. Por isso toda uma corrente da psicologia (mas não só) desenvolveu-se no sentido de transformar a mentalidade do oprimido e não o sistema social que o produz, como escreveu Simone. Recorde, de 2008, a minha curta série em três números intitulada Informação-natureza: o pensamento da direita hoje, aqui. E siga a minha série Fio de Ariadne das manifestações mundiais, aqui.
Adenda às 9:16:  “O senhor ficou chocado com  violência vista na noite passada?”, perguntou a jornalista. “De maneira nenhuma. Eu vivo em Londres há 50 anos”, respondeu Howe, “e já passei por diferentes momentos. Mas, ouvindo o meu neto e o meu filho, tinha a certeza de que alguma coisa muito séria poderia acontecer no país” - a propósito das manifestações em Londres, oiça uma entrevista que uma repórter da BBC fez ao escritor e colunista Darcus Howe, 68 anos, oriundo de Trinidad e Tobago, repare na agressividade da jornalista Fiona Armstrong (literalmente acusando Howe de participar nas manifestações) e na irritação de Howe, aqui. Mais tarde, a BBC pediu publicamente desculpas a Howe. Aqui.
Adenda 2 às 9:35: sugiro leia um trabalho sobre as manifestações e o que Paul Watson chamou "cultura doente", aqui. Para traduzir, aqui.
Adenda 3 às 10: entre os indiciados de distúrbios pela polícia, não há apenas jovens desempregados, confira aqui.
Adenda 4 às 11:21: "Os britânicos podem perder o acesso a redes sociais por conta da onda de protestos que ocorre em Londres. O primeiro-ministro, David Camaron, informou que serviços como Twitter e o Blackberry Messenger (BBM) podem ser suspensos por estarem sendo usados pelos desordeiros. As informações são da Reuters." Aqui.

 

Fonte: http://www.oficinadesociologia.blogspot.com

publicado por animalsapiens às 12:11
tags:

Agosto 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9





mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO