Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

30
Set 12

Novo post em blog do ozaí

Razão e Paixão

by Antonio Ozaí da Silva

“Seria preciso, acreditam certos críticos, uma forma impassível, fria e impessoal; para tais gentes, todo o argumento perde o caráter científico sem esse verniz de impassibilidade; em compensação, bastaria afetar imparcialidade, para ter direito a ser proclamado – rigorosamente científico. Pobres almas!... Como seria fácil impingir teorias e conclusões sociológicas, destemperando a linguagem e moldando a forma à hipócrita imparcialidade, exigida pelos críticos de curta vista!... Não; prefiro dizer o que penso, com a paixão que o assunto me inspira; paixão nem sempre é cegueira, nem impede o rigor da lógica”.
Manuel Bonfim
Paris, março de 1903 [1]

Somos humanos, seres que desejam, sonham e se apaixonam. Desde a antiguidade grega, o humano é definido pelo atributo da razão. O homem é um ser racional! Quem ousa duvidar desta assertiva? René Descartes (1596-1650), considerado o fundador da filosofia moderna, erigiu o seu pensamento filosófico sobre uma certeza racional: “Penso, logo existo” (“Cogito, ergo sum”). No século XVIII e XIX, a Razão foi ungida, posta sobre o altar da humanidade e transformada numa nova religião profana, em substituição à superstição e ao obscurantismo.

“O sono da razão produz monstros”, escreveu Francisco Goya (1746-1828). A Deusa Razão erigiu-se redentora da humanidade e luz que ilumina o seu caminhar sempre em direção ao progresso. A afirmação da Razão, em dueto com a ideia do progresso inexorável da humanidade, foi importante num contexto em que se questionava o poder feudal e tudo o que ele representa. O culto à Razão é o tributo do projeto burguês à modernidade.

Contudo, havia vozes discordantes, como a de Jean-Jacques Rousseau. Ele reconhece a importância dos sentimentos e emoções. Rousseau desconfia das promessas do progresso. [2] Ele não faz apologia da Razão, nem a coloca num plano prioritário em relação ao sensível. A dimensão intelectual racional é importante, mas está vinculada à condição humana que também é emocional e afetiva. Paixão e Razão não estão separados por muros intransponíveis, mas coabitam no mesmo ser. Somos seres racionais e passionais.

O despertar da razão não libertou o ser humano dos seus fantasmas, nem o fez superar as crendices. Os monstros continuam a assombrar o mundo dos vivos! A Razão gerou outras monstruosidades no século XX, o século das guerras mundiais, da barbárie nazifascista, do Big Brother imaginado por George Orwell na obra 1984, do barbarismo das bombas atômicas lançadas pelos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki, etc. A Razão foi instrumentalizada e, paradoxalmente, alimentou a irracionalidade. Por outro lado, as religiões profanas – ideologias – engendraram formas de fanatismos tão obscurantistas quanto aqueles que os iluministas combatiam no século XVIII. Não esqueçamos que a barbárie é praticada com racionalidade. Eram pessoas racionais, muitos deles com títulos acadêmicos, que projetaram, por exemplo, a máquina da morte nos tempos sombrios da Alemanha hitlerista. Como escreve Rouanet:

“Depois de Marx e Freud, não podemos mais aceitar a idéia de uma razão soberana, livre de condicionamentos materiais e psíquicos. Depois de Weber, não há como ignorar a diferença entre uma razão substantiva, capaz de pensar fins e valores, e uma razão instrumental, cuja competência se esgota no ajustamento de meios a fins. Depois de Adorno, não é possível escamotear o lado repressivo da razão, a serviço de uma astúcia imemorial, de um projeto imemorial de dominação da natureza e sobre os homens. Depois de Foucault, não é lícito fechar os olhos ao entrelaçamento do saber e do poder. Precisamos de um racionalismo novo, fundado numa nova razão”. [3]

Rouanet propugna por uma nova razão, que reconheça os próprios limites e seja capaz da crítica e autocrítica; que a razão louca seja substituída pela razão sábia. Assim, ele busca resgatar a Razão iluminista, para que se complete o trabalho de secularização. Sábia ou louca, a Razão permanece segregada, como uma característica especial e definidora do que é o ser humano. Este, porém, é uma totalidade que incorpora o racional e a paixão. Onde está a tal da essência humana tão apregoada pelos visionários do futuro? Talvez Jean-Jacques Rousseau, Marques de Sade e outros autores, possam contribuir para a percepção de que o humano é também paixão, natureza e irracionalidade. A barbárie, lamento insistir, também é humana. O humanismo cândido, liberal ou marxista, tem um ideal de ser humano que só existe enquanto abstração racionalizada. Parece-me que a Razão deve ser orientada pela paixão e vice-versa, pois elas constituem o mesmo ser que pensa e sente!


[1] BONFIM, Manuel. A América Latina. In: SANTIAGO, Silviano. (Org.) Intérpretes do Brasil. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2000, p. 631.

[2] Ver ROUSSEAU, Jean-Jacques (1971). Discours sur les Sciences et les Arts. Paris: Flammarion, entre outras obras do autor.

[3] ROUANET, Sergio Paulo. As razoes do iluminismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 12.

Antonio Ozaí da Silva | 29/09/2012 em 23:10 | Categorias: reflexões do quotidiano | URL: http://wp.me/pDZ7T-wf

 

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publicado por animalsapiens às 12:05

28
Set 12

Esta semana, peguei por acaso uma entrevista com um professor de uma Universidade, creio que paulista, que levantava uma questão que tem preocupado muitos pensantes. O fim do diálogo. Dentre os sinais dessa mudança generalizada de comportamento, ele citou uma frase que vem se tornando muito comum: vamos direto ao assunto, que é justamente impedir o diálogo. Ir direto ao assunto é traçar uma linha entre um ponto A e um ponto B, sem as curvas e meandros que promovem a interação humana.

 

Isso está colado a um outro problema: a 'síndrome do não tenho tempo'. A pergunta que se apresenta é se a pessoa realmente não tem tempo (deveria rever sua rotina antes que infarte), ou se não está sabendo administrar o tempo de forma a ver resultados positivos, inclusive na vida de relação. Um bom tema para se refletir.

publicado por animalsapiens às 14:29

26
Set 12

Democracia formal e prescrição hipnótica (6)

Sexto número da série. Escrevi no número anterior que  a linguagem tornou-se serva da manipulação na sociedade do espectáculo e dos rituais de linguagem. Os órgãos de comunicação de massa do neoliberalismo administram diariamente o soporífero dos atributos feiticistas que são havidos por inerentes à democracia: liberdade de expressão e eleições livres. Mediante esses atributos, a democracia formal aparece então como única e definitiva. A sociedade do espectáculo é o seu molde. Se não se importam, prossigo mais tarde. Crédito da imagem aqui.
(continua)


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publicado por animalsapiens às 12:02

25
Set 12

Chris Hedges: Orwell estava certo. Huxley, também

Published on Monday, December 27, 2010 by TruthDig.com

2011: A Brave New Dystopia

by Chris Hedges

As duas grandiosas visões sobre uma futura distopia foram as de George Orwell em 1984 e de Aldous Huxley em Brave New World. O debate entre aqueles que assistiram nossa decadência em direção ao totalitarismo corporativo era sobre quem, afinal, estava certo. Seria, como Orwell escreveu, dominado pela vigilância repressiva e pelo estado de segurança que usaria formas cruas e violentas de controle? Ou seria, como Huxley anteviu, um futuro em que abraçariamos nossa opressão embalados pelo entretenimento e pelo espetáculo, cativados pela tecnologia e seduzidos pelo consumismo desenfreado? No fim, Orwell e Huxley estavam ambos certos. Huxley viu o primeiro estágio de nossa escravidão. Orwell anteviu o segundo.

Temos sido gradualmente desempoderados por um estado corporativo que, como Huxley anteviu, nos seduziu e manipulou através da gratificação dos sentidos, dos bens de produção em massa, do crédito sem limite, do teatro político e do divertimento. Enquanto estávamos entretidos, as leis que uma vez mantiveram o poder corporativo predatório em cheque foram desmanteladas, as que um dia nos protegeram foram reescritas  e nós fomos empobrecidos. Agora que o crédito está acabando, os bons empregos para a classe trabalhadora se foram para sempre e os bens produzidos em massa se tornaram inacessíveis, nos sentimos transportados do Brave New World para 1984. O estado, atulhado em déficits maciços, em guerras sem fim e em golpes corporativos, caminha em direção à falência.

[...]

Orwell nos alertou sobre um mundo em que os livros eram banidos. Huxley nos alertou sobre um mundo em que ninguém queria ler livros. Orwell nos alertou sobre um estado de guerra e medo permanentes. Huxley nos alertou sobre uma cultura de prazeres do corpo. Orwell nos alertou sobre um estado em que toda conversa e pensamento eram monitorados e no qual a dissidência era punida brutalmente. Huxley nos alertou sobre um estado no qual a população, preocupada com trivialidades e fofocas, não se importava mais com a verdade e a informação. Orwell nos viu amedrontados até a submissão. Mas Huxley, estamos descobrindo, era meramente o prelúdio de Orwell. Huxley entendeu o processo pelo qual seríamos cúmplices de nossa própria escravidão. Orwell entendeu a escravidão. Agora que o golpe corporativo foi dado, estamos nus e indefesos. Estamos começando a entender, como Karl Marx sabia, que o capitalismo sem limites e desregulamentado é uma força bruta e revolucionária que explora os seres humanos e o mundo natural até a exaustão e o colapso.

“O partido busca todo o poder pelo poder”, Orwell escreveu em 1984. “Não estamos interessados no bem dos outros; estamos interessados somente no poder. Não queremos riqueza ou luxo, vida longa ou felicidade; apenas poder, poder puro. O que poder puro significa você ainda vai entender. Nós somos diferentes das oligarquias do passado, já que sabemos o que estamos fazendo. Todos os outros, mesmo os que se pareciam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos chegaram perto pelos seus métodos, mas eles nunca tiveram a coragem de reconhecer seus próprios motivos. Eles fizeram de conta, ou talvez tenham acreditado, que tomaram o poder sem querer e por um tempo limitado, e que logo adiante havia um paraíso em que os seres humanos seriam livres e iguais. Não somos assim. Sabemos que ninguém toma o poder com a intenção de entregá-lo. Poder não é um meio; é um fim. Ninguém promove uma ditadura com o objetivo de assegurar a revolução; se faz a revolução para assegurar a ditadura. O objeto da perseguição é perseguir. O objeto de torturar é a tortura. O objeto do poder é o poder”.

O filósofo político Sheldon Wolin usa o termo “totalitarismo invertido” no livro “Democracia Ltda.” para descrever nosso sistema político. É um termo que não faria sentido para Huxley. No totalitarismo invertido, as sofisticadas tecnologias de controle corporativo, intimidação e manipulação de massas, que superam em muito as empregadas por estados totalitários prévios, são eficazmente mascaradas pelo brilho, barulho e abundância da sociedade de consumo. Participação política e liberdades civis são gradualmente solapadas. O estado corporativo, escondido sob a fumaça da indústria de relações públicas, da indústria do entretenimento e do materialismo da sociedade de consumo, nos devora de dentro para fora. Não deve nada a nós ou à Nação. Faz a festa em nossa carcaça.

O estado corporativo não encontra a sua expressão em um líder demagogo ou carismático. É definido pelo anonimato e pela ausência de rosto de uma corporação. As corporações, que contratam porta-vozes atraentes como Barack Obama, controlam o uso da ciência, da tecnologia, da educação e dos meios de comunicação de massa. Elas controlam as mensagens do cinema e da televisão. E, como no Brave New World, elas usam as ferramentas da comunicação para aumentar a tirania. Nosso sistema de comunicação de massas, como Wolin escreveu, “bloqueia, elimina o que quer que proponha qualificação, ambiguidade ou diálogo, qualquer coisa que esfraqueça ou complique a força holística de sua criação, a sua completa capacidade de influenciar”.

O resultado é um sistema monocromático de informação. Cortejadores das celebridades, mascarados de jornalistas, experts e especialistas, identificam nossos problemas e pacientemente explicam seus parâmetros. Todos os que argumentam fora dos parâmetros são desprezados como chatos irrelevantes, extremistas ou membros da extrema esquerda. Críticos sociais prescientes, como Ralph Nader e Noam Chomsky, são banidos. Opiniões aceitáveis cabem, mas apenas de A a B. A cultura, sob a tutela dos cortesãos corporativos, se torna, como Huxley notou, um mundo de conformismo festivo, de otimismo sem fim e fatal.

Nós nos ocupamos comprando produtos que prometem mudar nossas vidas, tornar-nos mais bonitos, confiantes e bem sucedidos — enquanto perdemos direitos, dinheiro e influência. Todas as mensagens que recebemos pelos meios de comunicação , seja no noticiário noturno ou nos programas como “Oprah”, nos prometem um amanhã mais feliz e brilhante. E isso, como Wolin apontou, é “a mesma ideologia que convida os executivos de corporações a exagerar lucros e esconder prejuízos, sempre com um rosto feliz”. Estamos hipnotizados, Wolin escreve, “pelo contínuo avanço tecnológico” que encoraja “fantasias elaboradas de poder individual, juventude eterna, beleza através de cirurgia, ações medidas em nanosegundos: uma cultura dos sonhos, de cada vez maior controle e possibilidade, cujos integrantes estão sujeitos à fantasia porque a grande maioria tem imaginação, mas pouco conhecimento científico”.

Nossa base manufatureira foi desmantelada. Especuladores e golpistas atacaram o Tesouro dos Estados Unidos e roubaram bilhões de pequenos acionistas que tinham poupado para a aposentadoria ou o estudo. As liberdades civis, inclusive o habeas corpus e a proteção contra a escuta telefônica sem mandado, foram enfraquecidas. Serviços básicos, inclusive de educação pública e saúde, foram entregues a corporações para explorar em busca do lucro. As poucas vozes dissidentes, que se recusam a se engajar no papo feliz das corporações, são desprezadas como freaks.

[...]

A fachada está desabando. Quanto mais gente se der conta de que fomos usados e roubados, mais rapidamente nos moveremos do Brave New World de Huxley para o 1984 de Orwell. O público, a certa altura, terá de enfrentar algumas verdades doloridas. Os empregos com bons salários não vão voltar. Os maiores déficits da história humana significam que estamos presos num sistema escravocrata de dívida que será usado pelo estado corporativo para erradicar os últimos vestígios de proteção social dos cidadãos, inclusive a Previdência Social.

O estado passou de uma democracia capitalista para o neo-feudalismo. E quando essas verdades se tornarem aparentes, a raiva vai substituir o conformismo feliz imposto pelas corporações. O vazio de nossos bolsões pós-industriais, onde 40 milhões de norte-americanos vivem em estado de pobreza e dezenas de milhões na categoria chamada “perto da pobreza”, junto com a falta de crédito para salvar as famílias do despejo, das hipotecas e da falência por causa dos gastos médicos, significam que o totalitarismo invertido não vai mais funcionar.

Nós crescentemente vivemos na Oceania de Orwell, não mais no Estado Mundial de Huxley. Osama bin Laden faz o papel de Emmanuel Goldstein em 1984. Goldstein, na novela, é a face pública do terror. Suas maquinações diabólicas e seus atos de violência clandestina dominam o noticiário noturno. A imagem de Goldstein aparece diariamente nas telas de TV da Oceania como parte do ritual diário da nação, os “Dois Minutos de Ódio”. E, sem a intervenção do estado, Goldstein, assim como bin Laden, vai te matar. Todos os excessos são justificáveis na luta titânica contra o diabo personificado.

A tortura psicológica do cabo Bradley Manning — que está preso há sete meses sem condenação por qualquer crime — espelha o dissidente Winston Smith de 1984. Manning é um “detido de segurança máxima” na cadeia da base dos Fuzileiros Navais de Quantico, na Virginia. Eles passa 23 das 24 horas do dia sozinho. Não pode se exercitar. Não pode usar travesseiro ou roupa de cama. Médicos do Exército enchem Manning de antidepressivos. As formas cruas de tortura da Gestapo foram substituídas pelas técnicas refinadas de Orwell, desenvolvidas por psicólogos do governo, para tornar dissidentes como Manning em vegetais. Quebramos almas e corpos. É mais eficaz. Agora todos podemos ir ao temido quarto 101 de Orwell para nos tornarmos obedientes e mansos.

Essas “medidas administrativas especiais” são regularmente impostas em nossos dissidentes, inclusive em Syed Fahad Hasmi, que ficou preso sob condições similares durante três anos antes do julgamento. As técnicas feriram psicologicamente milhares de detidos em nossas cadeias secretas em todo o mundo. Elas são o exemplo da forma de controle em nossas prisões de segurança máxima, onde o estado corporativo promove a guerra contra nossa sub-classe política – os afro-americanos. É o presságio da mudança de Huxley para Orwell.

“Nunca mais você será capaz de ter um sentimento humano”, o torturador de Winston Smith diz a ele em 1984.”Tudo estará morto dentro de você. Nunca mais você será capaz de amar, de ter amigos, do prazer de viver, do riso, da curiosidade, da coragem ou integridade. Você será raso. Vamos te apertar até esvaziá-lo e vamos encher você de nós”.

O laço está apertando. A era do divertimento está sendo substituída pela era da repressão. Dezenas de milhões de cidadãos tiveram seus dados de e-mail e de telefone entregues ao governo. Somos a cidadania mais monitorada e espionada da história humana. Muitos de nós temos nossa rotina diária registrada por câmeras de segurança. Nossos hábitos ficam gravados na internet. Nossas fichas são geradas eletronicamente.  Nossos corpos são revistados em aeroportos e filmados por scanners. Anúncios públicos, selos de inspeção e posters no transporte público constantemente pedem que relatemos atividade suspeita. O inimigo está em toda parte.

Aqueles que não cumprem com os ditames da guerra contra o terror, uma guerra que, como Orwell notou, não tem fim, são silenciados brutalmente. Medidas draconianas de segurança foram usadas contra protestos no G-20 em Pittsburgh e Toronto de forma desproporcional às manifestações de rua. Mas elas mandaram uma mensagem clara — NÃO TENTE PROTESTAR. A investigação do FBI contra ativistas palestinos e que se opõem à guerra, que em setembro resultou em buscas em casas de Minneapolis e Chicago, é uma demonstração do que espera aqueles que desafiam o Newspeak oficial. Os agentes — ou a Polícia do Pensamento — apreenderam telefones, computadores, documentos e outros bens pessoais. Intimações para aparecer no tribunal já foram enviadas a 26 pessoas. As intimações citam leis federais que proíbem “dar apoio material ou recursos para organizações terroristas estrangeiras”. O Terror, mesmo para aqueles que não tem nada a ver com terror, se torna o instrumento usado pelo Big Brother para nos proteger de nós mesmos.

“Você está começando a entender o mundo que estamos criando?”, Orwell escreveu. “É exatamente o oposto daquelas Utopias estúpidas que os velhos reformistas imaginaram. Um mundo de medo, traição e tormento, um mundo em que se atropela e se é atropelado, um mundo que, ao se sofisticar, vai se tornar cada vez mais cruel”.

www.viomundo.com.br
__._,_.

publicado por animalsapiens às 11:51

23
Set 12

"Há quem viva toda uma vida em um minuto" - Frase do filme 'Perfume de mulher', numa de suas mais belas cenas (o cego, vivido por Al Pacino, dançando tango).

publicado por animalsapiens às 13:29

Novo post em blog do ozaí

Sobre o elogio, a crítica e a polêmica

by Antonio Ozaí da Silva

Não escrevo para convencer ninguém, apenas expresso as minhas opiniões. Recebo comentários elogiosos e críticos dos leitores. Os elogios afagam o ego e as críticas me fazem pensar. Considero normal! Cada indivíduo tem interesses a defender – ainda que em nome da coletividade –, possui uma história de vida singular e abraça uma concepção de vida e do ser no mundo diferentes. Cada um sente e racionaliza sobre a vida e o mundo à sua maneira. Os indivíduos interpretam as palavras de acordo com as suas idiossincrasias. Aquele que emite a mensagem não tem o mínimo controle sobre a interpretação. As palavras provocam reações diferentes.

Se nos identificamos com a escrita do outro é porque expressa o que pensamos e sentimos. De certa forma, o elogio é uma forma de autoconvencimento. Por isso, tendemos à indulgência, a não percebemos os aspectos críticos. No pior dos casos, a abdicação da reflexão nos leva à aceitação cega das palavras que ouvimos e/ou lemos. E não é muito difícil encontrar os adoradores dos pequenos e grandes profetas e os leitores de um livro só! Sempre há quem prefira seguir cegamente slogans proferidos pelos líderes, pois isto poupa o exercício de pensar! A personalidade autoritária alenta os inseguros.

A crítica é fundamental! Sem ela corremos o risco do auto-engano, de nos refugiarmos em nossos castelos de areias e torres de marfim. Sem o questionamento das nossas verdades, anulamos a possibilidade de aprender e alimentamos o auto-engodo. A crítica nos indica caminhos não imaginados, aponta equívocos, faz com que percebamos os limites do nosso raciocínio, mostra outras maneiras de dizer as mesmas palavras. Em suma, a crítica ensina e instiga a pensar. Devemos, portanto, agradecer a quem nos oferece a contribuição de questionar nossas opiniões.

A crítica talvez seja uma forma de elogio. Imagino que o crítico reconheça algum valor em seu interlocutor. Do contrário, por que perderia tempo em criticar? Pessoalmente, considero risível a tal da crítica construtiva. Mas há a crítica e a crítica! O que diferencia é a forma de expressá-la. Parece-me que o fator diferencial é a postura do crítico, isto é, se ele adota um posicionamento dialógico ou não. Infelizmente, em geral as críticas não estabelecem o diálogo entre seres humanos, interlocutores que pensam e sentem diferentemente sobre questões específicas. Sem dialogia, não há debate genuíno, mas sim “verdades” que se contrapõem como irrefutáveis, discursos voltados ao ego ou direcionado aos convertidos.

Há quem adore polemizar! Para muitos, a polêmica é tão necessária como o ar que respira, é o alimento vital para sentir a existência. Para Foucault, a polêmica é uma “figura parasitária da discussão e obstáculo à busca da verdade”. Ela “define alianças, recruta partidários, produz a coalizão de interesses ou opiniões, representa um partido; faz do outro um inimigo portador de interesses opostos contra o qual é preciso lutar até o momento em que, vencido, ele nada mais terá a fazer senão se submeter ou desaparecer”.*

Nestas condições, a polêmica não cumpre papel elucidativo. Concordo com o filósofo francês. Como já disse, não escrevo para fazer cabeça ou converter. Não quero impor a verdade, nem conquistar seguidores. Estou aberto a dialogar e aprender. O melhor critério da verdade ainda é a prática. Na medida em que a polêmica delimita trincheiras instransponíveis e anula o diálogo, não vale a pena polemizar! ** O confronto de egos pode até ser prazeroso para uns, mas não é o meu caso. Sendo sincero, causa-me sofrimento. Não obstante, olhando pelo retrovisor do tempo, vejo que tenho uma capacidade indesejável de atrair polêmicas! Por que?! Ironia da vida!


* FOUCAULT, M. “Polêmica, política e problematizações (1984)”, in FOUCAULT, Michel. Ética, Sexualidade, Política. Organização e seleção de textos, Manoel Barros da Mota. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. (Ditos e escritos; V), p. 226.

** Ver Vale a pena polemizar?, publicado em 15.10.2011.

Antonio Ozaí da Silva | 22/09/2012 em 21:24 | Categorias: reflexões do quotidiano | URL: http://wp.me/pDZ7T-w5

 

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publicado por animalsapiens às 13:26

22
Set 12
publicado por animalsapiens às 01:13
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21
Set 12

Samora Machel

"As ideias, os valores, os hábitos, os usos e costumes, o conjunto das normas inconscientes que regulam o comportamento quotidiano do indivíduo, são expressões da ideologia e cultura da sociedade existente. Acontece que todos nós nascemos e crescemos na sociedade exploradora, fomos profundamente impregnados da sua ideologia e cultura, por isso é-nos difícil e por vezes parece-nos impossível o combate interno, contra o que cremos constituir o nosso esqueleto moral. Arrancar de nós a ideologia e cultura exploradora para assumirmos e vivermos, no detalhe do quotidiano, a ideologia e cultura requeridas pela revolução, constitui a essência do combate pela criação do homem novo." - Excerto de um discurso de Samora Machel num simpósio de homenagem a Amílcar Cabral em 1973 - Bragança, Aquino de e Wallerstein, Immanuel, Quem é o inimigo (II). Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1978, p. 176.


Read more: http://www.oficinadesociologia.blogspot.com.br/#ixzz276GPpptP

publicado por animalsapiens às 11:46

18
Set 12

Para quem não entende porque um filme amador que ofende o Islã e seu profeta maior, Maomé, gerou tanta reação, basta experimentar colocar Jesus no lugar e ver o que acontece no Ocidente. Referências negativas a divindades, lideranças religiosas, tradições de longa data, não poderiam gerar outra coisa que não fosse a violência, já que essas são âncoras para a vida espiritual, como também emocional e social, de muitos povos.

 

A guerra entre ocidentais e islâmicos, criada pelos angloamericanos e aliados, em seus propósitos de expansão e controle do Oriente Médio, vem gerando confusão, uma visão distorcida de uma cultura e, principalmente, reações de agressividade e violência de parte a parte.

 

Já tive alunos, jovens que jamais víram um semita na vida, menos ainda um muçulmano, terem reações emocionais extremamente negativas diante de qualquer referência ao mundo islâmico. A longa propaganda antissemita e de 'caça aos terroristas' afeta a formação psicossocial desses jovens, levando-os a não tolerarem inclusive o que não conhecem, a não ser de segunda mão, de 'ouvi dizer'.

 

Enfim, pagamos um alto preço em vidas, em incertezas e inseguranças, por conta dessas práticas medievais de perseguições por motivação mais geopolítica do que religiosa ou ideológica. A violência vai aumentar enquanto não se repensar os rumos que damos aos nossos atos diante de tudo isso, e certamente a intolerância é o combustível desse  crime de lesa-humanidade.

publicado por animalsapiens às 11:38

16
Set 12
publicado por animalsapiens às 13:13

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