Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

31
Mar 13

Observando a sanha repressiva com que os movimentos sociais brasileiros são tratados e a negligência para com as legítimas demandas, segundo o roteiro burocrático estabelecido, como as petições populares pelo afastamento do presidente do Senado e do presidente da Comissão de DH e Minorias, vemos o quanto o Estado se afastou do povo.

 

Apesar da retórica democrática, a democracia não faz parte do cotidiano do povo brasileiro. Uma sociedade fortemente segmentada, onde uma mentira de farda vale mais do que dez verdades civis; onde o único rito permitido para legitimar os mesmos são as eleições periódicas com jeito de cartas marcadas, pois as oligarquias se perpetuam e os modos de governança também.

 

Ternos e gravatas, crachás, fardas e jalecos, carteiras 'especiais' e 'chefias', o amigo do patrão, gente com aparência de grande importância com pastas cheias de papéis cheios de nada. Mas, são eles que mandam! 'Manda quem pode, obedece quem tem juízo', diz o ditado popular. A Casa-grande e a Senzala se mostram presentes até na escassa evolução das leis, como a que equipara os trabalhadores domésticos aos demais trabalhadores, e o pessoal da Casa-grande já esperneia; afinal, onde vão arrumar os sucedãneos dos escravos?

 

Enquanto isso, o povo, o cidadão comum, fica no fogo cruzado criado entre os criminosos, as milícias e a polícia. Guerra urbana! Cinquenta mil homicídios em 2012.

 

O policial - em sua função guerreira -, é treinado para 'caçar' bandidos e não para proteger os cidadãos. Culturalmente ocupa o lugar do Capitão do mato, caçador de escravos. Os parlamentares ocupam o papel - e os lugares - da nobreza no 'antigo regime' brasileiro.

 

Ainda há uma longa estrada a percorrer para que se possa falar de uma república com valores republicanos, de uma democracia com mecanismos verdadeiramente democráticos, de uma sociedade com lugares para todos, de um país onde haja oportunidades reais, de um lugar onde a vida possa fluir sem medos.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 11:31

27
Mar 13

A falta de bom senso e de senso de justiça num país onde os donos do capital e da terra mandam e desmandam, se mostra na crescente onda de violência pelo país afora. A falta de investimentos no essencial: educação, saúde, segurança, transporte etc., já mostram seus resultados.

 

Expulsar pessoas que se organizaram de algum modo em terrenos cujos donos nem aparecem - às vezes terras devolutas -, com toda a truculência conhecida e vista pela tv ao vivo e em cores (casos Pinheirinho e Maracanã, por exemplo), pode estabelecer uma relação direta e contínua entre o ressentimento e a desconfiança do povo em relação ao Estado (que devia lhe dar proteção e segurança), e o aumento do 'efetivo' disponibilizado para o crime organizado, seja PCC, CV ou qualquer outro.

 

Caminhamos rapidamente para uma crescente desconfiança contra as instituições públicas. Seja quanto ao Judiciário, pela lentidão e respostas a depender do nível social e econômico dos envolvidos; seja o Legislativo, privatizado por corporações, seitas e oligarquias; seja pelo Executivo envolvido numa lógica que se ocupa em como o Brasil será visto 'de fora pra dentro', em função da Copa e das Olimpíadas, numa corrida desenvolvimentista que privilegia de algum modo o capital, apesar das medidas sociais de largo alcance, mas que não mudam as estruturas injustas de um país injusto.

 

Aliás, 'nova classe média' é uma balela, pois o brasileiro não tem dinheiro, mas crédito ... e a inadimplência já está aí.

 

- por Paulo Santos

 

publicado por animalsapiens às 10:53

24
Mar 13
publicado por animalsapiens às 13:49

19
Mar 13

O curto pontificado do Papa Ratzinger já era esperado. Seja pela idade, pela inabilidade no trato com os diferentes ou pela falta de carisma, associados a um histórico de ser responsável pela Inquisição, agora vê-se o trono papal sendo ocupado por uma figura de origem diferente, estrategicamente latino-americana, e com várias tarefas pela frente.

 

Conter o avanço do protestantismo e conter também a corrupção interna, como já anunciados; ser - simultaneamente - conservador e populista, para que os fiéis católicos permaneçam dentro da crença. Não será tarefa fácil, considerando o marketing agressivo das seitas neopentecostais, diante do dogmas e conservadorismo católicos. Certamente, um meio termo terá que ser encontrado.

 

- por Paulo Santos

 

publicado por animalsapiens às 12:44

17
Mar 13
publicado por animalsapiens às 11:09

12
Mar 13

O planeta vive uma de suas mais profundas crises, em todos os aspectos. Provavelmente, nem o Renascimento foi tão marcante em sua transição para uma nova era, por ficar mais restrito ao mundo europeu e apenas influenciou outros países com as viagens ultramarinas.

 

Hoje, tudo é on-line e em tempo real. O que ocorre no outro lado do mundo nos afeta e, de fato, como escreveu o poeta, não se pode tocar uma flor sem incomodar uma estrela. Tudo está claramente interligado a tudo, e todos a todos. Mas a insanidade que toma conta dos governantes, os leva a decisões locais, para problemas parciais e rasos. O núcleo global dos problemas humanos, sociais, econômicos e políticos permanece intocado. Medo de mudanças, por isso falam em reformas!? Perda de poder e de privilégios!

 

Mas, as mudanças virão, quer queiram, quer não queiram. Um modelo de vida como o atual, baseado no individualismo, no consumismo, na competição e na supremacia de uns sobre os outros terá que acabar, sob pena de assinarmos nosso atestado de burrice coletiva e consequente extinção da espécie Homo sapiens, tão pouco sapiens.

 

As coisas estão acontecendo e acelerando, ganhando força e velocidade. Em breve já não será possível frear a bola de neve em que se tornou o estilo mórbido de vida imposto ao mundo pelo neoliberalismo.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 10:36

10
Mar 13

 

Antonio Ozaí da Silva publicou: "Recentemente li duas obras sobre a amizade: Amizade & Filósofos[1] e A amizade[2]. A primeira oferece trechos selecionados de obras escritas por filósofos, da antiguidade clássica à modernidade, e ambiciona ser “uma história da amizade, ou melhor dize"
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Novo post em blog do ozaí

Facebook, amizades virtuais e amizades reais!

by Antonio Ozaí da Silva

408174-geracao-y-o-aniversarioRecentemente li duas obras sobre a amizade: Amizade & Filósofos[1] e A amizade[2]. A primeira oferece trechos selecionados de obras escritas por filósofos, da antiguidade clássica à modernidade, e ambiciona ser “uma história da amizade, ou melhor dizendo, uma história das idéias mais importantes sobre a amizade durante os últimos três mil anos”. Massimo Baldini, o organizador, expressa a esperança de que o seu esforço “colabore para se compreender melhor o lugar que a amizade terá na sociedade eletrônica, rica em fatores que favorecem o isolamento, mas farta de muitos instrumentos tecnológicos que anulam a distância e facilitam o encontro”.[3]

A segunda, escrita por Francesco Alberoni, é uma reflexão sobre os diversos significados da amizade na história da humanidade. Ele começa com uma questão fundamental: “Existe ainda a amizade no mundo contemporâneo?”[4] O que é a amizade? “A amizade é uma forma de amor”, afirma.[5] Mas, no que esta forma de amar se distingue de outras? Como surge? É possível a verdadeira amizade no mundo moderno dominado por relações utilitaristas, altamente competitivo e propenso a fortalecer o individualismo e o isolamento? A amizade é apenas interpessoal ou também pode ser comunitária? Pressupõe relação entre iguais? Pode evoluir em circunstâncias de desigualdade hierárquica? O professor pode ser amigo do seu aluno, e vice-versa? “O pai pode ser amigo do filho e o filho do pai? Podem ser amigos dois irmãos? E dois cônjuges?”[6] Quais são os inimigos da amizade? O que pode deteriorá-la ou impedir o seu florescer?

Estas e outras questões orientam a análise de Alberoni e instigam a reflexão do leitor a respeito da realidade contemporânea e da nossa capacidade e/ou incapacidade de cultivar a amizade. Em tempos de redes sociais como o Facebook, com centenas e milhares de “amigos” ao alcance de um click, a amizade parece assumir formas voláteis. Podemos, na expressão consagrada do sociólogo Zygmunt Bauman, nos referir à amizade líquida. A propósito, em entrevista ao Fronteiras do Pensamento, este eminente intelectual nos faz pensar sobre o auto-engodo das amizades virtuais em detrimento dos laços reais que constituem as amizades autênticas. Ele relata o caso de um viciado em Facebook que se vangloria de ter feito 500 amigos num dia. “Minha resposta foi que eu tenho 86 anos, mas não tenho 500 amigos. Eu não consegui isso. Então, provavelmente quando ele diz “amigo” e eu digo “amigo”, não queremos dizer a mesma coisa. São coisas diferentes”, afirma o simpático senhor.[7]

Claro, embora haja a possibilidade de uns e outros confundirem as coisas. É preciso se iludir em demasia para tomar as centenas de amigos virtuais como reais. Qualquer membro de redes sociais, por mais viciado, pode ter a consciência desta distinção. As amizades virtuais podem até representar um atenuante à inexistência de vínculos reais de amizades. Contudo, ainda que o indivíduo se iluda, a incapacidade de constituir amizades reais não tem relação direta, em geral, com a participação em redes sociais. Os indivíduos entram no mundo virtual enquanto seres reais, com histórias de vida, sentimentos e idiossincrasias  próprias, ainda que tentem aparentar ser o que não são. Por outro lado, na medida em que a tecnologia facilita a comunicação, favorece os encontros e, assim, fortalece a amizade real existente – além de potencialmente contribuir para o surgimento de novas amizades, ainda que virtuais. Potenciais amizades virtuais podem se tornar amizades reais? Talvez sim, provavelmente não. O mais importante, porém, é saber que amigos virtuais e amigos reais são distintos. Se há esta percepção, não há porque temer as redes sociais. Torna-se descabido imaginar que o mundo virtual substitui e enfraquece as amizades reais ou a possibilidade de existirem. Como escreve Alberoni: “A amizade existia na época de Confúcio e existe hoje. Não há nenhum motivo para pensar que deva desaparecer no futuro. A amizade é apenas um modelo ideal que pede para ser respeitado”.[8]

Se o ideal de amizade que temos em nossa mente se esvaece e esta não se realiza, não busquemos culpados no mundo exterior, no Facebook ou mesmo no amigo que se afasta de nós. Comecemos por nós mesmo. A análise do outro deve ser complementada pela auto-análise despida de ilusões e ressentimentos. O mais é idealização e verborragia. Da mesma forma que devemos saber distinguir as amizades virtuais das amizades reais, é preciso também ter a sabedoria de não tomar a realidade das relações pelas representações livrescas. Uma coisa é filosofar sobre a amizade, outra bem diferente é viver a experiência real da amizade. Ler é importante e até pode nos ajudar a compreender, mas o fundamental é o viver, a experiência real. Esta é complexa e difícil, muito difícil. Não cabe em modelos pré-idealizados!


[1] BALDINI, Massimo. (Org.) Amizade & Filósofos. Bauru, SP: EDUSC, 2000.

[2] ALBERONI, Francesco. A amizade. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

[3] BALDINI, op. cit., p. IV.

[4] ALBERONI, op. cit. p. 5.

[5] Idem, p. 29.

[6] Idem, p.148.

[7] Assista a entrevista na íntegra em http://www.youtube.com/watch?v=POZcBNo-D4A

[8] ALBERONI, op. cit., p. 153.

Antonio Ozaí da Silva | 09/03/2013 às 22:47 | Categorias: política | URL: http://wp.me/pDZ7T-y0

 

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publicado por animalsapiens às 11:09

08
Mar 13

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Novo post em blog do ozaí

Dia Internacional da Mulher

by Antonio Ozaí da Silva

A filósofa Marcia Tiburi acredita que Dia Internacional da Mulher não é só um momento de comemoração, mas também de reflexão sobre a história e conquistas das mulheres.

Antonio Ozaí da Silva | 07/03/2013 às 23:23 | Categorias: feminismo, gênero, vídeos | URL: http://wp.me/pDZ7T-xV

 

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