Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

28
Fev 13

O aumento do uso abusivo de drogas leva a muitas questões, que não cabem no espaço e propósito de um post. Mas, com certeza, agir como em tempos não muito distantes, internando compulsoriamente os envolvidos com esse mundo, não será a melhor solução, a não ser em casos excepcionalíssimos. A experiência da internação compulsória dos hansenianos demonstra a ignorância e a política de higienismo social, ainda em vigor em alguns lugares e em muitas mentes. Afinal, a Copa e as Olimpíadas estão chegando e os políticos, viciados em poder e preconceitos, querem mostrar um Brasil com uma aparência surreal!

 

A Constituição brasileira estabelece que ninguém será submetido a tratamento desumano, degradante nem a constrangimentos. Internação compulsória de drogaditos é constrangimento, mesmo que sob a capa de uma lei que passa por cima da lei maior. Drogas é problema de saúde pública e não de polícia ou de segregação social.

 

A solução possível é a regulamentação do uso (regulamentação  não é legalização), de modo que o Estado possa assumir controle dessa complexa área da vida social. Esse mesmo Estado que se mostra o maior violador dos direitos humanos.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 10:58

22
Fev 13

Chama a nossa atenção como a fé se torna um produto e uma espécie de seguro para esta e para a outra vida, pelas promessas de alguns autodenominados pastores e apóstolos, em nome de Deus, de deus, do Cristo ou de qualquer divindade que lhes apareça na cabeça, conforme interpretam a Bíblia.

 

Ao fim e ao cabo, tudo termina em 'ofertas', 'contribuições', "doações' para um deus que tudo promete, tudo resolve, tudo provê no campo das mesquinharias humanas e curta visão da vida e do mundo. A fé deixa de ser um sentimento que fortalece e encoraja nas horas difíceis; deixa de ser um canal direto com a divindade, qualquer que seja a crença da pessoa, e passa a ser uma mercadoria qualquer, a ser negociada com um deus mercador, de olho nas ofertas e contribuições.

 

O sagrado e o profano se confundem, se fundem numa só coisa. O verdadeiro deus é o deus mercado, que dita as normas de comportamento e as diversas seitas apenas as adaptam, como subsidiárias dos Bancos e instituições financeiras convencionais. O shopping center da fé está aí, para todos os gostos !!

publicado por animalsapiens às 11:21

18
Fev 13

Fato conhecido que o país começa a desacelerar na semana do Natal e só retoma sua rotina, qualquer que seja ela, após o Carnaval. Então, agora o país volta a funcionar? O Carnaval passou por cima da tragédia ocorrida em Santa Maria, jogando uma pá de cal no assunto. A mobilização para se angariar assinaturas para uma petição que retire Renan Calheiros da presidência do Senado, também está 'in off'.

 

Que país é esse? perguntou um falecido cantor. Agora a mídia faminta vai atrás do caso Gil Rugai, e certamente toda a semana será dedicada a ele que se torna, assim, uma subcelebridade como suspeito de um grave crime ocorrido há nove anos (?), e o julgamento sai agora ... Sem comentários!

 

Aí pelo mundo, guerras, conflitos, drones matando gente sem julgamento e tudo vai ficando muito natural, muito comum e corriqueiro. O mundo não acabou em 21 de dezembro passado, mas vai se acabando na barbárie. O meteorito que caiu na Rússia ferindo centenas de pessoas nos relembra - como a tragédia em Santa Maria/RS -, o quanto a vida é frágil!

 

A renúncia do Papa Ratzinger vem sem causar surpresas, já que rumores de pressões internas para seu afastamento já circulavam à boca pequena, como se diz. A Igreja vem se dissolvendo rapidamente desde a ascenção do Papa polonês, conservador mas mais carismático, e entrou em queda livre com este que renunciou ao ver-se já sem espaço de manobra ou credibilidade. Uma sucessão de escândalos e crises, conflitos por conta de uma fala mal articulada e uma visão puramente ocidental, europeia e medieval do mundo.

 

E o Brasil, é um país sério? Esse é um outro assunto, por conta da má política, do descaso com o essencial para a sociedade, da descrença nas instituições, da mídia que funciona como partido político, do 'desenvolvimentismo' que mascara a dura realidade e de tantas outras coisas mais.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 10:41

16
Fev 13
publicado por animalsapiens às 23:26

13
Fev 13

Comento o filme 'E a vida continua..' *, baseado em obra de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, como um mero apreciador do cinema e não como crítico de arte ou coisa que o valha.

O filme - entre os já produzidos com temática espírita -, certamente deve estar entre os mais bem sucedidos, pois em sua forma clara e direta, didática e muito próxima, faz com que o telespectador facilmente se identifique e se 'ache' em algum ponto da trama. Afinal, quem nunca adoeceu e já chegou a pensar na morte?


Paulo Figueiredo, conseguiu unir didatismo e diálogos instrutivos, mas sem pieguismo, moralismo ou proselitismo. O elenco, sem dúvida, deu conta do recado, pois quem já leu o livro facilmente entenderá que até a caracterização das personagens foi bem pensada. Nada além do humano, do que vivemos, sentimos, pensamos e sabemos. O conhecimento das consequências de nossas atitudes para além da vida terrena, em suas idas e vindas por meio da reencarnação.


Mesmo que esteja num mau momento, quem assistir encontrará no filme alento e reconforto, já que 'a vida continua', e as coisas ruins e difíceis passarão de um jeito ou de outro. O filme eleva e reconforta, reanima quem já cometeu seus erros, e fortalece quem já caminha com passos mais firmes, não há desânimo ou reprovações, ameaças de punição, e passa longe de ideias que lembram o 'fogo eterno'.


Sem grandiosos efeitos especiais, mostra regiões inferiores da vida invisível com naturalidade, de modo a lembrar que ninguém está esquecido; o filme atinge os objetivos principais de esclarecer e consolar, reanimar e confortar, devolver a esperança a quem já a perdeu, e isso com um elenco relativamente reduzido e poucas mudanças de cenário. Vale a pena ver!


Com certeza, aqueles que priorizam mais a forma que o conteúdo, terão bons motivos para críticas, o que não tira a beleza intrínseca da temática abordada.


* Disponível no YouTube


- por Paulo Santos

FICHA TÉCNICA

Diretor: Paulo Figueiredo
Elenco: Amanda Acosta, Lima Duarte, Ana Rosa, Luiz Baccelli, Ana Lúcia Torre, Luiz Carlos Félix, Ronaldo Oliva, Samantha Caracante, Rosana Penna, Cézar Pezzuoli, Arllete Montenegro, Cláudio Mello, Rui Rezende, Luiz Carlos de Moraes, Carla Fioroni, Pedro Costa, Laura Feliciano, Saliba Filho, Alberto Centurião, João Pedro Correia, Giovane E. Alvarenga, Maria Vitória Gonçalves
Produção: Oceano Vieira de Melo, Sonia Marsaiolli de Melo, Paulo Figueiredo
Roteiro: Paulo Figueiredo
Duração: 99 min.
Ano: 2012
País: Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Classificação: 10 anos
publicado por animalsapiens às 10:10

11
Fev 13

O Carnaval de hoje é a modificação de festas ditas pagãs, bastante antigas. É a celebração da carne, do corpo, dos desejos humanos, da liberação das repressões e inibições, a hora de tirar as máscaras. A bebida alcoólica e outras drogas apenas liberam os freios morais, frouxamente mantidos em funcionamento ao longo do ano para, nesses poucos dias, se soltarem e liberarem o que já existe dentro de cada um. Afinal, tem gente que gosta da festa e tem gente que vai pescar ou ler um livro !

 

Se o Carnaval brasileiro deixou de ser do povo e, hoje, é um rendoso negócio para os investidores, isso é outra história. Se acabou se tornando uma forma a mais de manipulação do povo, de se fazer politicagem, como ocorreu com o futebol, isso também é assunto para outra hora. Mas, o certo é que o folião se libera, se solta, desembesta morro abaixo curtindo o que estiver diante de sí, sem muitas preocupações com segurança pessoal ou coletiva, com normas, leis, moralismos, ou com a própria vida. Catarse !

 

O Carnaval dos mais pobres e dos ex-escravos que assim se mostravam com um batuque que virou samba; o Carnaval das marchinhas que atraiu multidões naqueles tempos de uma certa ingenuidade feliz; o Carnaval que atrai os 'barões' do capital rentista, dos investidores, dos manipulares, da mídia de massa, dos contraventores, do crime organizado com ou sem colarinho branco; o Carnaval produto, negócio, que vende uma falsa imagem do Brasil, que ilude a uns e outros mostrando a mulher como isca para vender produtos e também, ela própria, negociável!

 

Como será o Carnaval do futuro? Haverá futuro para o Carnaval? O Carnaval brasileiro, considerado a maior ópera 'popular' do planeta, sobreviverá a essa avalanche de comercialismo e de violências? O povo vai recuperar o Carnaval para seu divertimento e encantamento? As cidades voltarão a pertencer às pessoas e não aos carros? Voltarão a ser lugares de morar?

 

- por Paulo Santos

 

 

 

 

publicado por animalsapiens às 10:48

08
Fev 13

Com a aproximação das festas (serão mesmo festas?) de Carnaval, é de se esperar que virão dias complicados para a Polícia, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil porque deve haver chuva, etc. Desde quando essa festa popular foi apropriada pelas elites, tornou-se um bom negócio, lucrativo e vantajoso para o capital e para a política, já que serão dias de alienação (chamam de relaxamento) e de divertimentos (abuso alcoólico e outros mais). Mas, ... que fazer?

 

Afinal, é durante o Carnaval que se tiram as máscaras !!!

 

- Paulo S.

 

publicado por animalsapiens às 10:01

05
Fev 13

Geraes de Minas

   Confidências entre inconfidentes

Paulo R. Santos*
                                                                                 
 
Ouro Preto: possivelmente, o cenário dessa conversa tão sigilosa quanto reveladora...
(Foto: Dani Vargas)



                              
Lá pelos idos de novembro de 1788, um diálogo dessa natureza pode ter ocorrido diante dos acontecimentos que se precipitavam na Capitania das Minas Gerais:
- O senhor bem sabe dos riscos que todos os envolvidos correm? Vossa Mercê tem ciência de que nem os irmãos maçons poderão livrar todas as cabeças da forca se houver delação?
- Sim, meu caro capitão! Há entre nós os verdadeiros idealistas, mas não somos ingênuos ao ponto de não suspeitar da existência de infiltrados no movimento. Já sabemos de espiões franceses, holandeses e ingleses acompanhando tudo, à espreita de oportunidades de atenderem aos interesses de seus países.
- E nada será feito, Dr. Tomaz? Sabemos que o povo se levantará se for declarada a Derrama (cobrança compulsória dos impostos atrasados na Capitania), mas há quem desconfie dos portugueses e dos grandes devedores envolvidos no movimento. Será que se o cerco  apertar poderemos contar com o Silvério, com o Pamplona, com o Maniti e o Malheiros? Cada um tem interesses próprios, dá para perceber nas reuniões !
- Quanto a isso, penso eu, nada podemos fazer caro capitão, a não ser com a vigilância dos demais sobre eles e com o silêncio até o ‘dia do batizado’ (senha combinada para o início do levante, isto é, quando o governador da Capitania desse a ordem final para a cobrança da Derrama). Mas não me agrada a falação aberta do Tiradentes sobre o levante, conclamando Deus e o mundo para a luta armada que se seguirá. Ele está a por o baraço no próprio pescoço e no pescoço dos demais envolvidos!
- Ele é um entusiasta, doutor, eu o conheço bem! Não vai ficar calado nem que o amarrem. Mas o senhor tem razão quanto à prudência nesses casos. Poucas vezes saí das Gerais, mas sei do que ocorreu nas ex-colônias inglesas na América do Norte e o que está a acontecer na França. A coroa portuguesa não terá misericórdia se o levante daqui for descoberto! Vai fazer dele um exemplo para as demais capitanias e colônias ! Eu não confio no Pamplona nem no Malheiros.
- Há que se vigiar, capitão. Os geralistas (gentílico anterior a mineiro), porque nasceram nessas terras, têm com ela um vínculo natural e profundo. Muitos ainda falam somente o nhengatu (língua criada pelos padres jesuítas - mistura de português e tupi -, e que foi muito usada como língua geral até a vinda da Corte para o Brasil). Raízes que pretendem manter para seus descendentes. Eu mesmo não nasci na colônia, mas a amo mais que a Portugal ...
- Mesmo entre os geralistas há os que vacilam. Muitos sabem da guerra dos emboadas, da insurreição de Felipe dos Santos e do morro da queimada, do morticínio dos índios e da perseguição aos quilombolas, principalmente do fim do quilombo do Campo Grande. Há medo no ar e cheiro de morte, Dr. Tomaz. Muitos se preocupam com suas famílias, parentes e amigos, filhos e filhas, mães ...
- Já combinamos negar tudo, capitão, caso haja delação da conjura. Se a negação conjunta não funcionar, os cabeças deverão minimizar o assunto e dizer serem conversas de tabernas, ocas e sem propósito, assuntos de gente bêbada, ... Ainda assim há risco, pois o governador pode não aceitar e determinar investigações, se já não o está a fazer... Aqui é o estopim, caro capitão, mas Pernambuco, Bahia, Rio e mesmo São Paulo estão a esperar os acontecimentos iniciais a partir daqui!
- Há sempre um alto preço a se pagar pela liberdade, Dr. Gonzaga. Os que como eu, aqui nasceram e cresceram estão cansados de trabalhar e pagar impostos tão altos, e sem direito sequer a produzirem aqui o que precisam ... nem mesmo sal ou tecidos comuns ... Comprar de Portugal o que os ingleses produzem é o fim!
- Volte para sua fazenda, capitão, e em suas andanças fique atento a qualquer movimentação estranha ou conversa suspeita. Envie um alerta indireto em poucas linhas, e através de um mensageiro de sua confiança, endereçado a mim ou ao Dr. Cláudio Manoel. Por agora, vou arejar um pouco conversando com minha noiva, minha doce Marília !
Sociólogo e editor do blog http://animalsapiens.blogs.sapo.pt/
* Transcopiado de: www.antijornalismo.blogspot.com.br - Ana Cláudia Vargas
publicado por animalsapiens às 16:05

04
Fev 13
publicado por animalsapiens às 20:55

02
Fev 13

- Esse é um assunto de filmes e livros, de conversas e de brigas, de acadêmicos e de povão ... você sabe me dizer, afinal de contas, o que é o amor?

- Não! Mas sei de algumas 'definições' e 'conceitos', como chamam, mas o que é o amor, ... huuummm... não sei não !

- Então, vá lá, ... diga!

- Amor renúncia, amor paixão, amor sufocante, amor romântico, amor a Deus, amor amizade, amor próprio ... por aí.

- Então não existe um único tipo de amor? Um único sentimento que o defina?

- Acho que não, e mesmo esses que citei mudam constantemente, se misturam, se perdem, vão e voltam ...

- Será possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

- Claro! Se ama a cada uma e a cada um, de um modo diferente! Dizem que Khalil Gibran amava duas mulheres: uma pela sua inteligência e outra pela sua beleza! Paulo Freire, o educador, escreveu sobre amar o amor!

- ?

- ... pois é !

- Mas e o amor puramente humano, o amor homem-mulher?

- Olhe em volta e veja o que está acontecendo. Tem gente batendo, maltratando e matando, e diz ou acha que é por amor. Tem gente que sufoca, reprime, controla, limita, inibe ... e diz que é por amor. Prefiro mandar esses casos para os psi ou para os religiosos que prometem curar de unha encravada a queda de cabelo!

- Então o amor entre dois seres é impossível? É isso?

- Eu não disse isso. Talvez o moralismo tenha contaminado o amor a tal ponto que funciona como um vírus e sai travando tudo. O que começa bem (ou mal começa) acaba mal; começa com 'meu gatinho' e termina com 'sai cachorro' !

- O que você quer dizer com moralismo?

- Moralismo é toda forma de controle sobre a vida afetiva e sexual de homens e mulheres. As religiões são mestras nisso. Controla-se também e, principalmente, a mente das pessoas incutindo sentimentos de culpa por serem humanos. Separam o corpo do espírito, esse sim o maior pecado. Bipartido jamais se pode ser feliz e para se fazer a reconciliação entre as partes ... sei lá, algo deve mudar, algo deve ser feito! Melhor seria dar educação emocional às pessoas!

- Então, o moralismo é um mal?

- Sim. A moral são normas que regulam a vida da sociedade, mas o moralismo é uma distorção tosca das normas que regulam a vida pública das pessoas, mas não deveria regular a vida privada, e menos ainda a vida íntima. Mas há uma tendência mórbida na nossa sociedade de olhar pelo buraco da fechadura ...

- O que fazer então? Como alguém pode se realizar, afetivamente, nessas condições?

- Não faço a menor ideia!

- ?

- Verdade! Talvez seja o caso de cada um encontrar um jeito próprio, inventar, criar, quebrar regras caducas, e deixar de procurar 'receitas de felicidade'. Isso não existe.

- Então é assim? Cada um dá seu jeito? Se vira? E pode dar com os burros n'água?

- Sim!

- E o romantismo amoroso, aquele do século 19?

- Fala sério ... você quer uma mulher no altar para adorá-la de longe? O jeito é andar no fio da navalha, nem tanto ao mar nem tanto à terra,... nem tanto à várzea nem tanto à serra, como escreveu o Guimarães Rosa.

- E a amizade?

- É o único amor que dura, segundo Aristóteles.

- E agora?

- Se vira! Lembra da música do 'maluco beleza', chamada 'A maçã'? "O amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade, sofro mas eu vou te libertar".

 

- por Paulo Santos

 

 

 

publicado por animalsapiens às 17:48

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