Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

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O Estado é laico, mas as pessoas não são. É o que se houve como suposto argumento definitivo para justificar a presença das religiões nas decisões políticas. Porém, é preciso se perguntar até que ponto uma bancada religiosa pode influenciar nos resultados de temas que atingem toda uma população, partindo dos valores doutrinários de uma determinada crença ou grupo de crenças. Aborto e homossexualidade são temas religiosos, médicos ou políticos? Se reduzem a temas da bioética e da filosofia? Nos parece que não! Uma sociedade se estrutura sobre valores que as leis representam, e cabe ao Estado, como instância jurídico-administrativa, zelar pelo equilíbrio dos interesses através de legislação e fiscalização adequadas.

 

O púlpito ou a tribuna, o espaço religioso e da fé, podem ser convertidos em espaços de debates políticos? De campanhas em favor disso e contra aquilo, com base nas crenças e valores de determinada religião? A religião que predominar imporá seus valores pela legislação que ajudará a construir?

 

Todos os segmentos sociais podem encaminhar suas demandas e formar grupos de pressão para levá-las a análise em ambiente próprio. Mas isso deve ser feito pelos caminhos legais criados, isto é, pelos canais partidários, movimentos e mobilizações, sem que se partidarize a religião em si. É o que vem acontecendo no Brasil e pode representar perigo crescente para as eleições futuras. Muitos candidatos já sucumbiram às pressões religiosas e se apresentam em templos e igrejas com a mesma desenvoltura que teriam em um palanque armado numa praça. Os espaços, não apenas o público e o privado, o laico e o sagrado, estão se misturando, de modo a dificultar posicionamentos que equilibrem o convívio social, sem alimentar - ainda mais -, as animosidades, ressentimentos e intolerâncias já existentes.

 

A religião, enquanto instituição e criação humana, tem sido motivo mais de desavenças do que de convergências. Convém cuidado e cautela para que o Estado, encarregado da res publica, seja capaz de - através de nossos representantes - decidir da forma mais adequada para que a vida social exista sem fraturas e zonas de conflito geradas por leis inspiradas em doutrinas religiosas que podem ser boas para uns e não para todos.

 

- por Paulo Santos

 

publicado por animalsapiens às 18:41

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