Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

30
Abr 12

Desemprego afectivo

Há muitas crianças de mão estendida nos cruzamentos e nas ruas da cidade de Maputo. Como há muitos adultos fazendo o mesmo. Como há muitas jovens prostituindo-se. E deficientes mentais. O que significa isso? Por hipótese significa que há uma fractura familiar generalizada e sempre progredindo, que as famílias têm crescentes dificuldades de sobrevivência. Essa fractura tem a ver com uma fractura social global decorrente do modo de produção da vida que temos. Decorrente dessa fractura surge o que chamarei desemprego afectivo. O que significa isso? Significa que muitas pessoas perderam o lugar e a segurança no amor, no respeito e na disponibilidade para compreensão e ajuda. Sem dúvida que é sensato pensar-se em campanhas de sensibilização tendentes a reverter semelhante estado de coisas. Mas enquanto não houver uma reflexão profunda sobre o nosso modo de produção de vida, essas campanhas terão, apenas, o efeito precário das aspirinas. Finalmente: recorde aqui.


http://www.oficinadesociologia.blogspot.com.br/

publicado por animalsapiens às 23:12

29
Abr 12

Novo post em blog do ozaí

O sofrimento

by Antonio Ozaí da Silva

 

O grito (Skrik), pintura de Edvard Munch (1893)

Sofrer é um verbo que se conjuga na primeira pessoa. Ninguém pode expressar a intensidade do sofrimento do outro. Sim, pode-se sofrer juntos; sofremos, portanto! Mas não é possível sentir o que o outro sente. A dor que sinto é minha e de mais ninguém. “A verdade da dor reside naquele que a sofre”, afirma Alain Corbin.* Mas, se houvesse como medir, qual dor é mais pungente: a física ou a psíquica? É preferível a dor do corpo ao tormento da alma?

Há quem faça questão de mostrar que sofre. Chegam a causar um certo mal-estar; cronicamente deprimidos, parecem não suportar a alegria manifestada ao seu redor. No limite, parecem culpar os demais pela própria situação. São carentes egoístas. É-lhes quase que insuportável não receber todas as atenções que acreditam merecer. Querem afagos ao ego, não suportam a crítica. São imprevisíveis e frágeis como cristal. Diante deles, o melhor a fazer é manter o silêncio.

O sofrimento não é privilégio de ninguém. Não nos tornamos especiais porque sofremos, pois cada ser humano está sujeito a sofrer e sofre a seu modo. Se uma pessoa não chora no funeral do ente amado não significa que não tenha sentimentos, que não sofra. Quem sabe sua dor seja ainda mais intensa por não se manifestar. Talvez seja mais sensato e respeitoso sofrer silenciosamente e suportar a dor no recôndito da alma. Por que, por exemplo, o aluno deve suportar o mau humor do professor se também sofre e as razões do seu sofrer são desconhecidas para o docente? O aluno e o colega de trabalho não são culpados do meu sofrer, nem são meus psicólogos. Devo, portanto, poupá-los e, perante eles, agir como profissional e cumprir a minha função da melhor forma possível. Se isto se revelar impossível, pois o sofrimento pode tornar-se insuportável, então devo me afastar da sala de aula para tratar da minha saúde psíquica.

O sofrer não me concede qualquer direito especial sobre os demais. Às vezes, agimos de tal maneira que afastamos as pessoas e, paradoxalmente, isto nos faz sofrer ainda mais. Em nosso egocentrismo imputamos a “culpa” à insensibilidade do outro, mas nos recusamos a olhar para dentro de nós mesmos e a fazemos a reflexão necessária sobre as nossas atitudes. Por que, em vez de cobrar o outro por não se adequar às nossas expectativas, não fazemos auto-análise? Será o receio de descobrir que o problema está no eu que anula a possibilidade do nós? Todos temos carências, todos precisamos e queremos atenção. O carente mórbido, no entanto, age como se carregasse todo o fardo do mundo. Ele deseja que permaneçamos em sua órbita, é o centro do mundo!

O sofrimento é inerente à existência humana. Uns sofrem por amar, outros por não serem amados; sofre-se pela separação ou por querer estar junto; sofre-se por amar demais e pela ausência do ser amado; sofre-se pela consciência da culpa e também por culpar; sofre-se, enfim, por motivos que, aos olhos dos outros, parecem banais. Um gesto, uma palavra, uma frase podem causar sofrimento. Mas também a ausência do gesto, da palavra e da frase pode fazer sofrer. Sofre-se pela morte dos que amamos, por ver o sofrimento físico e pela incapacidade de ajudar, etc. Em algum momento da vida, de uma forma ou de outra, todos sofremos. Não obstante, talvez mais dilacerante que o sofrer seja a consciência de ser o móbil do sofrimento do ser amado, quando o sentimento da culpa atormenta a alma.

Só a morte nos liberta de todo o sofrer! Quem sabe seja esta a principal mensagem que o suicida nos lega. Fico a pensar sobre a intensidade da dor, do sofrer que dilacera o corpo e a alma e a desesperança de quem comete o suicídio. Por isso, embora ame demais a vida e não recomende tal solução a ninguém, tento compreender este gesto!


* CORBIN, Alain. Dores, sofrimentos e misérias do corpo. In: História do corpo: da Revolução à Grande Guerra, sob a direção de Alain Corbin, Jean-Jacques Courtine e Georges Vigarello, Petrópolis, RJ: Vozes, 2009, p.330.

Antonio Ozaí da Silva | 28/04/2012 at 22:13 | Categorias: reflexões do quotidiano | URL: http://wp.me/pDZ7T-rP

 

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publicado por animalsapiens às 12:34

27
Abr 12
publicado por animalsapiens às 22:22

26
Abr 12

 

O emprego do pronome indefinido.

 
Era uma vez quatro indivíduos que se chamavam todos, alguém, cada um e ninguém.
Existia um importante trabalho a ser feito e pediram a todos para faze-lo.
Todos tinha certeza que alguém o faria. Cada um poderia te-lo feito, mas na realidade ninguém o fez. Alguém se zangou, pois era trabalho de todos! Todos pensaram que cada um poderia te-lo feito e ninguém duvidava de que alguém o faria.
No fim das contas, todos fizeram críticas a cada um porque ninguém tinha feito o que alguém poderia ter feito.
Moral da história:
Sem querer recriminar a todos, seria bom que cada um fizesse aquilo que deve fazer sem alimentar esperanças de que alguém vá faze-lo em seu lugar...
A experiência mostra que lá onde se espera alguém, geralmente não se encontra ninguém.
Repasso a todos a fim de que cada um possa repassa-lo a alguém sem esquecer-se de ninguém.
 
publicado por animalsapiens às 11:14

24
Abr 12

Água: o Banco Mundial insiste em privatizar

Segundo revela novo estudo, instituição continua financiando políticas que entregam abastecimento a grandes grupos econômicos — apesar de décadas de fracasso

Por Johanna Treblin, na IPS/Envolverde

Apesar de ficar demonstrado que a privatização da água é prejudicial para os pobres, um quarto dos fundos do Banco Mundial vão diretamente para empresas do setor, afirma um documento divulgado semana passada. O estudo assegura que o Banco apoia as empresas privadas da água, passando por cima de governos e de seus próprios padrões de transparência.

As populações de muitos países do Sul em desenvolvimento têm difícil acesso a água potável, e o enfoque para remediar este problema tem sido depender cada vez mais de empresas privadas. Entretanto, isto é pernicioso, segundo o informe da organização não governamental Corporate Accountability International (CAI), com sede nos Estados Unidos.

A CAI exortou o Banco Mundial a deixar de financiar o setor privado da água e mudar a direção dos fundos para focá-los em instituições públicas e democraticamente responsáveis. A divulgação do informe, intitulado Shutting the Spigot on Private Water: Case for the World Bank do Divest (Fechando a torneira para a água privada: argumentos para que o Banco Mundial desinvista), coincide com o início das reuniões que esse organismo realiza com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Corporação Financeira Internacional (CFI), ramo do Banco dedicado a fomentar o desenvolvimento econômico por meio do setor privado, investiu US$ 1,4 bilhão em empresas de água desde 1993, segundo o estudo. Até janeiro de 2013, os investimentos crescerão US$ 1 bilhão ao ano. O informe também assinala que, para cada dólar que a CFI coloca em um projeto, ela atrai entre US$ 14 e US$ 18 em investimentos privados complementares.

Isto explica porque o Banco Mundial e a CFI continuam financiando companhias privadas de água, mesmo quando cerca de um terço de todos os contratos assinados entre 2000 e 2010 fracassaram ou estão em risco de fracassar, quatro vezes mais do que no caso de projetos de infraestrutura nos setores de eletricidade e transporte, segundo a CAI.

“Em lugar de se concentrar em garantir o acesso a água potável inclusive  economicamente, o Banco Mundial promove medidas que deixarão mais cara a água para os consumidores”, diz, por outro lado, um informe de 2010 da organização não governamental Food and Water Watch. O alto custo também pode ser definido em termos humanos. O mesmo documento indica que a má qualidade da água e do saneamento permite a propagação de parasitas que “são a principal causa de doenças e mortes no mundo em desenvolvimento”.

A CAI também crítica vários conflitos de interesses, como o fato de o Banco Mundial ser dono de empresas do setor da água enquanto se apresenta como conselheiro imparcial. No fim das contas, o “Banco Mundial é o motor por trás desta invasão corporativa nos sistemas e nos serviços de água”, afirmou a CAI em seu site. O Banco Mundial estimula os países a privatizarem seus sistemas de água ou modificá-los para que tenham por foco o lucro, acrescentou.

O Banco Mundial também promove o desenvolvimento de infraestruturas que oferecem vantagens para os “usuários de grandes corporações, acima dos interesses dos indivíduos ou das comunidades”, afirma a diretora-executiva da CAI, Kelle Louaillier. “Em meio a uma crise mundial da água, o Banco está desperdiçando os recursos necessários para salvar milhões de vidas. Seus estatutos estabelecem que deve ajudar os que têm mais necessidade, mas sua aposta financeira nas corporações da água está criando perversos incentivos que solapam a própria missão do Banco”, enfatizou.

Segundo a CAI, as privatizações prejudicam os mais pobres, limitando o acesso ao recurso e afetando os direitos humanos, com ocorreu em Manila, Filipinas, onde o Banco Mundial ajudou o governo filipino a desenhar um plano de privatização. “Anos depois, muitos moradores de Manila ainda carecem de água, e os problemas de acesso se agravaram”, disse Shayda Naficy, especialista da CAI. “A CFI chama isso de êxito, e foi, para seus investidores. Contudo, é um tremendo fracasso do ponto de vista dos moradores e seu direito à água”, ressaltou.

Por outro lado, um porta-voz do Banco Mundial disse à IPS que o informe da CAI desvirtua o papel do órgão e carece de profundidade. “Os serviços de financiamento e assessoria da CFI asseguraram água potável e saneamento a mais de 20 milhões de pessoas até 2011”, afirmou. “Se mudam as hierarquias, existe a possibilidade de o Banco mudar seu curso”, disse Louaillier hora antes da eleição, ontem, do novo presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, norte-americano de origem sul-coreana.

O candidato de Washington prevaleceu sobre outros que receberam importante apoio político: a ministra das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, e o ex-ministro das Finanças colombiano José Antonio Ocampo. O Banco Mundial sempre teve presidentes de nacionalidade norte-americana.

Há um ano, seu então presidente, Robert Zoellick, disse que o mundo necessitava de “nova geopolítica para uma economia multipolar, na qual todos estejam representados equitativamente em associações a favor das maiorias, e não em clubes para poucos”. Para ele, a crise financeira global marcou o fim dos velhos modelos de economia e desenvolvimento. Como consequência, categorizações como “primeiro mundo” ou “terceiro mundo”, “doadores” ou “beneficiários”, “líderes” ou “liderados”, já “não encaixam”, destacou Zoellick. No entanto, estas ideias não parece se refletir dentro do próprio banco. (www.outraspalavras.net)

publicado por animalsapiens às 12:08

22
Abr 12

Novo post em blog do ozaí

Música para viver melhor!

by Antonio Ozaí da Silva

para Karyni, Karolyni e Eduardo


Sou do tempo do disco de vinil – Long Play (LP). Uma época na qual a aquisição de um disco exigia aperto no orçamento. Recordo que aos sábados íamos à São Caetano, ABC paulista, em lojas tipo saldão que vendiam LPs a preços módicos. Às vezes, o gosto musical induzia ao sacrifício orçamentário para comprar o vinil novo. Forço a memória, mas não consigo lembrar o primeiro disco comprado. Também pudera! Estou nas raias do cinqüentenário e lá se foram os anos. Contudo, recordo do presente que ganhei: o LP duplo Bee Gees Greatest. Inesquecível! Foi a fase do sucesso, quase que uma febre, do Saturday Night Fever (Os embalos de sábado à noite) e Grease – nos tempos da brilhantina.

Já naquela época o meu gosto musical era democrático – ou, como se diz, eclético. Ouvia samba, música caipira, trilhas sonoras de novela, músicas românticas, rock nacional e internacional e o que tocava nas discotecas. Mas havia limites! Não gostava, por exemplo, de música clássica. Era quase que um preconceito. Quando, anos depois, ouvi Vivaldi, Beethoven, etc., me rendi. Já era o tempo do CD e, entre os primeiros que adquiri, um era a música de Antonio Vivaldi. Fiquei maravilhado com o som do CD.

Hoje, dezenas e centenas de CDs cabem num HD, no formato MP3. Fico admirado com as possibilidades do acesso a qualquer estilo musical. Gosto de experimentar, de ouvir o que não conheço! Nada se compara, porém, à experiência de ouvir música ao vivo. Fui a poucos shows. Certa vez, quando ainda cursava o secundário na Escola Estadual Mário Casassanta, bairro da Vila Alpina, zona leste de São Paulo, teve a apresentação de bandas de rock. Gostei daquela barulheira! Doutra feita, fui ao show do Chico Buarque; também assisti à apresentação do Língua de Trapo, Zé Geraldo, Geraldo Azevedo, etc.

Das minhas vivências musicais há três experiências marcantes: a apresentação da orquestra na Fundação Santo André (quando graduava em Ciências Sociais); da Karyni Da Vila e a irmã Karolyni Da Vila; e o show da Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR), da qual participa o Eduardo Amaral.

Como é envolvente o som da orquestra! Fico admirado com a harmonia entre os diversos instrumentos, os músicos e as musicistas. É simplesmente maravilhoso ver e ouvir o som harmônico produzido por tamanha diversidade. Não é menos impactante o solo ou, como na apresentação da Karyni e Karolyni, a harmonia musical de dois instrumentos, a viola de arco e o violoncelo (o primeiro tocado pela Karyni; o segundo pela Karolyni). Elas se apresentaram aos calouros do curso de Ciências Sociais (DCS/UEM), no início deste semestre. Nada sei do que se passava nos corações e mentes dos futuros cientistas sociais presentes naquele dia, mas foi uma experiência de vida inesquecível. Agradeço a elas por aceitarem o convite.*

O passar do tempo contribui para o aprendizado e também para o refinamento do gosto musical – embora, diz o senso comum, gosto não se discute. Conheci o Blues, a história do Blues e, por este caminho cheguei ao Jazz e à História do Jazz. Hoje, adoro Blues e Jazz. Ouvir a Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR)** foi a oportunidade de vivenciar ao vivo o som que aprendi a gostar apenas ouvindo CDs, MP3 e/ou assistindo documentários que encontrei na internet.

Nada se compara ao ver e ouvir in loco. O olhar se perde no admirar, a alma se enleva, o corpo reage à variação do tom e a música comanda os sentidos. Sentir a música, se envolver no ritmo dos instrumentos e se deixar levar pela atmosfera harmoniosamente criada. Viver a experiência como única e intransferível. Momentos como estes deixam marcas indeléveis na alma e fazem a vida valer a pena ser vivida! A música estimula a imaginação, revivifica as lembranças, mas também faz esquecer. Seja como for, faz bem ouvir música – especialmente, ao vivo!


* A Karyni estuda música na UEM; a Karolyni é graduanda em Filosofia. Elas participam da Orquestra Filarmônica do Cesumar. O vídeo abaixo tem a participação delas.

** O vídeo  abaixo foi gravado com câmara digital. É apenas uma mostra parcial do trabalho da Orquestra de Sopros de Paranavaí, para que o leitor conheça.

 

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publicado por animalsapiens às 01:48

21
Abr 12
publicado por animalsapiens às 13:15

Não estás deprimido, estás distraído.
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver. 
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído. 
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude. 
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. 
E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte, apenas a mudança. 
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados. 
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural. 
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor. 
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; 
a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. 
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. 
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". 
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. 
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: 
se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)
Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, 
disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser. 

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez. 
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor. 
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas. 
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso. 
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.
 
Facundo Cabral.
publicado por animalsapiens às 13:06

19
Abr 12

Vivemos num mundo onde o medo manda, como diz Eduardo Galeano. Medo de comer e medo de não comer; medo do emprego e do desemprego; medo da polícia e do assaltante; medo de fazer e de não poder fazer ... o medo líquido, difuso, está presente em toda parte, como afirma Zygmunt Bauman.

 

Mas, se o que paralisava o Oriente era o medo (da morte, e da morte violenta), ao que parece este se esvai, aos poucos. O que paralisa o Ocidente é a apatia engendrada pela mídia, e esta também se evapora pouco a pouco, pela evidência crescente do fracasso do modelo de uma sociedade onde ninguém é feliz.

 

As mudanças virão. Não sem sofrimento, mas virão. Essa nova Idade Média que vivemos terá seu fim como a outra também teve e aí, quem sabe?, um novo Renascimento ?

publicado por animalsapiens às 13:00

17
Abr 12

"Os crimes cometidos por quem exerce a função de evitar a criminalidade devem ser punidos com penas dobradas - igualmente os cometidos contra crianças".

 

(in Memorial do Desterro, Lázaro Barreto, conto Assembleia dos excluídos; ed. pela Diocese de Divinópolis-Minas, 1995)

publicado por animalsapiens às 11:37

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