Para falar de gente, de seres humanos, do bicho humano perfectível, apesar de tudo. Do Animal sapiens, mas a partir de agora do "Homo spiritualis", com sua fé e religiosidade muitas vezes confusa, gerando preconceitos, discriminações.

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Jul 12

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A dor da decepção

by Antonio Ozaí da Silva

Quem não teve alguma decepção na vida? Quem não decepcionou alguém? Por que as pessoas causam decepções, por que se sentem decepcionadas? De quem é a culpa?! Será que se trata de procurar culpados? Por que temos dificuldades em superar as decepções da vida? Por que as feridas não cicatrizam, mesmo quando parecem curadas?

A razão é o contraponto da sensibilidade. Também ela é humana. Ela nos impele adiante. Tentamos racionalizar a dor que sentimos, compreendê-la e superá-la. O perigo é cairmos no extremo oposto e deixarmos que a racionalidade predomine a ponto de perdermos a capacidade de sentir. Estamos o tempo todo no limiar da razão e da emoção. Somos paradoxais! Pensamos racionalmente e agimos emotivamente; doutras vezes, quando o sentimento deveria predominar, nossas ações são racionais, frias e formais. É difícil encontrar o equilíbrio entre o pensar e o agir, entre a razão e a emoção. Somos razão e sentimento.

A racionalidade pode contribuir para a superação da decepção, mas nada garante que as feridas sejam cicatrizadas definitivamente e que deixemos de sentir a dor da decepção. Por que é tão intensa que nem a razão consegue anestesiá-la? O filho sofre intensamente ao decepcionar-se com o pai, o irmão decepciona a irmã, a mãe decepciona-se com a sua filha, a moça com o seu namorado, a mulher com o seu esposo, o aluno com o seu professor, o amigo com o amigo,– e vice-versa. Os que se admiram, se gostam e se amam decepcionam-se reciprocamente. Todos sofrem! Por que?!

O dicionário Aurélio talvez nos ajude a compreender. Ele ensina que a palavra decepção significa “malogro de uma esperança; desilusão, desengano, desapontamento”. O verbo decepcionar, por sua vez, tem o sentido de “desiludir(-se), desapontar(-se), desencantar-se”. Como, então, não sofrer quando as esperanças são frustradas e dão lugar à desesperança e ao desespero? Como não sofrer se quem amamos e confiamos plenamente nos desaponta? Como evitar o sofrimento se o encantamento do amar e sentir-se amado é atingindo em seu âmago? Como não decepcionar-se quando se é abandonado num campo minado e depende-se apenas das próprias forças para sobreviver? Como não desapontar-se quando nos momentos em que mais se necessita de apoio não é possível contar com o amor, a amizade, a solidariedade de quem mais se espera? Por mais que a razão encontre argumentos para a compreensão das atitudes humanas é difícil não sentir a dor da decepção.

Por outro lado, o Aurélio nos permite ver de outra maneira. Se decepção também significa “desilusão” e decepcionar é “desiludir-se”, então devemos nos perguntar se não estávamos iludidos, se não vivíamos uma ilusão. A desilusão e o desiludir-se indicam a perda das ilusões. Tentemos ver pelo lado positivo. Perder as ilusões nos emancipa do objeto/pessoa que nos iludia. Desiludir-se é estar livre, liberto! De qualquer forma, não nos apressemos a culpabilizar o outro, pois muitas vezes somos nós próprios que alimentamos as ilusões, ou seja, construímos modelos ideais e projetamos no outro.

Por que?! Talvez a resposta seja mais simples do que imaginamos. Somos humanos, e, portanto, seres emotivos, sensíveis. Por isto, indubitavelmente, sofremos. Sofrer é da condição humana. Aceitemos o sofrimento como inerente ao viver. Ainda que o outro seja o causador do nosso sofrer, tentemos compreender e aprender a perdoar as fraquezas humanas. Talvez devamos agradecer por nos libertar das ilusões que nutríamos. Quem sabe seja o lenitivo que precisamos para suportar a dor da decepção. Muito mais difícil do que superar o sofrer do desapontamento seja a consciência de ser o motivo da dor da decepção! Seja como for, é insensato nutrir a dor da decepção, pois ela pode transformar-se em ressentimento. É preciso seguir vivendo, e é muito mais difícil quando as mágoas persistem!

Antonio Ozaí da Silva | 14/07/2012 at 22:33 | Categorias: reflexões do quotidiano | URL: http://wp.me/pDZ7T-uS

 

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