Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

31
Mar 12

Ainda me lembro bem dos programas com Artur da Távola, mesmo do último, pouco antes dele 'ficar encantado' e passar para o andar de cima. Ele sempre terminava o  programa com a sua conhecida frase: "Música é vida interior; e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão".

publicado por animalsapiens às 11:09

30
Mar 12

 

por Paulo R. Santos

 

Ouvimos por toda parte que os políticos são todos iguais, em malícia, interesses pessoais, hipocrisia etc. Não é verdade, por isso é bom abrir esse pequeno comentário salvaguardando as poucas exceções – é verdade –, mas que garantem algum andamento nas questões pertinentes ao interesse público.

 

Quanto à pergunta do título, a resposta parece ser simples. Tanto do ponto de vista ético, quanto do ponto de vista intelectual, os políticos de hoje estão vários pontos abaixo, inclusive daqueles dos tempos da ditadura. Sem saudosismo, nostalgia ou coisas que o valham, a história o prova: os políticos do passado tinham suas ideologias, suas bandeiras, seus princípios, formação intelectual (não necessariamente acadêmica) e ética, concordemos ou não com eles, no todo ou em parte.

 

Mas, então, o que houve de lá pra cá? A resposta parece ser simples também para essa questão: a política (partidária) foi privatizada. Da Câmara dos Vereadores, passando pelas Assembleias estaduais ao Congresso Nacional (Câmara e Senado), a maioria dos parlamentares está a serviço de empresas, corporações, Bancos ou religiões.

 

A política em si é ruim? Claro que não ! Política é, sobretudo, a arte (arte mesmo!) da convivência, e só por extensão é o ato de gerir o bem público. Todas as nossas atitudes são ações políticas. Silenciar ou falar. Tomar partido ou (supostamente) ser imparcial, são posicionamentos políticos. Nada que deixamos de fazer, ou que fazemos, deixa de ser um ato político.

 

E a política partidária ? Esta sim, está comprometida com interesses de classe, casta, grupos, empresas etc. A política dos partidos é partidária por representar interesses de uma parcela da população e nunca de toda ela.

 

A democracia é o melhor modo de conviver ? Não necessariamente. O problema é que ainda não inventamos outra forma melhor, e não desenvolvemos senso moral suficiente para que cada um seja capaz de controlar interesses pessoais (autogestão) ou de grupos, e deixar o bem coletivo acima deles. Além disso, as outras modalidades de convivência resvalam facilmente para ditaduras, seja de 'esquerda' ou de 'direita'.

 

Que fazer com a má política em vigor e com os maus políticos no poder ? Buscar conhecimentos relacionado à civilidade e urbanidade, e respeitar as regras indispensáveis ao bom convívio social. Conhecer minimamente as regras do jogo político para votar melhor, e não se deixar enganar. Não vender ou trocar votos por favores, pois assim você não tem como cobrar nada do político, pois – afinal de contas -, você já foi pago !

 

E se eu não fizer nada e deixar como está para ver como é que fica ? Fazendo isso você renuncia ao direito de reclamar, já que não se comprometeu em nada com a vida coletiva. Se os impostos aumentarem; se novos impostos aparecerem; se empresas forem claramente beneficiadas pelo “poder público”; se seus “representantes” não o representarem, mas representarem a si mesmos; se serviços essenciais deixarem de ser oferecidos; se faltar segurança ou cuidados com a saúde e educação; se as mortes no trânsito aumentarem junto com a corrupção política; se a incompetência administrativa se tornar um câncer ainda maior na máquina pública, … continue deixando como está até ver com fica !

 

 

publicado por animalsapiens às 13:20

Com a desculpa da ameaça comunista, o Brasil viveu longo período de exceção que jogou o país no atraso, na dependência externa (principalmente dos EUA) e perpetuou preconceitos, além de criar novas situações que nos prejudicam até hoje.

publicado por animalsapiens às 11:25

29
Mar 12

Capital e crises

"Na verdade o que existe é uma guerra permanente em toda a história do capitalismo." - David Harvey aqui.


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publicado por animalsapiens às 12:40

27
Mar 12


 

por, Paulo R. Santos

 



“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
Martin Luther King


Nunca antes a vida teve tão pouco valor. Não me refiro apenas à vida humana, mas de todos os seres sobre a terra, plantas e animais inclusive. E nunca antes a frase do reverendo M. Luther King teve tanta atualidade, considerando que, mesmo com as exceções, como o movimento dos 'Indignados', Wikileaks/Assange, Anonymous e outros, a quantidade dos que estão quietos em sua zona de conforto é muito grande.
Em recente entrevista pela TV, o psicanalista Flávio Gikovate disse que metade da população humana está com o equipamento emocional incompleto. Falta senso moral. Pessoas que cometem todos os tipos de erros e barbaridades, do homicídio à aparentemente simples omissão, sem sentimento de culpa. Essa ausência do sentimento de culpa, de compromisso com o todo, é a questão. É o 'deixa como está para ver como é que fica', e enquanto isso coisas ruins acontecem.
Não se trata de assumir individualmente as dores do mundo e sair por aí, quixotescamente, como um salvador da pátria, mas apenas de ter consciência de que algo está muito errado com nossa sociedade e que precisamos mudar isso. Somos a causa e somos também a solução.
A verdade é que estamos nos acostumando com a tragédia do cotidiano. O filósofo Ortega y Gasset afirmou que a vida é drama. Sem dúvida ! Mas mesmo um drama pode ser vivido com dignidade. O sociólogo Max Weber atribuiu boa parte dos desarranjos e sofrimentos da sociedade à dessacralização (ele chamou de desencantamento) do mundo. Visto por esse ângulo, o mundo e tudo o que ele contém se torna “coisa” e nada mais. Karl Marx também já havia tratado do assunto décadas antes.
Apesar dos avisos e alertas dos pensadores de várias tendências e épocas, chegamos ao ponto em que nos encontramos atualmente: diante do crescimento da violência sob várias formas, da incerteza quanto ao futuro, da falta de valores que sustentem nosso dia a dia, da ausência de sentido e de propósito da existência.
A tragédia humana se amplia na forma de violência contra si, contra o 'outro' e contra a sociedade. A entrada em cena desse novo ator social chamado “multidão” gera alguma esperança, já que cada vez mais pessoas se convencem de que nem políticos, nem religiosos vão resolver problemas coletivos ou individuais. A ausência de lideranças nesses novos movimentos horizontaliza as ações e inibe a cooptação por parte de partidos e religiões.
Ainda assim, é preciso aumentar o número de ativistas, dos atuantes de alguma forma, retirando mais gente de sua zona de conforto e de falsa segurança, da covardia moral e da falta de compromisso com os interesses coletivos.
publicado por animalsapiens às 12:29

26
Mar 12

Como a internet está sendo atacada — e defendida!

Breve guia para entender as recentes ameaças à liberdade na rede e, em especial, para reagir a elas

Por Leo Germani, em seu blog

Não se engane, a internet está sob ataque. Desde o começo do ano já tivemos algumas batalhas sangrentas. O Megaupload foi fechado e seus diretores presos – perdemos essa. O governo americano tentou emplacar uma série de leis e tomou porrada do mundo todo, inclusive de gigantes como google, facebook e wikipediaganhamos essa.

Há algumas semanas Eric Raymond, um dos caras que ajudou a criar o movimento open source e um dos hackers mais respeitados que tem por aí, escreveu uma carta aberta a um dos senadores americanos que estão nessa briga. É uma verdadeira declaração de guerra! “Não mexa com nossa internet!” . No começo do ano, o grupo Anonymous também declarou guerra e vem desde então promovendo uma série de ataques. Agora em março, estão promovendo um boicote a indústria do entretenimento, o março negro.

E eu? E você? O que fazemos no meio desse tiroteio? Assistimos as notícias na TV? Curtimos links no facebook? Nâo. Nós temos papel fundamental nessa história. Eu separei aqui três coisas que considero fundamentais fazer a partir de agora: entender o que está em jogo (para que você possa assumir uma posição bem definida), diminuir nossa vulnerabilidade (para que fique mais difícil de atacarem nossas liberdades) e incentivar a produção independente (ninguém sabe como esse novo modelo que está surgindo vai ser, ajude a inventá-lo!).

1. Entender o que está em jogo.

É preciso ter clareza de que o dilema do direito autoral na internet não é só “uma questão complicada mesmo” e que “tem que ser encontrado um equilíbrio, que talvez algumas coisas que a indústria está querendo fazer (controlar) faça sentido”. Não, não faz! Não estou dizendo que é simples, mas estou dizendo que todos os argumentos que eles colocam são falsos e todas as soluções que eles propõe são um atentado a nossa liberdade e a nossa evolução enquanto humanidade! Não, isso não é exagero! Olha só…

A indústria diz que a pirataria gera milhões de prejuízo: 10 milhões de arquivos foram baixados ilegalmente; Cada arquivo desse, se comprado legalmente, custaria em média 10 dólares: Isso dá 100 milhões de prejuízo.  Essa é a conta que é feita. Mas é óbvio que ela é irreal. Se não houvesse o download, uma ínfima parcela dessas pessoas de fato comprariam o disco ou o DVD. Pense em você, você compraria tudo o que você baixa? Claro que não.

O que a indústria se esforça para não enxergar é que o efeito, na verdade,  é inverso. O compartilhamento de arquivos incentiva o consumo e há mais de um estudo que mostra isso. As pessoas tem contato com muito mais coisas e podem conhecer artistas que nunca conheceriam se não fossem pelas redes de compartilhamento e pelos blogs de música.

O compartilhamento também democratiza o acesso a cultura e ao conhecimento. Precisamos pensar no que está acontecendo fora das grandes cidades. Imagine uma cidade no interior do Amazonas, isolada fisicamente mas conectada pela internet. Se as pessoas que moram nessa cidade quisessem ter acesso legítimo a produção cultural do planeta não poderiam. Não há cinemas, as lojas só vendem os blockbusters e as locadoras oferecem poucas opções. Resta a TV e o rádio. A indústria não oferece um meio para que essas pessoas tenham acesso a produção cultural, mesmo se elas quisessem pagar. O que fazemos então? Dizemos para eles continuarem assistindo TV!? DIzemos para eles que eles não podem participar? Vendamos seus olhos e tapamos seus ouvidos? Isso é um absurdo!

E para quem poderia comprar, o compartilhamento não é só mais barato (de graça) – ele é melhor. É mais rápido (não precisa esperar meses depois do lançamento), é mais prático (download direto na sua casa), não tem limites geográficos (alguns conteúdos vendidos pela indústria só estão disponíves em alguns países) e não tem DRM (você vai poder fazer uma cópia para a sua tia). Pense no caso das séries americanas que algumas horas depois de irem para o ar nos EUA já têm uma versão legendada para download. Se um grupo de pessoas, descentralizadamente e sem fins lucrativos, consegue ter esse nível de serviço porque a indústria não consegue fazer melhor? Porque não quer! Eu já lancei esse desafio e já propus uma receita (e não fui o único a fazê-lo).

E todo o legado de produção cultural que está fora de catálago? Temos que esperar que a indústria resolva achar que vale a pena comercializá-los novamente? Devemos deixar nossa memória apodrecendo em seus arquivos? Claro que não!

Percebem que para proteger meia dúzia de Justins e Ladies a indústria aprisiona toda a história da nossa produção cultural e exclui todas as pessoas que não estão em grandes centros urbanos? De repente chegamos a um ponto na história que podemos compartilhar nossa produção cultural e de conhecimento com o mundo todo instantaneamente, podemos colaborar em escala global, podemos transpor fronteiras geográficas e políticas e unir as pessoas… mas indústria quer desligar a máquina que faz isso porque não consegue se adaptar. Percebe que não estou exagerando quando falo em evolução…?

“Mas nós estamos defendendo o direito dos artistas!” eles vão dizer. Não é verdade. Os artistas estão achando alternativas e cada vez mais percebendo que não dependem dessa indústria de intermediação. Desde os consagrados até os novos independentes, todos estão aprendendo a usar a rede para estabelecer contato direto com seu público. Fechar o megaupload não aumentou em nada a receita de nenhum artista!

E outra, a produção musical nunca esteve tão bem. Basta dar uma olhada na quantidade e na qualidade dos álbuns lançados ano passado. Tem muita coisa boa rolando! Mas a indústria não se dá bem com tamanha diversidade.

O que a SOPA queria e a ACTA quer é que todos os provedores de acesso a conteúdo se transformem em policiais, investigando o tempo todo tudo o que nós fazemos e enviando essas informações as autoridades. Eles querem transformar a rede em uma área totalmente vigiada e querem obrigar as empresas que provêm o conteúdo a transformarem-se em vigilantes. Abrir mão da nossa privacidade e liberdade, matar a internet em sua raíz, para proteger interesses de algumas indústrias dos países desenvolvidos. A Suíça não concorda,  eu não concordo.

E tudo isso que eu falei aqui acima é apenas uma pequena parcela da jogada. Estamos falando de música, de cultura. Mas eles estão de olho em muito mais. Essa lei também seria uma ameaça, por exemplo, aos medicamentos genéricos.

Para saber mais sobre como o ACTA ameaça nossa liberdade e o que podemos fazer, recomendo este dossiê.

Há, no Twitter, intensa postagem com referências a material importante sobre o acordo. Pesquisar por #ACTA. Acompanhar, em particular, as microblogagens de James LoveMichael GiestPhilippe Rivière,OpenActa (rede mexicana) e, no Brasil, de CaribéFátima Conti,Marcelo BrancoSérgio Amadeu.

Aqui no Brasil temos uma briga importante contra o Projeto de Lei do Senador Eduardo Azeredo – que assumiu recentemente a Comissão de Tecnologia do congresso. Saiba o que é e como combater.

Então se alguém te perguntar sobre o assunto, não responda com um ar de confusão, como se fosse uma questão complicada que você não sabe no que vai dar. Diga que essas leis são absurdas e que nesses termos não podemos negociar com a indústria – ela vai ter que mudar e se adaptar.

2. Tomar atitudes práticas no nosso dia a dia na rede para que não fiquemos vulneráveis

A segunda coisa que precisamos fazer envolve uma mudança de hábitos. Para diminuir nossa vulnerabilidade, temos que fomentar as redes P2P. Se continuarmos a usar serviços de upload na “nuvem”, será muito fácil rastrear e apagar nosso conteúdo. Há até relatos de que o google poderia até apagar arquivos mp3 do seu Gmail. Neste modelo, basta tirar um único servidor do ar para afetar o compartilhamento entre milhares de pessoas.

A natureza da internet é o p2p. Ao estarmos em rede, compartihando arquivos e recursos diretamente uns com os outros, se torna muito difícil, pra não dizer impossível, que alguém consiga tirar alguma coisa que publicamos do ar. A rede p2p não depende de apenas um servidor. Todas as pessoas estão ao mesmo tempo servindo e consumindo. Para desligar a rede, seria preciso desligar o computador de todo mundo.

Não entende exatamente o que é o p2p? Basicamente o p2p (ou peer to peer, ponto a ponto) é uma maneira de compartilhar arquivos sem depender de um servidor central. Ao invés de todo mundo baixar um arquivo de um mesmo lugar, todos baixam uns dos outros. Se mais de uma pessoa tem o arquivo que você procura, você pode até baixar de várias pares ao mesmo tempo –  tudo isso automaticamente.

Se quiser entender melhor, tem um artigo no How Stuff Works e outro interessante neste blog do g1. Neste último, escrito por um especialista em segurança, ele coloca:

A única maneira de derrubar por completo essas redes seria por meio de detecção de tráfego, ou seja, bloquear completamente o uso da rede P2P na infraestrutura dos provedores de internet. Isso seria tão difícil quanto prender todos os donos de servidores: tecnicamente, é uma tarefa “pesada” e também complexa, porque protocolos P2P podem utilizar criptografia e outros mecanismos que dificultam a identificação do tráfego.
Além disso, as redes P2P não são maliciosas por conta própria. Proibi-las completamente iria resultar em extensas discussões legais sobre o direito à liberdade de expressão.

A “detecção de tráfego” que ele coloca é um risco real, e já há tentativas de se fazer isso: é a briga pela neutralidade da rede, que é crucial. Esse post já está longo demais para falarmos sobre isso, mas é importante registrar que precisamos ficar espertos.

Então vamos as atitudes práticas:

  • Se você é um DJ ou um cinéfilo, que tem um blog para divulgar filmes ou discos, não divulgue links de sites de download. Use p2p! Incentive e ajude os seus leitores a utilizarem p2p!
  • Se você não publica nada, mas adora baixar. Use p2p! Baixe um bom programa de torrent. Use o SoulSeek para baixar músicas dos seus amigos e descubra como é divertido! E lembre-se, baixe e deixe baixar. Nâo feche o programa assim que o download estiver concluído.

3. Incentivar a produção independente

Ajude os artistas que você gosta.

Estamos todos perdidos com todas essas mudanças e ninguém sabe muito bem como esse povo todo poderá se sustentar. E não estamos falando só de músicos, mas de fotógrafos, artistas plásticos, cineastas, escritores, blogueiros e jornalistas, etc. Mas na verdade a resposta é muito simples: é preciso que o público suporte o trabalho desses produtores diretamente, sem intermediários.

Cobre daquela pessoa de quem você é fã do trabalho: “Ei, eu quero ouvir o seu disco e não achei o link para download no seu site. Eu vou baixar do mesmo jeito, mas eu gostaria de muito de baixar diretamente de você e de ter uma maneira fácil de lhe retribuir”; “como posso retribuir pelo seu trabalho?” e sugira uma alternativa, “por que você não coloca um link para doação; por que  você não vende camisetas?”.

Tenha em mente  que a internet não é uma ameaça a possibilidade de o artista ser remunerado pelo seu trabalho, ao contrário, ela é a solução para que isso aconteça. Nunca na história os autores tiveram uma maneira certa e segura de ganhar dinheiro. Durante o século XX e a era da indústria cultural, alguns poucos entraram em linha de produção e conseguiram – mas foram muito poucos. A internet, traz, pela primeira vez na história, a possibilidade real de que os autores possam viver exclusivamente do seu trabalho autoral, independentemente de contratos com empresas para pautarem seus trabalhos. (Isso também é uma forma de p2p, não é?)

Vamos nessa.

Leia também:

  1. Seu email e celular estão sendo vigiados?
  2. Censura na internet se espalha
  3. A segunda bolha da Internet
  4. Ameaça real à internet brasileira
  5. Internet, conexão total e isolamento contemporâneo
  6. Semana decisiva: qual será a internet do PNBL?
  7. A ONU avalia a liberdade na internet
  8. Washington também tenta limitar a internet
  9. Para que a internet jamais tenha centro
  10. Internet: Casa Branca quer mais vigilância

 

publicado por animalsapiens às 11:37

24
Mar 12

"Num velho trabalho inédito de interpretação do paralelismo comportamental na história da civilizaçãao, defendo a opinião que a poesia e a política são as duas maiores vertentes da caminhada humana no globo terrestre, cada uma com suas trilhas no tempo e no espaço, sendo a piedade (filha da poesia) e a violência (filha da política), as duas maiores constantes do comportamento humano desde os tempos mais remotos." (BARRETO, Lázaro. Memorial do Desterro. Divinópolis. Diocese de Divinópolis. 1995, p. 85)

publicado por animalsapiens às 10:55

"Há muita coisa que me completa: plantas, animais, nuvens, o dia e a noite, e o eterno no homem. Quanto mais incerto me sinto sobre mim mesmo, mais cresce em mim um sentimento de parentesco com todas as coisas. Carl Gustav Jung" (citado em Memorial do Desterro, Lázaro Barreto-1995)

publicado por animalsapiens às 10:50

23
Mar 12
O namoro do Chico Buarque com a cantora ruiva Thais Gulin rendeu para nós este primor de blues  ESSA PEQUENA, cuja letra vai aí abaixo. Mas rendeu também a interessante crônica UM TEMPO SEM NOME da escritora Rosiska Darcy de Oliveira sobre “o novo conceito de envelhecer”.  Também segue abaixo. 
Abração
 
Thais Gulin e Chico Buarque namoro (Foto: Divulgação)
 
Essa Pequena
Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela
Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la
Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai
Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena

  
          Um tempo sem nome
Rosiska Darcy de Oliveira, O Globo, 21/01/12
 
Com seu cabelo cinza, rugas novas e os mesmos olhos verdes, cantando madrigais para a moça do cabelo cor de abóbora, Chico Buarque de Holanda vai bater de frente com as patrulhas do senso comum. Elas torcem o nariz para mais essa audácia do trovador. O casal cinza e cor de abóbora segue seu caminho e tomara que ele continue cantando “eu sou tão feliz com ela” sem encontrar resposta ao “que será que dá dentro da gente que não devia”.
Afinal, é o olhar estrangeiro que nos faz estrangeiros a nós mesmos e cria os interditos que balizam o que supostamente é ou deixa de ser adequado a uma faixa etária. O olhar alheio é mais cruel que a decadência das formas. É ele que mina a autoimagem, que nos constitui como velhos, desconhece e, de certa forma, proíbe a verdade de um corpo sujeito à impiedade dos anos sem que envelheça o alumbramento diante da vida .
Proust, que de gente entendia como ninguém, descreve o envelhecer como o mais abstrato dos sentimentos humanos. O príncipe Fabrizio Salinas, o Leopardo criado por Tommasi di Lampedusa, não ouvia o barulho dos grãos de areia que escorrem na ampulheta. Não fora o entorno e seus espelhos, netos que nascem, amigos que morrem, não fosse o tempo “um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho“, segundo Caetano, quem, por si mesmo, se perceberia envelhecer? Morreríamos nos acreditando jovens como sempre fomos.
A vida sobrepõe uma série de experiências que não se anulam, ao contrário, se mesclam e compõem uma identidade. O idoso não anula dentro de si a criança e o adolescente, todos reais e atuais, fantasmas saudosos de um corpo que os acolhia, hoje inquilinos de uma pele em que não se reconhecem. E, se é verdade que o envelhecer é um fato e uma foto, é também verdade que quem não se reconhece na foto, se reconhece na memória e no frescor das emoções que persistem. É assim que, vulcânica, a adolescência pode brotar em um homem ou uma mulher de meia-idade, fazendo projetos que mal cabem em uma vida inteira.
Essa doce liberdade de se reinventar a cada dia poderia prescindir do esforço patético de camuflar com cirurgias e botoxes — obras na casa demolida — a inexorável escultura do tempo. O medo pânico de envelhecer, que fez da cirurgia estética um próspero campo da medicina e de uma vendedora de cosméticos a mulher mais rica do mundo, se explica justamente pela depreciação cultural e social que o avançar na idade provoca.
Ninguém quer parecer idoso, já que ser idoso está associado a uma sequência de perdas que começam com a da beleza e a da saúde. Verdadeira até então, essa depreciação vai sendo desmentida por uma saudável evolução das mentalidades: a velhice não é mais o que era antes. Nem é mais quando era antes.Os dois ritos de passagem que a anunciavam, o fim do trabalho e da libido, estão, ambos, perdendo autoridade. Quem se aposenta continua a viver em um mundo irreconhecível que propõe novos interesses e atividades. A curiosidade se aguça na medida em que se é desafiado por bem mais que o tradicional choque de gerações com seus conflitos e desentendimentos. Uma verdadeira mudança de era nos leva de roldão, oferecendo-nos ao mesmo tempo o privilégio e o susto de dela participar.
A libido, seja por uma maior liberalização dos costumes, seja por progressos da medicina, reclama seus direitos na terceira idade com uma naturalidade que em outros tempos já foi chamada de despudor. Esmaece a fronteira entre as fases da vida. É o conceito de velhice que envelhece. Envelhecer como sinônimo de decadência deixou de ser uma profecia que se autorrealiza. Sem, no entanto, impedir a lucidez sobre o desfecho.
”Meu tempo é curto e o tempo dela sobra”, lamenta-se o trovador, que não ignora a traição que nosso corpo nos reserva. Nosso melhor amigo, que conhecemos melhor que nossa própria alma, companheiro dos maiores prazeres, um dia nos trairá, adverte o imperador Adriano em suas memórias escritas por Marguerite Yourcenar.
Todos os corpos são traidores. Essa traição, incontornável, que não é segredo para ninguém, não justifica transformar nossos dias em sala de espera, espectadores conformados e passivos da degradação das células e dos projetos de futuro, aguardando o dia da traição.Chico, à beira dos setenta anos, criando com brilho, ora literatura , ora música, cantando um novo amor, é a quintessência desse fenômeno, um tempo da vida que não se parece em nada com o que um dia se chamou de velhice. Esse tempo ainda não encontrou seu nome. Por enquanto podemos chamá-lo apenas de vida.
 
ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA é escritora.
publicado por animalsapiens às 10:39

21
Mar 12

19 Março 2012

Microscópio

Esta tarde, numa cafeteria da cidade de Maputo, 17:15: a criança que empunhava um microscópio (brinquedo certamente raro) em meio a várias e alegres outras crianças com balões, iniciou a brincadeira da festa transformando o microscópio em espingarda com os sons veementes "pumpumpumpum". 


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publicado por animalsapiens às 11:22

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