Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

10
Set 11

- postado por Paulo R. Santos

 

Toda vida é preciosa. Não importa se humana, animal ou vegetal. A vida da Terra é igualmente preciosa, portanto é um bem absoluto, sem preço. No entanto, seres de todas as espécies morrem e se matam continuamente, desde sempre.

 

No momento destaca-se o 11 de setembro de 2001 como uma data especial, quando um suposto atentado terrorista, com origem em radicais islâmicos, teria motivado e justificado as reduções bruscas dos direitos humanos em vários países ocidentais, e um eventual recrudescimento das lutas étnicas, religiosas ou entre facções políticas no Oriente Médio, Ásia e África, com provável repercussão na América Latina.

 

O fato é que desde a implosão do bloco soviético (1989), divulgou-se que a 'guerra fria' havia terminado, o que é, no mínimo, discutível. Os interesses ocidentais de hegemonia e o neoimperialismo diante da escassez de matérias-primas, o fortalecimento de economias emergentes, além de outros fatores, fez com que o eixo do poder econômico e político se deslocasse gradualmente do hemisfério norte para o hemisfério sul, fato já aceito consensualmente.

 

Países que até então se mantinham em posição de domínio passaram a apelar para a fomentação de guerras étnicas e religiosas para alimentar a indústria bélica, com destaque para EUA, França, Grã-Bretanha e Alemanha.

 

O mundo islãmico resistiu até o fim à 'nova ordem econômica' imposta por esses países e daí surgiram os inúmeros grupos de resistência, chamados de terroristas pelos ocidentais, e de patriotas pelos países de origem. Questão de ponto de vista ! O neoliberalismo naufragou em 2008 levando consigo os países que o financiavam e impunham. Justamente os que agora justificam ainda hipocritamente a guerra entre ocidentais e islâmicos.

 

O atentado de 11 de setembro de 2001 será sempre uma história incompleta com muitas versões possíveis. O dinheiro, o poder político e a influência midiática manterão a versão oficial no topo da lista ainda por muito tempo, não restando outras possibilidades além de especulações e teorias de conspiração para os demais.

 

De qualquer forma, a história já formou o veredito moral de que os EUA provocaram a retaliação ao atacar sistematicamente países, principalmente islâmicos, sob alegações absurdas, como foi o caso da Guerra do Golfo e contra o Iraque, ou de participar com fornecimento de armamento e munição (radioativa, inclusive, como no caso da Bósnia e Líbia), o que tornou os Estados Unidos da América, o país mais temido e odiado no planeta.

 

O tempo, esse fazedor de sínteses, como dizem os filósofos, jogará a última pá de cal sobre o episódio, oportunamente, como já o fez sobre as guerras, atentados e massacres anteriores. Fica o registro de que ainda não aprendemos a lição da paz, pois a exploração política e midiática do 11 de setembro, de forma tendenciosa, parcial e emocional, certamente estimulará a continuidade dos sofrimentos humanos, na forma de outras guerras, atentados, adoecimento coletivo, medo difuso e permanente, suicídios, homicídios, destruição da natureza, da cultura humana, e o aumento da violência sob várias formas.

 

 


publicado por animalsapiens às 19:48

O darwinismo social


Para a Globo Filmes, o homem do futuro, aquele idealmente inserido na sociedade, é o malandro carioca.

Por Bruno Carmelo, editor do blog Discurso-Imagem.

Haveria diversas maneiras possíveis de se analisar a estreia O Homem do Futuro. A primeira seria pelo gênero de ficção científica, ilustrado por um grande número de raios laser, equipamentos mirabolantes e vocabulário convenientemente alheio ao seu público-alvo, com o intuito de impressionar mais do que esclarecer (“aceleradores de partículas”, “equações da matriz matemática” e equivalentes). Também poderia se esquecer a parafernália dos efeitos especiais e se concentrar apenas no amor romântico, com seus grandes mitos todos condensados aqui, de Romeu e Julieta a Tristão e Isolda.

Mas talvez o mais interessante seja observar o próprio título e a significação que ele apresenta dentro dessa história. Afinal, existem três homens apresentados nesta trama, todos interpretados por Wagner Moura, em diferentes momentos da vida, em idas e voltas no tempo. O ator foi provavelmente instruído a atuar como se estivesse numa história em quadrinhos ou num episódio dos Trapalhões, cheia de chiliques, atrapalhada, exagerada como ele raramente faz.

Passado o choque inicial com este personagem-marionete, resta  a percepção de uma “evolução natural” apresentada entre estes três tipos de homem, uma espécie de darwinismo concebido pela Globo Filmes, um estudo da evolução no masculino singular (porque a personagem feminina, coitada, é limitada a ser bela, a ser a santa-prostituta que nunca muda mesmo quando seu parceiro evolui).

O primeiro homem existente é o cientista íntegro. Ele é marcado pelos traços mais caricatos da inteligência: óculos, higiene precária, sem vida social nem afetiva, apaixonado pelos números, gênio intempestivo e incompreendido. Esta versão da masculinidade é desprovida de sedução, mas não de libido (ele transa com prostitutas). Acima de tudo, ele é triste, insatisfeito por ainda não ter descoberto a tal máquina de viajar no tempo. Esta figura masculina é a do nerd, do geek, do indivíduo que muitos filmes independentes aprenderam a amar e cultuar, mas que aqui será apresentado como alternativa inviável. Por isso a narrativa o abandona, e pensa em outro projeto.

O segundo homem é radicalmente oposto. Ele soube usar a tecnologia de ir e vir no tempo para aprender os fatos futuros e especular na bolsa de valores atual. Este homem de negócios é arrogante, vil, mesquinho e seu sucesso é diretamente relacionado com a perda de caráter. Por esta razão, ele também perde sua vida afetiva e social, também transa unicamente com prostitutas. Por caminhos radicalmente diferentes, estes dois projetos de homem são mostrados como fracassos idênticos. Nem a integridade romântica nem o pragmatismo capitalista são soluções satisfatórias neste filme – é preciso negar esta bipolaridade tradicional e buscar um novo rumo.

Pois neste momento a narrativa surpreende, cria uma mudança radical na conclusão e torna vencedor um outro protagonista, espécie de síntese pós-moderna dos últimos dois. O homem vencedor, que termina com amigos, com a mulher dos sonhos, com grana, limusine e champanhe nas praias do Rio, é o protótipo do malandro, aquele sujeito malicioso que dá um jeitinho, de maneira obviamente ilegal, e termina enganando a todos – inclusive ao público.

Este “homem do futuro” não é o vilão em busca do dinheiro, nem o pobre sonhador, e sim um tipo dissimulado, que finge ser gênio diante dos especuladores da bolsa, e usa sua habilidade da bolsa dentro da física quântica. O humano que supera a seleção natural, neste caso, é o mentiroso, o “adorável enganador”, aquele que retira uma solução incrível (e inverossímil) da cartola quando todos os caminhos pareciam fechados. Tanto o gênero da ficção científica quanto o da comédia romântica, acostumados com figuras maniqueístas e idealizadas, têm que acomodar de agora em diante este novo androide, não mais uma mistura de humano e robô, mas uma mistura de integridade e ganância, um lobo em pele de cordeiro.

 

O Homem do Futuro (2011)
Filme brasileiro dirigido por Cláudio Torres.
Com Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luiza Mendonça, Gabriel Braga Mendes, Fernando Ceylão.

 

www.outraspalavras.net

publicado por animalsapiens às 12:05

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