Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

08
Ago 11

Se não sabe e não quer saber, provavelmente você é um alienado ! Falando sério, segundo Norberto Bobbio, no seu Dicionário de Política (Edunb, vol 1), “O uso corrente do termo designa, frequentemente, em forma genérica, uma situação psicossociológica de perda da própria identidade individual ou coletiva, relacionada com uma situação negativa de dependência e de falta de autonomia.”


A pessoa alienada não pensa por si mesma, embora acredite que sim. Não toma decisões a partir de critérios e valores próprios, embora acredite que sim. Não define rumos, conceitos de justo ou injusto, certo ou errado, bom ou mau, a partir de reflexões próprias, embora acredite que sim. O alienado é resultado e resultante do pensamento de outro ou outros, que lhe insinuam formas de encarar a vida e reagir a determinadas situações.


Por isso o alienado é manipulável. Pode ser conduzido por aqui ou por ali, por sinalizações verbais, simbólicas, sonoras, visuais etc., já que tem respostas psicoemocionais prontas e apenas reage ao comando dado sem reflexão prévia. O alienado é um ser domesticado por alguém, por um grupo ou por uma classe social, que o leva a pensar sob certos parâmetros que lhe parecem inquestionáveis e indiscutíveis. O alienado é uma pessoa que desistiu de pensar por si mesma, ou sequer aprendeu a fazer isso.


Existem alienados no meio esportivo, religioso, político, acadêmico, ...onde haja gente se reunindo, haverá pressão de uns sobre outros. Os que cederem a essas pressões - qualquer que seja a causa -, podem cair num estado de alienação, de dependência psicológica e emocional do 'líder'. Não decidem, não pensam, não agem sem a permissão daquele que consideram seu 'guia'.


Seguir lideranças não é um mal em si, quando essas lideranças foram escolhidas pelos liderados a partir de critérios claros, como competência, clareza, rapidez de decisões, acerto, segurança, confiança, idoneidade etc. Na maioria das vezes o que ocorre é que o líder se faz e passa a construir o seu rebanho de seguidores. Existem até escolas de líderes. Pode-se ter escolas para formação de gerentes, de chefes, mas o líderes existem por algo que os distingue dos demais, seja para o bem, seja para o mal.


Vivemos tempos em que a mentalidade de rebanho prevalece. É muito fácil manipular multidões. As técnicas de manipulação são relativamente simples. Sabendo pegar pelo emocional - principalmente em momentos de crise -, submete-se a razão, a reflexão crítica, e … pronto, eis mais um seguidor cego !


Sair do rebanho não é fácil, pois o mundo está amedrontador, e assumir todos os riscos que a vida nos impõe exige coragem, algum conhecimento e rompimento com a pressão do rebanho humano. A maioria acha melhor terceirizar responsabilidades e deixar-se levar pelos pseudolíderes, pagando ou não. Fazendo isso assumem outro risco: o de serem guiados para um abismo.


O ideal seria preparar-se intelectual e eticamente para decisões pessoais, autônomas, com os riscos que toda e qualquer escolha estabelece. Saber que quem escolhe uma coisa, naturalmente abre mão de alguma outra. Saber perder, aceitar frustrações, tentar de novo por conta própria, procurar e construir seu próprio caminho.

publicado por animalsapiens às 13:16

Agosto 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9





mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO