Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

09
Ago 11

O capitalismo, e não o socialismo, está em vias de extinção. Essa é uma das conclusões centrais do livro "O Colapso da Modernização", obra do marxista e filósofo alemão Robert Kurz, lançado um pouco após a queda do muro de Berlim. E essa é a idéia defendida especificamente no capítulo que analisamos, intitulado “crise do sistema mundial produtor de mercadorias”.


Durante toda sua análise, Kurz são freqüentes expressões como “colapso global”, “sociedades pós-catasfróficas”, “desindustrialização”, “ondas de especulação” e “bancarrota gigantesca”, entre outros, para enfatizar que a crise do sistema capitalista vai ocorrer em âmbito mundial e em escala planetária num curto espaço de tempo, pois já se configura no horizonte indícios desse processo.


Para ele, a quebra das economias socialistas explicitaria, na realidade, os impasses do sistema global. “O ocidente não ficará imune aos colapsos de outras partes do mundo” (Kurz: 1992, p. 185), pois os que “caíram fora” não terão uma paciência infinita e mesmo com a anulação do conflito de sistemas da era pós-guerra, não haverá uma “paz eterna”, já que o mercado mundial não permite isso. Para ele, o mundo único não poderá conter as revoltas de fome e desespero de todas as partes do mundo, apesar de todo poder policial internacional para reprimi-las, porque essas revoltas tendem a aumentar em vez de diminuir, com a característica de transcorrem em sociedades pós-catastróficas.


De acordo com Kurz, esses desgastes já podem ser observados no setor econômico, com desemprego em massa e destruição de capital, repercutindo no ocidente com imigração em massa e terror, além dos desastres ambientais. No entanto, ele argumenta que ainda haverá uma última corrida deslumbrada do princípio da rentabilidade antes do fim iminente, mas já é visível o processo de desindustrialização em várias partes dinâmicas do mundo, além da destruição do poder aquisitivo, desemprego, criando verdadeiras áreas de Terceiro Mundo dentro do Primeiro. O autor também explica que nessa última corrida acontece um processo de endividamento mediante fluxos comerciais internacionais e uma onda especulativa mundial, que tem como conseqüência “a ilusão de que a solvência do Ocidente fosse praticamente inesgotável” (idem, p. 203).


Ele acredita que “o colapso definitivo da especulação global causará também a ruína do sistema internacional de crédito” (idem, p. 204), e esse será o início da crise, que terá uma mesma causa para todas as partes do sistema mundial produtor de mercadorias: “a diminuição histórica da substância de trabalho abstrato, (...) alcançada pela mediação da concorrência” (idem, p. 204).


Ao final do capítulo, Kurz afirma que provavelmente, “o mundo burguês do dinheiro total e da mercadoria moderna (...) entrará numa era das trevas, do caos e da decadência das estruturas sociais, tal como jamais existiu na história do mundo” (idem, p. 207), e reforça que esse desastre da modernização atingirá também seu causador: o Ocidente.

KURZ, Robert. A crise do sistema mundial produtor de mercadorias. In: O colapso da modernização. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 185-207.
Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/political-science/1823728-colapso-da-moderniza%C3%A7%C3%A3o/#ixzz1UUNVZ0HY

publicado por animalsapiens às 10:15

Agosto 2011
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