Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

31
Out 12

O que é um intelectual? (7)

Sétimo número da série. Passo ao terceiro número do sumário proposto aqui. 1. O PhD. Esta é uma figura emblemática e sagrada na galeria das ambições e das percepções populares. O doutorado (raramente diz que o é em português, prefere um dos prestigiados títulos em inglês, do género PhD) tudo fará para criar a auréola de um ser pertencente à aristocracia do saber profundo, eclesiástico e esotérico. Pêndulo oscilando entre gabinetes, seminários e conferências internacionais, o PhD é reverenciado (ou temido) como uma espécie de deus profano, distante e apetecível.  Depois de se tornar PhD, como que parte de um sistema, o intelectual académico procura geralmente atingir posições de chefia, ser director ou presidente de algum sector, criando um mundo de comando, efeito e distância. Prossigo mais tarde.
(continua)


http://www.oficinadesociologia.blogspot.com.br

publicado por animalsapiens às 10:13

29
Out 12

 

Imagem: desfato.blogspot.com

 

Só para relembrar, mandalas são aqueles bonitos arranjos e desenhos feitos com areia colorida pelos orientais, principalmente pelos povos do Himalaia, em particular pelos tibetanos. A mandala, depois de pronta (e demanda dias, até semanas, para ficar pronta) é intencionalmente desfeita com gestos rituais rápidos, para indicar as inevitáveis e inesperadas mudanças, ou dentro da crença budista, o 'princípio da impermanência'. Nada é para sempre !

 

O mundo é assim, tanto quanto a vida de um povo ou de uma pessoa. Mudanças acontecem, queiramos ou não, demorem ou não. Num olhar pelo retrovisor da história, pessoal ou global, e vemos inúmeros momentos de mudanças, em geral inesperadas. A mudança, nesse sentido, está na natureza das coisas; faz parte das circunstâncias, entropia na linguagem da Física.

 

Se assim é, lutar contra elas - as mudanças - é esforço inútil. Deveriam ser aproveitadas para redirecionar a vida de povos e pessoas, embora os aproveitadores e espertalhões estejam sempre a postos para tirar proveito pessoal desses momentos de instabilidade coletiva, tal como o que atualmente vivemos. Se adaptar-se a mudanças bruscas e nem sempre positivas é fácil, temos que aprender a surfar sobre elas de algum modo, direcionando a prancha para os propósitos, sonhos e desejos que todos temos. Por isso, a vitória dos conservadores e reacionários é sempre temporária.

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 10:58

28
Out 12

"Eu esperava um homem forte, alto, altivo, de bigode à Clemanceau e pince-nez. Assim minha imaginação o fazia, pelo retrato em busto que ele me enviara em 1915. Ali estava, porém, um homem de estatura meã, delicado de corpo, de longas barbas brancas em flâmula de duas pontas, cabeça meio pendida para frente e para o coração. Estendeu-me a destra com um sorriso acolhedor. (Léon Denis, partiu em retorno à Espiritualidade em 12 de abriu de 1927, trabalhando, apesar da pneumonia).

[...]

 

* Artigo publicado inicialmente em A Centelha, em 1945, com os comentários do pesquisador Canuto Abreu, sobre seu encontro em janeiro de 1922 com Léon Denis na cidade de Tour, França; republicado no Correio Fraterno, edição 129, de setembro de 1981 e, novamente, no Correio setembro-outubro de 2012.

 

** Texto na íntegra em www.correiofraterno.com.br

 

- por Paulo Santos

publicado por animalsapiens às 10:48

27
Out 12
 
 

 

     
 

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Minas Gerais - história

 

 

Riquezas:

Por onde anda o ouro de Minas?

Boa parte desse ouro e pedras saiu de Sabará e Vila Rica (hoje Ouro Preto),

mas também de outras Vilas, como São João Del Rei e Diamantina.

Por Paulo Roberto Santos*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

27/10/2012

 

 

Escravos com suas bateia garimpam o ouro de Minas Gerais, que se espalhou por outras terras.

 

Muita gente se pergunta por onde anda o ouro de Serra Pelada, no Pará, onde existiu um verdadeiro formigueiro humano e de repente não se fala mais no assunto. Outros se perguntam por onde anda a prata das minas de Potosi, na Bolívia, outro formigueiro humano de tempos idos e sobre o qual quase não se fala. E as riquezas dos Incas, dos Astecas e dos Maias?

 

A Capitania de Minas Gerais forneceu, principalmente na primeira metade do século XVIII, uma quantidade imensa de ouro e pedras preciosas que eram levadas para a metrópole portuguesa, contrabandeadas para França e Holanda, e sabe-se lá para que outros lugares, quando os galeões não eram atacados por piratas espanhóis, franceses ou holandeses ou por corsários ingleses.

 

Boa parte desse ouro e pedras saiu de Sabará e Vila Rica (hoje Ouro Preto), mas também de outras Vilas, como São João Del Rei e Diamantina. Às arrobas eram levadas por naus de guerra para Portugal, de onde iam quase diretamente para a Inglaterra, em pagamento das manufaturas que a Corte não produzia, mas consumia em larga escala.

 

Com o ouro das Gerais e parte da prata de Potosi a Inglaterra fez a sua revolução industrial. Juntando as riquezas extraídas de suas colônias e os créditos, a Inglaterra se fez a primeira na onda das revoluções industriais, seguida pelos Estados Unidos e outros países europeus. Tudo com base nessa economia baseada no saque e na depredação de outras terras. As mesmas que até hoje tentam se erguer pelo atraso produzido pela revolução industrial tardia, como ocorreu na Argentina, no Brasil e no Chile, além de alguns países asiáticos.

 

 

Potosi: prata retirada e enviada à Europa.

 

Mas, quem ainda mais sofre com isso são os países africanos. Perderam riquezas naturais e gente levada para outras terras como escravos para o trabalho nos engenhos de açúcar, nos garimpos, na lavoura, nos serviços sujos e perigosos e até para as guerras em troca de alforria, como na guerra contra o Paraguai e na Guerra de Sessessão, nos Estados Unidos, ambas ocorridas na década de 1860.

 

O ouro das Gerais, principalmente, lastreou o luxo da corte portuguesa no século XVIII. Nem mesmo o Marquês de Pombal, um déspota esclarecido, conseguiu fazer a Corte entender que era preciso mais autonomia para a nação, e que não se podia sempre comprar dos outros (da Inglaterra, no caso), pelo alto risco de dependência econômica daí advinda.

 

A Capitania das Minas Gerais esgotou-se pouco a pouco, junto com a paciência dos naturais, até que sedições e conspirações de brancos, índios e escravos começaram a nascer. O século XIX viu o país receber toda a Corte portuguesa de uma só vez (1808); talvez no que foi a maior migração forçada de uma elite em toda a história conhecida, pois cerca de quinze mil portugueses desembarcaram por aqui, apossando-se em definitivo do país. Os clãs políticos que ainda hoje temos são, em sua maioria, descendentes desses fugitivos das tropas de Napoleão Bonaparte.

 

Minas assentou-se em suas tradições e costumes, em seu catolicismo popular, santeiro, tornando-se um estado por onde a política vai e vem, em sua mistura de cores e crenças. Qualquer mineiro atento encontra um pedaço de sua história num raio de cem quilômetros, mas o ouro se foi e não faz falta. O que ficou é resto daquele que fez a Revolução Industrial inglesa. Falta-nos agora uma revolução cultural, que restabeleça um passado coerente e projete um futuro; uma história mais completa. Uma história com menos celebridades e com mais participação popular, como de fato aconteceu.

 

* Paulo Roberto Santos é professor e sociólogo, seu blog é http://animalsapiens.blogs.sapo.pt/.

 

-Fotos: Wikipedia.

 

- Extra:

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publicado por animalsapiens às 13:47

publicado por animalsapiens às 13:45

26
Out 12

O Estado é laico, mas as pessoas não são. É o que se houve como suposto argumento definitivo para justificar a presença das religiões nas decisões políticas. Porém, é preciso se perguntar até que ponto uma bancada religiosa pode influenciar nos resultados de temas que atingem toda uma população, partindo dos valores doutrinários de uma determinada crença ou grupo de crenças. Aborto e homossexualidade são temas religiosos, médicos ou políticos? Se reduzem a temas da bioética e da filosofia? Nos parece que não! Uma sociedade se estrutura sobre valores que as leis representam, e cabe ao Estado, como instância jurídico-administrativa, zelar pelo equilíbrio dos interesses através de legislação e fiscalização adequadas.

 

O púlpito ou a tribuna, o espaço religioso e da fé, podem ser convertidos em espaços de debates políticos? De campanhas em favor disso e contra aquilo, com base nas crenças e valores de determinada religião? A religião que predominar imporá seus valores pela legislação que ajudará a construir?

 

Todos os segmentos sociais podem encaminhar suas demandas e formar grupos de pressão para levá-las a análise em ambiente próprio. Mas isso deve ser feito pelos caminhos legais criados, isto é, pelos canais partidários, movimentos e mobilizações, sem que se partidarize a religião em si. É o que vem acontecendo no Brasil e pode representar perigo crescente para as eleições futuras. Muitos candidatos já sucumbiram às pressões religiosas e se apresentam em templos e igrejas com a mesma desenvoltura que teriam em um palanque armado numa praça. Os espaços, não apenas o público e o privado, o laico e o sagrado, estão se misturando, de modo a dificultar posicionamentos que equilibrem o convívio social, sem alimentar - ainda mais -, as animosidades, ressentimentos e intolerâncias já existentes.

 

A religião, enquanto instituição e criação humana, tem sido motivo mais de desavenças do que de convergências. Convém cuidado e cautela para que o Estado, encarregado da res publica, seja capaz de - através de nossos representantes - decidir da forma mais adequada para que a vida social exista sem fraturas e zonas de conflito geradas por leis inspiradas em doutrinas religiosas que podem ser boas para uns e não para todos.

 

- por Paulo Santos

 

publicado por animalsapiens às 18:41

23
Out 12

"O mal está apenas guardando lugar para o bem. O mundo supura é só a olhos impuros. Deus está fazendo coisas fabulosas. Para onde nos atrai o azul? - calei-me. Estava-se na teoria da alma." (Guimarães Rosa, em Tutaméia)

publicado por animalsapiens às 11:26

22
Out 12

É o que dizem: a natureza não se defende, mas como se vinga! Mesmo considerando os ciclos e ritmos da natureza como permanentemente dinâmicos, funcionando não como um relógio, mas com oscilações mais ou menos conhecidas, fazendo o planeta modificar-se a intervalos, não podemos desconsiderar a mão humana complicando as coisas em seu desfavor. Nâo parece ser possível prever o clima com os atuais modelos matemáticos usados pelos meteorologistas. São muitas as variáveis... basta o vento mudar de velocidade e tudo muda. Fica mais fácil olhar pela janela ao amanhecer e ver o que a natureza nos diz sobre como será o dia!

 

Os extremos de calor e frio; muitas chuvas de uma vez e estiagens prolongadas afetam os mares, as plantações e a vida dos seres de um modo geral. Migrações humanas e das outras espécies tornam-se cada vez mais constantes, e já existem os refugiados do clima. Apesar de sabermos que a natureza já não funciona com a regularidade conhecida de nossos pais e avós, os humanos de hoje ajem despreocupadamente, como se o que acontece não lhes dissesse respeito. Um dia, no passado remoto, a natureza escolheu os dinossauros para serem extintos; o que a impede de escolher a espécie humana para o mesmo fim?

publicado por animalsapiens às 10:58

21
Out 12
publicado por animalsapiens às 13:48
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20
Out 12

Talvez não exatamente por essas causas e motivações, exclusivamente, mas sem dúvida a explosão artística e filosófica pós-segunda guerra (1939-45) tem a ver com a própria guerra. Um mundo destroçado em todos os sentidos, com um número incalculável de mortos e desaparecidos, atrocidades nunca imaginadas e todo o lado sombrio do ser humano à mostra.

 

Uma juventude sobrevivente e, muitas vezes, órfã da guerra, tenta um recomeço com novos ritmos e cores, atitudes e interpretações do mundo e da vida. Vários movimentos inspirados em crenças orientais ou tribais, mostrava uma busca de sentido novo para a vida, para o conviver e o viver. Aquela geração acreditou mesmo na Era de Aquarius! Os anos 1960, 70 e 80 mostram toda a capacidade criativa no campo da música e das ideias. A filosofia retomou seu fôlego e a esperança parece ter tomado conta das pessoas.

 

É nos anos 80 que vamos ver produções cinematográficas mostrando que o mundo - ao contrário do que se esperava e desejava -, não ia em boa direção. O admirável mundo novo, de Huxley, se misturava com o 1984, de Orwell, sinalizando queda livre no processo de descivilização. A revolução cultural iniciada no pós-guerra, a partir de 1960, encontrou forças reacionárias poderosas no começo dos anos 1990.

 

Uma profusão de filmes melancólicos e apocalípticos, como Blade Runner, mostra a perda da esperança e a descrença na viabilidade da Era de Aquarius, nas instituições e na própria humanidade. Aqueles trinta anos de otimismo, de boa música, bons livros, boa filosofia e o prazer pelo conhecimento apenas antecipam a ruína da Modernidade, seguida dessa estranhíssima e discutível pós-modernidade que não sabemos exatamente aonde irá nos levar. Só se sabe que nenhuma das promessas de liberdade, igualdade e fraternidade foi cumprida!

publicado por animalsapiens às 11:19

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